O Itaú Unibanco (ITUB4) voltou ao topo da lista das companhias que mais transferem caixa para seus acionistas na B3. A nova posição encerrou com a sequência de três anos da liderança da Petrobras (PETR3, PETR4) entre as companhias listadas que mais desembolsaram recursos em dividendos e juros sobre capital próprio (JCP), de acordo com levantamento da Elos Ayta.
Em 2025, o Itaú transferiu cerca de R$ 48,9 bilhões em dividendos e JCP, contra a Petrobras, que pagou em torno de R$ 45,4 bilhões aos acionistas. O banco retorna à liderança pela primeira vez desde 2019, quando também encerrava uma sequência de três anos no topo, desde 2017.
A Petrobras liderou com folga o ranking de distribuição de caixa da bolsa brasileira entre 2022 e 2024. Durante seu ápice, em 2022, a empresa chegou a desembolsar R$ 194,6 bilhões, uma quantia histórica para todo o mercado de capitais brasileiros.
Viva do lucro de grandes empresas
Ao longo dos anos, os valores transferidos pela Petrobras foram impulsionados por um ciclo de preços elevados do petróleo e por uma política de remuneração bastante agressiva. Em 2023, os desembolsos atingiram R$ 98,2 bilhões, enquanto em 2024 chegaram a R$ 100,7 bilhões.
O levantamento da Elos Ayta considera dividendos efetivamente desembolsados. Desta forma, apenas o dinheiro que de fato saiu do caixa das empresas e foi pago aos acionistas dentro do ano calendário é utilizado no cálculo. Essa diferenciação separa os dividendos propostos, anunciados nos resultados trimestrais ou aprovados em assembleia, mas que podem ser pagos apenas meses depois, como o que acontece no quarto trimestre do ano.
Histórico de dividendos
Considerando os 16 anos entre 2010 e 2025, a empresa que mais vezes liderou o desembolso anual de dividendos na B3 foi a Vale (VALE3). A mineradora aparece cinco vezes no topo do ranking, distribuídas em dois ciclos distintos do mercado de commodities. O primeiro, entre 2011 e 2013, com forte geração de caixa do setor de mineração. E, depois, em 2020 e 2021, refletindo o superciclo do minério de ferro.
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O Itaú Unibanco e a Petrobras dividem o segundo lugar com mais vezes na liderança. Ambas as empresas figuraram o topo da lista por quatro anos. A Ambev (ABEV3) segue no pódio, com três anos como líder. A empresa foi a primeira do ranking entre os anos de 2014 e 2016.
Empresas de commodities, como Petrobras e Vale, tendem a dominar o ranking quando os preços internacionais estão elevados e a geração de caixa dispara. Já instituições financeiras, como o Itaú, aparecem com maior frequência em períodos de maior estabilidade econômica, quando lucros recorrentes e previsíveis ganham peso.


