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Aston Martin corta até 20% dos funcionários em meio a prejuízo e tarifa de Trump

Aston Martin corta até 20% dos funcionários em meio a prejuízo e tarifa de Trump

A Aston Martin vai cortar até um quinto de sua força de trabalho de cerca de 3 mil funcionários, à medida que as tarifas impostas pelo presidente dos EUA Donald Trump complicam o processo de reestruturação da montadora de carros de luxo.

A companhia britânica espera economias em torno de £ 40 milhões (R$ 278 milhões) com a redução de pessoal, com custos relacionados estimados em cerca de £ 15 milhões (R$ 104 milhões), afirmou nesta quarta-feira (25). Os novos cortes são mais profundos do que a rodada anterior, há um ano, quando a empresa pretendia eliminar 5% dos postos de trabalho.

A montadora, conhecida por sua ligação com o personagem James Bond, busca encerrar anos de prejuízos e reduzir sua elevada dívida. Porém, o esforço de reestruturação liderado pelo bilionário Lawrence Stroll — que resgatou a companhia em 2020 — foi prejudicado por atrasos em produtos, problemas de qualidade, tarifas mais altas nos EUA, seu maior mercado, além de uma desaceleração na China.

Viva do lucro de grandes empresas

Esses desafios contribuíram para três revisões negativas de lucro no último ano, a mais recente delas anunciada na sexta-feira. Em resposta, o CEO Adrian Hallmark tenta cortar custos.

“Eu não quero culpar Donald Trump por todos os nossos problemas, mas ele certamente foi uma grande parte do desafio que enfrentamos no ano passado”, disse Hallmark em entrevista, sem quantificar o impacto das tarifas. “Nós traçamos o plano de chegar ao ponto de equilíbrio em 2025 — e ficamos bem longe disso.”

As ações da Aston Martin chegaram a subir até 5% no início do pregão desta quarta-feira em Londres, mas reduziram os ganhos em seguida. O papel perdeu quase metade de seu valor no último ano.

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A empresa registrou um prejuízo de £ 493 milhões no ano passado e afirmou que espera apenas uma melhora no fluxo de caixa livre negativo, e não sua virada para o campo positivo, em 2026. Gerar fluxo de caixa livre positivo tem sido uma meta central para a companhia.

A receita caiu 21% no ano passado, para £ 1,26 bilhão. Segundo a empresa, as entregas em 2026 serão semelhantes às do ano passado, de 5.448 veículos.

A montadora projeta um desempenho financeiro melhor neste ano, com mais entregas do Valhalla, seu supercarro híbrido de maior preço, o que deve ajudar a elevar o tíquete médio de venda de seus modelos. Esse valor caiu 15%, para £ 209 mil, em 2025.

Desde a chegada de Stroll em 2020, a empresa precisou de sucessivas captações de capital para aliviar sua alavancagem. A Aston Martin encerrou o ano com dívida líquida de £ 1,38 bilhão e £ 250 milhões em caixa.

“É necessário um caminho claro para gerar caixa positivo de forma sustentável, a fim de eliminar o risco de uma nova emissão de ações”, disse Michael Dean, analista da Bloomberg Intelligence.

Levantar mais recursos neste ano “não é o plano”, afirmou o CFO Doug Lafferty. Segundo ele, ajuda nesse sentido o acordo de £ 50 milhões anunciado na sexta-feira para vender, até depois de 2055, os direitos de uso do nome Aston Martin à equipe de Fórmula 1 controlada separadamente por Stroll.

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© 2026 Bloomberg L.P.



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