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CEO do Washington Post renuncia após demissão em massa de um terço da redação

CEO do Washington Post renuncia após demissão em massa de um terço da redação

O comando executivo do The Washington Post passou por uma mudança repentina neste sábado (7). Will Lewis, que atuava como CEO e editor, anunciou sua renúncia apenas três dias depois de o jornal confirmar o desligamento de um terço de seus funcionários.

A saída foi comunicada internamente por meio de uma mensagem curta, na qual Lewis afirmou que, após dois anos de transformações na empresa, “agora é o momento certo para eu me afastar”. Para o seu lugar, foi nomeado interinamente Jeff D’Onofrio, atual diretor financeiro da companhia.

O clima de tensão no jornal aumentou porque nem Lewis, nem o proprietário Jeff Bezos, estiveram presentes na reunião que oficializou as demissões na última quarta-feira (4). Os cortes atingiram áreas vitais: a editoria de esportes foi extinta, o departamento de fotografia acabou eliminado e as equipes que cobrem o exterior e a região metropolitana de Washington foram drasticamente reduzidas.

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Essa crise aprofunda a perda contínua de talentos e assinantes que o veículo enfrenta. O desgaste aumentou no fim de 2024, quando Bezos impediu o jornal de apoiar formalmente Kamala Harris na eleição presidencial, mudando também o perfil da seção de opinião para uma linha mais conservadora.

O primeiro editor do Post na gestão de Bezos, Martin Baron, criticou a postura do bilionário, descrevendo a situação como “um estudo de caso de destruição de marca quase instantânea e autoinfligida”.

A passagem de Lewis pelo jornal, iniciada em janeiro de 2024, foi marcada por conflitos desde o começo. Um dos episódios mais graves envolveu a desistência de seu indicado para a redação, Robert Winnett, após virem à tona suspeitas de práticas antiéticas quando ambos trabalhavam no Reino Unido. Além disso, Lewis enfrentava resistência interna por criticar abertamente a baixa audiência dos textos produzidos pelos repórteres.

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Despedida

Apesar dos atritos, Lewis utilizou sua despedida para elogiar o dono do jornal, segundo a apuração da Associated Press. De acordo com a agência, o e-mail dizia que “a instituição não poderia ter tido um dono melhor”.

Além disso, ele defendeu que as medidas tomadas sob sua gestão, embora amargas, visavam a longevidade do negócio: “durante meu mandato, decisões difíceis foram tomadas para garantir o futuro sustentável do Post, para que ele possa, por muitos anos, publicar jornalismo de alta qualidade e apartidário para milhões de leitores todos os dias”.

Para o sindicato que representa os jornalistas, o Washington Post Guild, a saída de Lewis foi um alívio necessário. Em nota, o grupo afirmou que “seu legado será a tentativa de destruição de uma grande instituição do jornalismo americano”. O sindicato agora cobra que Bezos suspenda as demissões ou venda o jornal para alguém que queira investir no projeto.

Próximos passos

Em comunicado, Jeff Bezos ignorou o nome de Lewis em seu pronunciamento, preferindo focar na nova equipe para conduzir o Post a “um próximo capítulo empolgante e próspero”.

Segundo o bilionário, “o Post tem uma missão jornalística essencial e uma oportunidade extraordinária”, acrescentando que “todos os dias nossos leitores nos dão um roteiro para o sucesso. Os dados nos dizem o que é valioso e onde focar”.

Jeff D’Onofrio assume a liderança tentando acalmar os ânimos. Ele reconheceu que a organização está “encerrando uma semana difícil de mudanças com mais mudanças” e admitiu que “este é um momento desafiador para todas as organizações de mídia, e o Post infelizmente não é exceção”.

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O novo comandante interino relembrou sua trajetória em outras gigantes do mercado para passar confiança à equipe: “tive o privilégio de ajudar a traçar o rumo tanto de empresas disruptivas quanto de instituições culturais tradicionais. Todas enfrentaram ventos econômicos contrários em setores em transformação, e estivemos à altura desses momentos. Não tenho dúvida de que faremos o mesmo, juntos.”



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