O Carnaval brasileiro já não movimenta apenas blocos, avenidas e hotéis lotados. Ele também alterou a rotina dos aeroportos e, principalmente, das salas VIP. Dados da Dragonpass mostram que o uso desses espaços cresceu 35,9% durante o Carnaval de 2025, na comparação com o ano anterior. Para 2026, a projeção é de manutenção dessa curva de crescimento, acompanhando o aumento do fluxo turístico e a forte ocupação hoteleira nas principais capitais.
O avanço não surge de forma isolada. Ele acompanha um cenário mais amplo de aquecimento do turismo nacional. Estimativas do Ministério do Turismo indicam que mais de 65 milhões de foliões devem circular pelo país durante o período, consolidando o Carnaval como um dos eventos mais relevantes para a economia do setor. A movimentação impacta diretamente transporte aéreo, hospedagem, gastronomia e serviços ligados ao lazer.
Nos aeroportos, os reflexos aparecem rapidamente. Terminais mais cheios, aumento do tempo de espera e maior volume de conexões fazem parte da rotina da temporada. Nesse contexto, cresce a busca por ambientes que ofereçam conforto e menos agitação. O acesso às salas VIP deixa de ser um detalhe e passa a integrar o planejamento de parte dos passageiros, principalmente em viagens com escalas ou horários de pico.
Alta ocupação pressiona aeroportos
No Rio de Janeiro, um dos principais polos da festa, o Sindicato dos Meios de Hospedagem do Município do Rio de Janeiro registra taxa média de ocupação em torno de 83,7%, com expectativa de crescimento nos dias que antecedem a programação oficial. Salvador mantém desempenho semelhante, reforçando a força do Nordeste no calendário carnavalesco e atraindo tanto turistas nacionais quanto estrangeiros.
Com hotéis operando próximos da capacidade máxima e companhias aéreas ampliando a oferta de voos extras, o ambiente aeroportuário se transforma. Mais passageiros significam mais bagagens, mais processos de segurança e maior tempo de permanência nas áreas de embarque. Para muitos viajantes, a sala VIP surge como alternativa para iniciar ou finalizar a viagem com maior tranquilidade.
“O Carnaval concentra um dos maiores picos de mobilidade do ano no país. O crescimento no uso de salas VIP mostra que o viajante brasileiro está cada vez mais atento à experiência completa da jornada, priorizando conforto e conveniência”, afirma Fabio Lacerda, da Dragonpass.
O cenário reforça uma mudança de comportamento. Viajar deixou de ser apenas deslocamento entre origem e destino. A experiência passa a ser construída desde a chegada ao aeroporto.
Novo comportamento de consumo e projeções para 2026
O aumento de 35,9% revela um passageiro mais atento aos detalhes da viagem. Alimentação diferenciada, espaços de descanso, ambientes silenciosos e serviços personalizados passam a ser valorizados, principalmente em períodos de alta demanda.
Outro fator que impulsiona esse crescimento é a ampliação do acesso por meio de cartões de crédito, programas de fidelidade e aplicativos especializados. O que antes era associado a um público restrito se popularizou e passou a fazer parte da rotina de um viajante mais informado e disposto a investir em conforto.
Além da forte demanda doméstica, o Carnaval segue atraindo visitantes internacionais. Dados do setor apontam presença relevante de turistas vindos dos Estados Unidos, Chile, Uruguai, Colômbia, Portugal, França, Alemanha e Reino Unido. O fluxo reforça o posicionamento do Brasil como destino global durante o período festivo e amplia a procura por serviços premium nos terminais.
Para 2026, a expectativa do setor é de continuidade nesse ritmo. A combinação entre alta ocupação hoteleira, malha aérea reforçada e interesse crescente de turistas estrangeiros cria um ambiente favorável à expansão dos serviços ligados à experiência aeroportuária.
Se nas ruas a festa continua sendo o principal símbolo do Carnaval, nos aeroportos o movimento mostra outra face desse fenômeno. A mobilidade intensa revela um turismo em expansão e um viajante cada vez mais exigente. Nesse cenário, as salas VIP se consolidam como termômetro de um setor que cresce em volume, diversifica serviços e passa a valorizar cada etapa da jornada de viagem.


