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A história sobre Segunda Guerra Mundial que poucos conhecem, agora, na Netflix!

A história sobre Segunda Guerra Mundial que poucos conhecem, agora, na Netflix!

“A Conexão Sueca” acompanha Gösta Engzell, vivido por Henrik Dorsin, um funcionário de baixa prioridade no Ministério das Relações Exteriores da Suécia durante a Segunda Guerra Mundial. Ele não é general, não é diplomata estrela, não ocupa cargo de destaque. É um burocrata que lida com papéis, listas e autorizações em um país que se declara neutro enquanto o continente arde. E é justamente desse lugar aparentemente pequeno que ele começa a empurrar limites, tentando ampliar a proteção a judeus e mulheres ameaçados pelo conflito. A direção de Thérèse Ahlbeck e Marcus Olsson mantém o foco nessa tensão silenciosa: até onde a neutralidade pode servir de escudo, e quando ela vira desculpa para não agir?

Gösta não faz discursos inflamados. Ele revisa documentos, reabre processos que poderiam ser simplesmente arquivados e insiste em interpretações mais generosas das regras. Cada assinatura dele carrega um peso real, porque pode significar a entrada de alguém no país ou a recusa definitiva. O filme mostra como essas decisões passam por reuniões tensas, olhares atravessados e advertências veladas. Há sempre o risco de que superiores considerem suas ações excessivas e resolvam enquadrá-lo. Ainda assim, ele avança um centímetro de cada vez, apostando que a letra fria da norma pode ser dobrada em favor de pessoas concretas.

Sissela Benn interpreta uma colega que acompanha de perto esse movimento. Ela organiza pedidos, controla prazos e alerta Gösta quando algo pode desandar. A relação entre os dois tem uma cumplicidade discreta, feita mais de troca de informações do que de grandes declarações. É ela quem muitas vezes lembra que o relógio corre e que qualquer erro pode colocar todos sob suspeita. Já o personagem de Jonas Karlsson representa o outro lado do corredor: a ala que cobra prudência, teme desgastes diplomáticos e insiste na manutenção da linha oficial. Nos encontros entre eles, o embate nunca explode, mas fica claro que cada concessão tem preço.

O que torna “A Conexão Sueca” interessante é justamente essa escolha de olhar para a guerra a partir de um gabinete. Não há batalhas em campo aberto, e sim discussões sobre vistos, relatórios e autorizações. Pode parecer pouco cinematográfico, mas a direção encontra tensão na rotina administrativa. Um documento que volta para revisão, uma assinatura que demora a sair, uma lista que precisa ser ajustada antes de seguir adiante: tudo isso ganha peso porque afeta vidas fora da tela. Sem transformar Gösta em mártir, o filme sugere que coragem também pode ser insistir quando o mais fácil seria arquivar e esquecer.

Henrik Dorsin entrega um protagonista contido, quase comum demais, o que funciona a favor da história. Ele interpreta Gösta como alguém que sabe que pode perder espaço dentro do ministério, mas decide pagar para ver até onde consegue ir. Não há romantização exagerada, e isso ajuda a manter a narrativa firme. Ao acompanhar seus embates internos e institucionais, o longa constrói a ideia de que decisões administrativas, quando tomadas com responsabilidade e risco pessoal, podem alterar o rumo de muita gente. Sem revelar seus desdobramentos finais, basta dizer que “A Conexão Sueca” faz do silêncio de um escritório um campo de batalha moral, e deixa claro que até um carimbo pode se tornar um ato de resistência.

Filme:
A Conexão Sueca

Diretor:

Thérèse Ahlbeck e Marcus Olsson

Ano:
2026

Gênero:
Biografia/Drama/Guerra/História

Avaliação:

9/10
1
1




★★★★★★★★★



Fonte

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