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Suspense com Leonardo DiCaprio e Mark Ruffalo é obra-prima surpreendente e perturbadora na Netflix

Suspense com Leonardo DiCaprio e Mark Ruffalo é obra-prima surpreendente e perturbadora na Netflix

Em “Ilha do Medo”, o agente Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio), chega a Shutter Island ao lado do parceiro Chuck Aule, interpretado por Mark Ruffalo, para investigar o sumiço de uma paciente do Hospital Ashecliffe; o conflito é direto: encontrar Rachel Solando enquanto a própria instituição limita o acesso às informações que poderiam esclarecer o caso.

Teddy desembarca na ilha com postura firme e um objetivo claro. Ele quer examinar o quarto da paciente desaparecida, consultar prontuários e ouvir médicos e internos. O problema surge imediatamente: a direção do hospital controla cada porta, cada documento e cada conversa. O Dr. John Cawley, interpretado por Ben Kingsley, recebe os agentes com cordialidade calculada, mas impõe regras rígidas sobre o que pode ou não ser consultado. A investigação começa já cercada por limites práticos.

Ao solicitar acesso completo aos arquivos médicos, Teddy escuta justificativas técnicas e negativas formais. Ele tenta cruzar horários, diagnósticos e registros de segurança, mas recebe apenas parte do material. A instituição alega protocolos; ele enxerga resistência. Cada pedido recusado diminui sua margem de ação e o obriga a trabalhar com fragmentos.

Chuck observa e acompanha as entrevistas, funcionando como apoio e contraponto. A parceria tem momentos de leve ironia, pequenas trocas que aliviam a tensão, mas o ambiente nunca relaxa. Guardas circulam pelos corredores, interrompem diálogos e reforçam a sensação de que há sempre alguém controlando o que pode ser dito. O acesso à verdade passa a depender de autorização prévia.

Quando Teddy começa a questionar os métodos adotados em Ashecliffe, o clima muda. Ele insiste em entender que tipo de tratamento está sendo aplicado aos internos e se houve procedimentos além do aceitável. Cawley responde com explicações clínicas e defende a instituição. O embate deixa de ser apenas sobre uma paciente desaparecida e se torna uma disputa por autoridade.

Emily Mortimer surge associada à figura de Rachel Solando, ampliando o mistério em torno da identidade e das circunstâncias do desaparecimento. Teddy tenta organizar os relatos que escuta, mas encontra versões que não se encaixam com facilidade. Ele não diz abertamente, mas a desconfiança cresce a cada conversa interrompida ou cada resposta cuidadosamente ensaiada. O hospital mantém o controle do ritmo da investigação.

A situação se agrava quando um furacão atinge a ilha e corta a comunicação com o continente. Sem telefone ou rádio funcionando, Teddy perde a possibilidade de pedir reforço imediato. O isolamento deixa de ser apenas cenário e vira obstáculo concreto. Agora, qualquer decisão precisa ser tomada ali mesmo, sob supervisão dos próprios investigados.

Com a tempestade, a segurança interna se torna ainda mais rígida. Há relatos de internos fora das celas, corredores mais vazios e tensão crescente entre equipe e pacientes. Teddy e Chuck precisam recalcular cada movimento dentro do hospital. O risco aumenta, e a margem para erro diminui.

Scorsese conduz a narrativa com cortes que interrompem conversas no momento certo, mantendo informações fora de alcance por tempo suficiente para ampliar a dúvida. Não há exagero gratuito; o suspense nasce da combinação entre burocracia, isolamento e insistência pessoal. Cada tentativa de Teddy de avançar esbarra em novas camadas de controle institucional.

A força de “Ilha do Medo” está justamente nessa sensação de cerco gradual. Leonardo DiCaprio entrega um Teddy cada vez mais pressionado, enquanto Mark Ruffalo sustenta a parceria com equilíbrio e discrição. Ben Kingsley compõe um diretor que nunca perde a compostura, o que torna o confronto ainda mais tenso.

O filme constrói uma investigação em que portas fechadas falam tanto quanto depoimentos. Ao decidir continuar, mesmo com o furacão isolando a ilha e a direção médica impondo limites, Teddy assume um risco claro: permanecer num território onde quem guarda os arquivos também controla o tempo.

Filme:
Ilha do Medo

Diretor:

Martin Scorsese

Ano:
2010

Gênero:
Drama/Mistério/Suspense

Avaliação:

10/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

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