Demanda global por passageiros cresce 3,8% em janeiro de 2026 e carga aérea avança 5,6%, segundo a IATA
A demanda global por transporte aéreo de passageiros registrou crescimento de 3,8% em janeiro de 2026 na comparação anual, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (2), pela Associação do Transporte Aéreo Internacional (IATA).
O resultado foi acompanhado por aumento de 3,5% na oferta de assentos, levando o fator de ocupação global a 82%, o maior já registrado para o mês de janeiro.
O desempenho ocorre em um contexto estatístico influenciado pela mudança do Ano Novo Lunar — celebrado em janeiro em 2025 e em fevereiro em 2026 — fator que tradicionalmente altera o padrão sazonal da demanda aérea internacional.
Passageiros
O tráfego internacional apresentou crescimento de 5,9% em relação a janeiro do ano anterior, com expansão de capacidade de 5,8% e fator de ocupação de 82,5%. Já o mercado doméstico permaneceu praticamente estável, com alta marginal de 0,1% na demanda e retração de 0,4% na oferta, elevando o load factor para 81,2%.
Segundo a IATA, o deslocamento do calendário festivo reduziu artificialmente o ritmo de crescimento aparente no início do ano. Dados de programação operacional indicam aumento de 5,2% na capacidade global de assentos até março, o que pode representar o ritmo mais acelerado de expansão desde abril de 2024.
América Latina lidera crescimento regional
As companhias aéreas latino-americanas registraram um dos desempenhos mais robustos entre todas as regiões. A demanda cresceu 11,4% na comparação anual, enquanto a capacidade avançou 8,9%.
O fator de ocupação atingiu 86,5%, aumento de dois pontos percentuais em relação a janeiro de 2025, indicando elevada eficiência operacional e forte recuperação do transporte aéreo internacional na região.
Tarifas e ambiente regulatório
A entidade projeta continuidade da tendência estrutural de redução das tarifas aéreas em termos reais ao longo de 2026, apesar do aumento de custos operacionais.
Segundo Willie Walsh, diretor-geral da IATA, pressões relacionadas a encargos de infraestrutura, exigências regulatórias e custos associados à transição energética foram fatores que impactam a sustentabilidade econômica do setor. Segundo ele, 2025 registrou o menor número de novas companhias aéreas em 26 anos.
Alta no transporte aéreo de cargas
No segmento de carga aérea, a demanda global cresceu 5,6% em janeiro, enquanto a capacidade aumentou 3,6%. As operações internacionais avançaram 7,2%. Transportadoras da África, Oriente Médio, Ásia-Pacífico e Europa apresentaram expansão acima da média global, enquanto operadores das Américas registraram retração agregada.
Desempenho na América Latina
Na América Latina e Caribe, a demanda por carga aérea caiu 2% na comparação anual — o resultado mais fraco entre todas as regiões analisadas. Em contrapartida, a capacidade cresceu 2,3%, indicando desequilíbrio entre oferta e volumes transportados.
Indicadores econômicos e custos operacionais
A IATA destaca fatores macroeconômicos que influenciam diretamente o transporte aéreo e a logística global:
- Comércio mundial de bens cresceu 4,9% em dezembro de 2025;
- Preços do combustível de aviação recuaram 6,5% em janeiro;
- O índice global de gerentes de compras (PMI) industrial atingiu 51,8 pontos, maior nível em mais de dezoito meses;
- Novos pedidos de exportação chegaram a 49,9 pontos, indicando recuperação gradual da atividade manufatureira.
Segundo a associação, a resiliência da carga aérea continuará sendo testada por incertezas comerciais globais e impactos geopolíticos sobre cadeias logísticas internacionais.

