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Hotelaria circular ganha força com apoio da ONU Turismo

Hotelaria circular ganha força com apoio da ONU Turismo

A Iberostar Hotels & Resorts, a Circle Economy e a ONU Turismo lançaram o relatório Towards Circular Hospitality: Transforming the Tourism System, que analisa os desafios enfrentados pela hotelaria diante da crescente escassez de recursos naturais. O estudo propõe estratégias de economia circular capazes de ampliar a eficiência operacional, preservar a competitividade do setor e estimular práticas mais responsáveis ao longo da cadeia de valor do turismo.

O documento parte da premissa de que a transição para um modelo circular depende de colaboração intersetorial e parcerias público-privadas, além da criação de condições sistêmicas que permitam escalar essas iniciativas de forma consistente. Para isso, identifica cinco frentes prioritárias de atuação: compras, operações, ambiente construído, cultura empresarial e desenvolvimento de destinos circulares.

Segundo o relatório, os meios de hospedagem respondem por cerca de 260 milhões de toneladas de emissões de CO₂ por ano, volume próximo às emissões anuais de países como a França. Aproximadamente 70% desse impacto está relacionado à produção, transporte e descarte de bens e serviços utilizados pelos hotéis e consumidos pelos hóspedes, o que coloca as decisões de compra e operação como elementos-chave para transformar cadeias de suprimentos inteiras.

Nesse contexto, práticas como logística reversa, reparo e reutilização ganham relevância como alternativas ao descarte, contribuindo para a redução do impacto ambiental do setor e para o uso mais eficiente dos recursos.

Barreiras estruturais ainda limitam avanços

A pesquisa também mapeia obstáculos enfrentados pela hotelaria, tanto em nível operacional quanto sistêmico. Entre os principais entraves estão a falta de infraestrutura adequada de reciclagem em diversos destinos turísticos, o que limita o aproveitamento da separação de resíduos realizada pelos hotéis; barreiras comportamentais ligadas à necessidade de mudanças culturais frente às questões climáticas; e a ausência de uma visão compartilhada sobre circularidade, dificultando a adoção de soluções em escala além de iniciativas pontuais.

Experiência da Iberostar ilustra caminhos possíveis

Como estudo de caso, o relatório utiliza a trajetória da Iberostar, que opera mais de 100 hotéis em 14 países, para demonstrar como parte desses desafios pode ser enfrentada no dia a dia das operações. A estratégia da rede combina pessoas, dados e inovação, apoiada por equipes dedicadas aos 3Rs e por mais de 250 profissionais focados em separação, mensuração e análise de resíduos.

A empresa também adotou ferramentas de inteligência artificial nas cozinhas de mais de 60 hotéis para monitorar e reduzir o desperdício de alimentos, identificando pontos críticos e oportunidades de melhoria. Paralelamente, a circularidade passou a integrar decisões de compras, projetos arquitetônicos, experiências de hóspedes e colaboradores, além das rotinas operacionais.

Essas ações contribuíram para uma redução superior a 80% dos resíduos enviados a aterros desde 2021. Ainda assim, o estudo ressalta que avanços mais amplos dependem de infraestrutura local, políticas públicas e parcerias, já que a circularidade sistêmica não pode ser alcançada apenas por iniciativas isoladas.

Cinco áreas estratégicas para acelerar a transição

Com base em workshops e contribuições de diferentes atores do setor, o relatório aponta cinco oportunidades centrais para impulsionar a economia circular na hotelaria:

  • Compras circulares: engajamento de fornecedores para priorizar materiais duráveis, reutilizáveis ou biodegradáveis.

  • Operações circulares: envolvimento das equipes na gestão responsável de recursos e na otimização de cardápios.

  • Ambiente construído circular: desenvolvimento de edifícios eficientes, duráveis e de fácil desmontagem, com uso de materiais de origem biológica e energias renováveis.

  • Cultura empresarial e experiências circulares: capacitação de lideranças e colaboradores, além da conscientização de hóspedes.

  • Destinos circulares: cooperação com municípios, investimentos em restauração ambiental e apoio a iniciativas locais.

Gloria Fluxà, Vice-presidente & Chief Sustainability Officer do Grupo Iberostar, explica: “Há quatro anos iniciamos um projeto ambicioso para reduzir os resíduos enviados a aterros e introduzir a circularidade em nossas operações. Não se tratava de um projeto isolado, mas de uma mudança fundamental na forma de gerir o nosso negócio. Isso implicou alinhar prioridades estratégicas internas, metas comerciais e incentivos. Acreditamos que é assim que começa a mudança sistêmica: não com uma única grande decisão, mas com milhares de pequenas escolhas alinhadas na mesma direção. A transição para uma indústria hoteleira circular exigirá ir além dos esforços individuais e comprometer-se com ações colaborativas em diferentes frentes para implementar uma mudança sistêmica. Só então poderemos ampliar o impacto positivo e fortalecer a competitividade e o futuro do nosso setor.”

Sua Excelência, a Sra. Shaikha N. Alnuwais, Secretária-Geral de Turismo das Nações Unidas, destaca: “A indústria hoteleira desempenha um papel fundamental na cadeia de valor do turismo e influencia a forma como os destinos gerenciam recursos, reduzem resíduos, medem impacto, fortalecem economias locais e respondem às crescentes pressões climáticas, ambientais e da cadeia de suprimentos. Promover práticas circulares e regenerativas não é apenas uma prioridade ambiental, mas também um caminho estratégico para a resiliência, a ação climática, a competitividade e a criação de valor de longo prazo. Esperamos que este relatório inspire mudanças e forneça orientação útil a formuladores de políticas públicas, empresas e destinos para avançar rumo a um futuro do turismo mais circular e resiliente.”

Já Claudia Alessio, especialista em circularidade e autora pela Circular Economy, acrescenta: “A economia circular não é apenas uma necessidade ambiental, é um meio para um fim. Ela fortalece a resiliência dos negócios ao reconhecer que a indústria hoteleira depende de um capital natural e social saudável. É uma ferramenta poderosa para mitigação e adaptação às mudanças climáticas e apoia os destinos ao ajudá-los a operar dentro de sua capacidade de carga. O marco que apresentamos foi concebido para ser utilizado por toda a cadeia de valor, proporcionando ao setor uma direção comum para avançarmos juntos.”



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