Atender clientes de alta renda (private) exige mais do que bons produtos ou serviços. Para Erich Shibata, diretor de branding e criação da Cimed, o segredo está em aliar consistência, escuta ativa e presença estratégica no digital.
Formado em Design de Produto pela Faculdade Belas Artes de São Paulo, Shibata acumulou experiência em design estratégico na Embraer (EMBR3) antes de assumir a liderança criativa da farmacêutica, onde transformou a marca com uma abordagem diferenciada e voltada ao público premium.
Descubra o novo modelo de remuneração para assessores XP
De acordo com o especialista em marketing de luxo, o digital se tornou um ponto fundamental para qualquer marca que queira dialogar com clientes exigentes. “O digital, para mim hoje, ele é ponto fundamental… é uma coisa barata, que está de graça, todo mundo tem acesso. Todo mundo consome o conteúdo que está lá, seja no Instagram, TikTok ou YouTube”, diz, lembrando que a Cimed mantém 80% do foco em mídias tradicionais, mas usa o digital como ferramenta de agregação.
Confira as dicas de Shibata para oferecer ao cliente private o que este perfil busca em relação a atendimento.
Consistência e construção de marca
Shibata explicou que os primeiros dois anos de sua trajetória na Cimed foram dedicados a organizar a marca, que havia crescido de forma rápida e desorganizada. “Nos primeiros dois anos, passamos estruturando a marca da Cimed para conseguir, com muita consistência, criar essa marca tão forte”, afirma. Ele ressaltou que, ao invés de seguir modelos tradicionais da indústria farmacêutica, a empresa adotou estratégias diferentes, com investimentos menores e ações mais ousadas.
Continua depois da publicidade
O executivo afirmou ainda que transformar os donos em embaixadores da marca foi um passo decisivo. “Primeiro veio o João Adibe, mostrando o lifestyle dele e incentivando o empreendedorismo. Depois veio Karla Marques, focada na geração Z e geração Alfa, com a marca e o produto Carmed. Esses dois pontos foram fundamentais: a construção da marca e a presença dos donos como embaixadores”, diz.
Leia também: Adibe defende chegada de Toguro na Cimed: “Não tem curso para aprender isso”
Ouça mais do que fale
Segundo Shibata, atender clientes exclusivos exige escuta ativa. Ele explicou que não se coloca como protagonista em todas as situações, mas observa e ouve atentamente o que os clientes têm a dizer. “Eu não sou estilo papagaio. Eu ouço muito mais do que eu falo. Quando eles me pedem para falar, eu falo. Tenho a minha opinião, mas estou mais para ouvir o que eles têm para falar e para dar palco aos meus clientes do que para ser o cara do palco”, afirmou.
Continua depois da publicidade
Essa postura, diz, é essencial para quem lida com público de alta renda, que valoriza atenção e personalização. Ele afirma que a discrição é uma característica fundamental nesse tipo de relacionamento. “Quem trabalha com o mercado de luxo tem que ter discrição com aquilo que ouve, com o que comenta com os amigos, e com quais informações vai divulgar de um cliente para outro”, explica.
Leia também: Ex-jogador vira assessor e quer levar planejamento financeiro para os gramados
Simplicidade e velocidade
O diretor de Branding da Cimed também destacou que a experiência para clientes de alto padrão deve ser clara e ágil. “O mercado de luxo funciona… tudo é muito fácil, muito ágil e veloz. As pessoas sabem que é difícil, mas eu não vendo a dificuldade, eu vendo a facilidade e a velocidade em executar tudo aquilo”, destaca. Ele ressalta que vender complexidade não é atraente; ao contrário, o cliente valoriza soluções que pareçam simples e eficientes.
Continua depois da publicidade
Leia também: Barsi Investimentos incorpora assessoria, supera R$ 2 bi de patrimônio e quer mais
Digital como diferencial
O executivo ressaltou que a presença digital não substitui ações tradicionais, mas complementa e fortalece a marca. “O digital veio para agregar. É barato, todo mundo pode criar conteúdo e todos consomem o que está lá”, aponta. Ele compara essa estratégia com o que observa em encontros de assessores financeiros: criar influenciadores internos e embaixadores da marca ajuda a reforçar o valor percebido pelo público e aumenta a performance em vendas.
Para Shibata, destacar-se no mundo digital exige criatividade e autenticidade. “Não dá para ter conteúdo chato, monótono, porque todo mundo faz. Você precisa descobrir qual é o seu diferencial e levar as coisas de forma mais alegre, misturada com lifestyle. Isso é o que vai fazer a diferença e o cliente perceber que você oferece algo único”, explica.
Continua depois da publicidade
Shibata afirmou que consistência, discrição e agilidade são os três pilares que guiam seu atendimento a clientes exclusivos. “Você precisa ser consistente com aquilo que faz, ter discrição no que comenta e entregar agilidade na execução. Isso faz diferença para que o cliente perceba valor sem precisar se preocupar com obstáculos internos da empresa”, frisa.

