A 60ª edição da ITB Berlin, realizada na Berlim, reuniu executivos e especialistas para discutir mudanças tecnológicas, comportamento do consumidor e impactos geopolíticos no turismo. Entre os temas mais recorrentes esteve o avanço da inteligência artificial na jornada do viajante.
Durante a abertura do evento, Boris Raoul, CEO da Dertour Group na Alemanha e Áustria, apresentou uma releitura do conceito de FOMO — Fear of Missing Out (medo de ficar de fora). Segundo ele, o termo pode ser reinterpretado como “Fear of Missing Obsolescence”, ou o receio de se tornar obsoleto diante da velocidade das transformações tecnológicas no mercado.
O tema foi retomado em discussões sobre o uso de inteligência artificial no turismo. Na palestra de Mascha Driessen, vice-presidente de IA da Microsoft para a Europa Continental, dados apresentados indicaram mudanças no comportamento do consumidor. De acordo com a executiva, 50% dos viajantes já utilizam ferramentas de IA para buscar roteiros completos e 65% das recomendações geradas por essas plataformas se convertem em reservas.
Além da tecnologia, o ITB Berlim também abordou fatores externos que influenciam o turismo global. Instabilidades climáticas e tensões geopolíticas têm provocado alterações em rotas aéreas e nos fluxos internacionais de viagem. Joschka Fischer, ex-vice-chanceler da Alemanha, resumiu o cenário com a palavra “imprevisível”, ao comentar o ambiente internacional.
Outro destaque debatido no encontro foi o crescimento do turismo de luxo. Estudo da Skift projeta que o segmento deve passar de US$ 154 bilhões em 2024 para US$ 369 bilhões em 2032, impulsionando o mercado premium e reduzindo o ritmo de expansão do segmento intermediário.
No contexto das transformações discutidas na feira, a adoção de inteligência artificial foi apontada como um elemento cada vez mais presente nas estratégias de empresas do setor. A tecnologia passa a influenciar etapas como planejamento de viagens, recomendação de destinos e conversão em reservas.

