Empresa converterá alguns Airbus A319 em aviões-tanque com capacidade mínima de 17.000 litros de retardante
A norte-americana Neptune Aviation Services anunciou a conversão do Airbus A319-100 em avião-tanque de nova geração para combate a incêndios florestais.
A empresa iniciará a substituição gradual de sua frota de jatos BAe 146 a partir deste ano, com previsão de emprego operacional do A319 na temporada de incêndios de 2027. O projeto prevê capacidade mínima de cerca de 17.000 litros, superando os pouco mais de 11.300 litros transportados atualmente pelo BAe 146.
Conversão estrutural e engenharia dedicada
A adaptação do Airbus A319 não se limita à reconfiguração externa. Segundo a Neptune, trata-se de uma conversão estrutural completa, conduzida em parceria com a Aerotec & Concept. A empresa disse que avaliou células candidatas por dois anos e realizou simulações de lançamento de retardante antes de selecionar o modelo.
O objetivo técnico é integrar um tanque com capacidade mínima de 17.000 litros, aproveitando o maior peso máximo de decolagem (MTOW) e o volume interno do avião da família A320. A aeronave também contará com capacidade adicional de combustível, permitindo alcance ampliado até áreas remotas mesmo com carga máxima de retardante.
Como aeronave equipada com sistema fly-by-wire, o Airbus A319 exige integração específica entre o sistema de lançamento de retardante e os controles de voo digitais, dentro dos parâmetros de certificação e segurança operacional.
Cronograma e certificação
A entrada do primeiro A319 convertido está prevista para este ano, com implantação progressiva até 2029. Cada unidade deverá cumprir os protocolos de avaliação interagências para aviões-tanque antes da aprovação plena para missões operacionais.
A Neptune projeta operar entre dez e quinte aeronaves convertidas. A companhia afirma que será a primeira a converter o Airbus A319 especificamente para missões de combate aéreo a incêndios.
Substituição do BAe 146
Atualmente, a Neptune opera jatos BAe 146 equipados com o sistema proprietário “active response tank system”. A substituição pelo Airbus A319 representa um incremento de 50% na capacidade, com preservação de velocidade e alcance típicos de jatos comerciais de médio porte.
A ampliação da carga útil pode reduzir o número de lançamentos necessários para estabelecer ou reforçar linhas de contenção, especialmente em cenários de incêndios florestais de grande escala.
Impacto internacional e escalabilidade
A conversão do Airbus A319 em avião-tanque amplia o leque de plataformas disponíveis para governos e contratantes internacionais. O uso de um jato comercial amplamente difundido permite acesso a uma cadeia global consolidada de peças, motores e técnicos da família Airbus A320.
A disponibilidade de aeronaves seminovas ou aposentadas do transporte regular de passageiros pode facilitar a expansão da capacidade global de combate aéreo a incêndios, em um contexto de temporadas mais longas e comportamento extremo do fogo em diferentes regiões.
A velocidade e o alcance do A319 também favorecem reposicionamento entre complexos de incêndio distantes ou deslocamentos internacionais conforme a alternância sazonal entre hemisférios.
Segundo a Neptune, o programa está sendo conduzido dentro dos caminhos regulatórios estabelecidos para avaliação de desempenho de sistemas de tanque e cobertura, produzindo dados que podem ser utilizados por outras jurisdições.

