RIO DE JANEIRO – A operadora carioca Transmundi anunciou o projeto Rotas durante evento com parceiros do trade turístico, ao mesmo tempo em que celebra duas décadas de atuação no mercado. Criada em 2006 e sediada no Rio de Janeiro, a empresa fundada por Miguel Andrade e gerida por ele e o filho Marcelo, apresenta seis itinerários internacionais inspirados em antigas rotas históricas, com viagens estruturadas a partir de pesquisa histórica e trajetos que reproduzem caminhos utilizados por comerciantes e civilizações do passado. A proposta marca uma nova etapa da operadora, conhecida por organizar grupos e por operar fretamentos de cruzeiros fluviais na Europa.
Ao falar sobre a trajetória da empresa, Marcelo Andrade destacou marcos considerados relevantes ao longo dos 20 anos de operação. “Nós temos muito orgulho de trazer alguns marcos, não só da Transmundi, mas do mercado brasileiro. O primeiro deles é que a Transmundi é e continua sendo a única empresa que freta navios fluviais na Europa”, afirma.
Segundo os executivos, a aposta nos cruzeiros fluviais começou ainda nos primeiros anos da empresa e se tornou um dos produtos mais associados à marca. “Começamos em 2007, então esse é um grande marco. Nossa trajetória começou com esse produto”, celebra.
Miguel Andrade explicou que a decisão veio da experiência profissional anterior no setor. “Ninguém acreditava nesse produto aqui no Brasil. Eu, como era guia, eu visitava os navios na Europa quando estava trabalhando por lá e eu achava aquilo incrível”. Ele conta que o primeiro produto que buscou fazer com a Transmundi foi fluviais.
A operadora ficou conhecida internamente no mercado por buscar destinos e formatos de viagem ainda pouco explorados. “Nós somos conhecidos no mercado como os garimpeiros do turismo, sempre achamos novidades”, revela. A empresa também passou a desenvolver outros produtos considerados diferentes dentro do portfólio nacional, como fretamentos de iates na Croácia e roteiros especiais em diferentes regiões do mundo.
Outro ponto citado pelos executivos foi a relação histórica da operadora com a companhia aérea Emirates, desde o início da operação da empresa no Brasil. “Desde o primeiro voo da Emirates para o Brasil, que começou no Rio, depois ele foi para São Paulo, nós temos passageiros com ele até hoje.”
A novidade apresentada no evento foi o projeto Rotas

A iniciativa reúne seis itinerários baseados em caminhos históricos. De acordo com Marcelo Andrade, a proposta foi recriar percursos utilizados por comerciantes e civilizações antigas. “Todo mundo vende a rota da seda, mas ninguém vende a rota da seda de verdade”, conta. O objetivo foi reproduzir o trajeto original utilizado pelos comerciantes ao longo da história. “Fizemos um trabalho em pesquisa, estudamos muito a respeito, então, os passageiros vão poder ter a mesma sensação que os antigos comerciantes tinham”.
A ideia surgiu durante uma viagem dos executivos à feira internacional de turismo Fitur, em Madrid. “Começamos falando de um grupo que nos foi solicitado por uma agência que era justamente a Rota da Seda, mas não quisemos fazer o mesmo de sempre, decidimos inovar”, relata. Assim, a empresa decidiu estruturar o novo portfólio de viagens.
Inicialmente, seis itinerários fazem parte do projeto Rotas:
- Rota do Transporte do Chá: começa no Sri Lanka, antigo Ceilão, e segue até as Maldivas;
- Rota do Império Romano: percorre o caminho entre Roma e Tirana, passando por regiões dos Balcãs;
- Rota dos Nabateus: povo responsável pela construção de Petra, que liga Amã, na Jordânia, a Al-Ula, na Arábia Saudita.
- Rota do Ouro e da Prata: percorre áreas da Mesoamérica entre a Cidade do México e a Guatemala, com visitas a sítios arqueológicos como Teotihuacan, Chichén Itzá e Tikal;
- Rota da Seda: começa em Pequim, passa por Xi’an e segue por cidades históricas da Ásia Central, como Kashgar e Samarcanda.
- Rota do Ano Novo Chinês: o portfólio inclui ainda um itinerário pela China que termina com a celebração do Ano Novo em Hong Kong.
Apesar da inspiração histórica, Marcelo Andrade destacou que as viagens são adaptadas às condições atuais. “Essas rotas são exatamente autênticas, mas tem toda a comodidade, todo o conforto, todas as facilidades de qualquer outro lugar. Nós tomamos esse cuidado.”
Segundo ele, o perfil de viajante esperado é composto principalmente por passageiros experientes. “Procuramos pessoas que estão buscando novidades”, explica. Marcelo acrescentou que a proposta também busca oferecer novos produtos às agências parceiras: “é muito difícil ter produto novo no mercado.”
Ao completar duas décadas de operação, a Transmundi aposta no projeto Rotas como uma forma de ampliar o portfólio e oferecer itinerários baseados em pesquisa histórica e trajetos originais. A proposta, segundo Miguel e Marcelo Andrade, busca atrair viajantes com experiência internacional e ampliar as opções disponíveis para o mercado de viagens em grupo no Brasil.

