O Carnaval se consolida como o principal teste operacional da hotelaria brasileira ao concentrar, em poucos dias, níveis máximos de ocupação, pressão sobre equipes e necessidade de decisões rápidas baseadas em dados, segundo análise de João Giaccomassi, diretor de produtos para Hotelaria da TOTVS.
Segundo ele, o período funciona como um laboratório em tempo real para avaliar eficiência, integração de sistemas e capacidade de manter a experiência do hóspede em um dos momentos mais intensos do calendário turístico nacional. O primeiro desafio enfrentado pelos hotéis é a gestão de uma demanda massiva e concentrada.
Em muitos destinos, a ocupação chega a 100%, exigindo controle rigoroso das reservas para evitar problemas como overbooking, filas na recepção e sobrecarga operacional. Sistemas de gestão hoteleira e ferramentas de distribuição passam a ter papel central ao garantir atualização da disponibilidade em tempo real em diferentes canais de venda.
Precificação no Carnaval

Além do volume de hóspedes, a definição de tarifas se torna um fator crítico durante o Carnaval. A adoção de preços estáticos pode comprometer o resultado financeiro em um período de alta procura. Ferramentas de gestão de receita permitem acompanhar o ritmo das reservas, o comportamento da concorrência e o histórico de demanda, viabilizando ajustes dinâmicos de preços com foco em maximizar o faturamento por quarto disponível.
Com as reservas confirmadas, a pressão se desloca para a operação interna dos hotéis. A interdependência entre áreas como recepção, governança e alimentos e bebidas exige coordenação contínua para evitar falhas no atendimento. A falta de integração entre sistemas pode gerar atrasos na liberação de quartos e impactar a experiência do hóspede em momentos de pico.
Quando as plataformas de reservas, governança e pontos de venda operam de forma integrada, processos tendem a ganhar fluidez. Check-in pode ser agilizado, equipes recebem informações automáticas sobre a rotina operacional e áreas como restaurantes conseguem antecipar a demanda, mesmo com o hotel em plena capacidade.
Segundo Giaccomassi, os investimentos realizados para enfrentar o pico do Carnaval têm efeito permanente sobre o desempenho dos empreendimentos. A eficiência operacional reduz custos, melhora avaliações dos clientes e amplia a possibilidade de fidelização ao longo do ano. Nesse cenário, a tecnologia deixa de ser um diferencial e passa a ocupar papel estrutural na competitividade da hotelaria brasileira.

