Terras raras: o tema ganha cada vez mais força para os mercados globais em meio ao crescimento expressivo da demanda por últimos anos, mas ainda há muitas questões: como o Brasil se posiciona neste tema? Há oportunidades para investir?
A equipe de estratégia da XP Investimentos destaca em relatório o interesse crescente no tema em meio às tendências estruturais como eletrificação, expansão das fontes renováveis e avanço dos eletrônicos. Os elementos de terras raras são um grupo de 17 elementos metálicos com propriedades magnéticas, ópticas e catalíticas únicas. “Embora não sejam realmente escassos, sua extração e refino são complexos, enquanto suas aplicações são essenciais para setores como energia renovável, veículos elétricos, eletrônicos e defesa”, apontam os especialistas.
Diante da importância estratégica e da elevada dependência do Ocidente na produção chinesa, a XP vê tensões geopolíticas crescentes e esforços coordenados para diversificar a oferta, com o Brasil despontando como potencial fornecedor chave, dada suas reservas geológicas.
Viva do lucro de grandes empresas
Embora a exposição direta ao tema via empresas brasileiras listadas ainda seja limitada, a XP acredita que os investidores interessados na temática podem se beneficiar de uma abordagem cautelosa e diversificada, com os ETFs (fundos de índice) surgindo como alternativa viável.
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Muitas companhias listadas possuem somente um único ativo ou estão em estágio inicial, e as recentes preocupações com segurança de suprimentos já levaram os valuations do setor às máximas históricas.
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Dito isso, ao longo do tempo, preços altos e incentivos governamentais podem viabilizar nova oferta, potencialmente reduzindo a narrativa da escassez, em um padrão semelhante ao do lítio.
Assim, prefere uma exposição diversificada ao invés da escolha de nomes individuais. ETFs, como o VanEck Rare Earth/Strategic Metals (REMX), permitem que investidores participem da tese de demanda estrutural maior ao mesmo tempo em que diluem os riscos.
A XP ressalta as 10 maiores posições em ações do ETF REMX, que seguem abaixo:

Já o universo de empresas listadas é relativamente pequeno e geograficamente concentrado, aponta a XP, com um grupo restrito de médias/grandes empresas dominando o valor de mercado e a liquidez, e pequenas desenvolvedoras na Austrália, Brasil e América Latina.
Na Bolsa brasileira, embora a Vale (VALE3) seja uma candidata natural a liderar um desenvolvimento doméstico de terras raras, sua estratégia atual é focada em metais básicos, sem um movimento claro nessa direção.
“Semelhantemente, apesar de deter áreas em regiões promissoras, a CBA [CBAV3] não alocou capital relevante para exploração de terras raras, e sua potencial aquisição pela Chinalco/Rio Tinto reduz ainda mais, no curto prazo, a opcionalidade em torno desse tema”, avaliam os analistas.
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Maiores empresas de terras raras listadas em bolsa por valor de mercado (US$ milhões)

Como estão a oferta e a demanda?
A XP aponta que a China domina a cadeia de valor das terras raras, produzindo cerca de 70% do minério global e contando com mais 90% da capacidade de refino, conversão em metal e fabricação de ímãs, apesar de deter apenas cerca de 40% das reservas globais.
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Enquanto isso, o Brasil – que possui cerca de 20% das reservas mundiais – ainda é um produtor marginal, mas vem se posicionando cada vez mais como um parceiro relevante para diversificação de oferta para regiões como os EUA e a União Europeia, com potencial de ampliar sua produção à medida que novos projetos avançam.
Já a demanda continua acelerando à medida que aplicações intensivas em ímãs se expandem em veículos elétricos, turbinas eólicas, robótica e eletrônicos. Essa combinação de forte crescimento da demanda e oferta limitada reforça um mercado estruturalmente apertado.
Apesar das oportunidades substanciais, a indústria de terras raras permanece desafiadora, com barreiras significativas à entrada e expansão, como concentração da cadeia de suprimentos; número reduzido de locais de produção;volatilidade de preços; limitações no processo de reciclagem e regulamentações ambientais.
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Olhando sob a ótica ESG, embora essenciais para a transição energética, as terras raras apresentam custos de oportunidade importantes. A produção gera resíduos radioativos e tóxicos, com impactos ambientais significativos; embora apoie a criação de empregos e tenha papel chave em aplicações médicas, o setor envolve riscos à saúde associados à exposição radioativa e regulamentação robusta aumenta a resiliência do setor, mas a fiscalização branda e as tensões geopolíticas elevam os riscos.

