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“O mundo está indo mal”, diz Guilherme Dietze ao projetar 2026 no Lacte 21

“O mundo está indo mal”, diz Guilherme Dietze ao projetar 2026 no Lacte 21

São Paulo (SP) — Em um cenário marcado por instabilidade internacional, ano eleitoral e Copa do Mundo no horizonte, a economia deixa de ser tema abstrato para impactar diretamente decisões do dia a dia das empresas. Foi com essa premissa que Guilherme Dietze, presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, abriu sua palestra no Lacte 21, promovido pela Associação Latino Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas.

“Economia é o que vocês vivem, é ir ao supermercado, é comprar uma passagem aérea, é fazer uma alocação de veículo, é gastar num hotel”, afirmou. Para o economista, a leitura correta do cenário é fundamental, sobretudo para gestores de viagens corporativas, que podem tomar decisões equivocadas caso não compreendam os movimentos macroeconômicos.

Dietze destacou que momentos de conflito e instabilidade costumam levar investidores a buscar segurança. “Sempre quando tem conflitos, guerras ou qualquer tipo de instabilidade, as pessoas buscam segurança”, explicou. Historicamente, o dólar desempenhou esse papel. No entanto, segundo ele, essa dinâmica tem mudado.

O economista apresentou dados que indicam uma alteração na percepção global de segurança financeira. A cotação do ouro, que estava em torno de 2 mil dólares há dois anos, ultrapassou a marca de 5 mil dólares recentemente. Para ele, esse movimento demonstra que investidores internacionais estão deixando de recorrer ao dólar como principal porto seguro e migrando para ativos considerados mais estáveis, como metais preciosos.

Além disso, Dietze apontou o enfraquecimento da moeda americana frente a outras divisas globais. Ao comparar índices de um ano atrás com os atuais, ele observou queda no valor relativo do dólar frente a moedas como euro, iene e yuan. “O dólar perdeu valor de mercado ao longo do tempo”, disse, ressaltando que não se trata de variação pontual de um mês, mas de uma tendência.

Esse contexto impacta diretamente o Brasil. Segundo o economista, o real passou por valorização no período analisado, saindo de cerca de R$ 5,80 para aproximadamente R$ 5,20 em um ano. Para ele, isso não significa necessariamente que o Brasil esteja em trajetória extraordinária de crescimento, mas que o mundo enfrenta desempenho fraco em diversos continentes. “Não é que o Brasil seja a galinha dos ovos de ouro. É que o mundo está indo muito mal”, pontuou.

Dietze contextualizou que disputas eleitorais e tensões geopolíticas envolvem alocação de bilhões de dólares ao redor do mundo, afetando fluxos financeiros e decisões de investimento. Para o segmento de viagens corporativas, essas oscilações podem gerar efeitos positivos ou negativos, dependendo da exposição cambial das empresas e da origem dos serviços contratados.

Ao longo da apresentação, o economista reforçou a necessidade de acompanhar indicadores com visão estratégica. Criador de indicadores econômicos voltados ao turismo e parceiro da Alagev, ele destacou que o setor precisa interpretar corretamente os sinais do mercado para planejar 2026 com mais previsibilidade.

Para Dietze, compreender o ambiente macroeconômico é condição básica para decisões assertivas no setor de viagens corporativas. “Se a gente não faz a tradução correta, vocês podem tomar uma atitude difícil”, alertou, reforçando que economia, no fim das contas, é o cotidiano de cada empresa e profissional.



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