São Paulo (SP) — A tecnologia deixou de ser acessório para se tornar parte estrutural dos eventos corporativos. Essa foi a principal mensagem do minilab “Insights tech na jornada do evento”, conduzido por Fabio Kontop, head de Tecnologia da DMC.ie, e com participações de Cyntia Veríssimo (analista de Eventos da Astrazeneca), Sandra Veloso (líder de Equipes em Vendas, Operações e Relações com Fornecedores da Aviapam) e Anay Gremaud (gerente Regional do Enjoy Punta del Este), durante o Lacte 21, promovido pela Alagev.
Logo no início, Kontop afirmou que o setor vive uma virada semelhante à provocada pela chegada da internet e do celular. Para ele, a inteligência artificial inaugura uma nova fase. “A tecnologia redefiniu as regras do jogo”, disse, ao explicar que agora estamos diante de uma “tecnologia de propósito geral”, capaz de atravessar todos os setores. “Ela quebra barreiras. O que antes era restrito a programadores ou especialistas hoje qualquer pessoa consegue fazer.”
Apesar do avanço acelerado, Kontop foi direto ao tranquilizar o público: “Ela não vai tomar o lugar de ninguém aqui. Mas você vai perder o seu emprego para quem sabe trabalhar com ela”. Segundo o executivo, o ganho de eficiência pode chegar a 20% ou 30% da rotina operacional, liberando tempo para criação, planejamento e estratégia.
O especialista defendeu que eventos precisam ser pensados em três etapas conectadas: pré, durante e pós. No planejamento, a tecnologia já permite personalização de convites, trilhas de conteúdo sob medida e comunicação direcionada por perfil. “Hoje você consegue mandar uma mensagem personalizada do CEO para cada participante”, exemplificou.
Durante o evento, entram experiências imersivas, credenciamento digital, reconhecimento facial, realidade aumentada e coleta de dados em tempo real. “Ninguém mais quer só participar. A pessoa quer ser inserida”, afirmou Kontop. Para ele, a tecnologia ajuda a transformar participantes em comunidade, aumentando engajamento e vínculo com a marca.
No pós-evento, entram relatórios automatizados, CRM, certificados digitais, análise de sentimento e ações de fidelização. “Os números contam história. Existe uma forma de contar história em números”, destacou. Segundo ele, não basta apresentar gráficos: é preciso conectar dados para entender comportamento, evolução de engajamento e impacto real.
Ao longo do minilab, Kontop reforçou que tecnologia sem propósito pode acelerar erros. “Não dá para usar tecnologia como ketchup, jogando em cima de tudo”, disse. “Se você estiver mirando errado, ela só vai fazer você chegar mais rápido ao erro.” Para ele, intenção e estratégia precisam vir antes das ferramentas.
Outro ponto central foi a importância da mensuração. “Se você não está medindo o seu evento, você está fazendo festa”, afirmou, citando uma provocação recorrente no mercado. Ele defendeu que decisões precisam ser baseadas em dados, não em percepção. “Não existe opinião contra dados. Mostra o dado.”
Encerrando, Kontop comparou o atual momento tecnológico a um carro de alta potência: sem combustível, não sai do lugar. “A gasolina é o dado. Mas ainda falta o principal: as pessoas. A tecnologia não substitui a emoção, ela potencializa.” Para ele, cabe aos profissionais do setor assumir o papel de pilotos, usando informação para entregar relatórios que contem a história do evento e sustentem decisões futuras.

