Nordeste Magazine
Cultura

A comédia romântica da Netflix que salva um domingo ruim em 90 minutos

A comédia romântica da Netflix que salva um domingo ruim em 90 minutos

“Homens ao Mar”, comédia romântica de 2018 dirigida por Rob Greenberg, começa com Kate contando tempo e dinheiro para sustentar três crianças. A demissão injusta entra cedo, e a perda do emprego põe o dia sob relógio, com a obrigação de fechar tudo antes da noite. O roteiro encosta a protagonista em decisões práticas, como engolir humilhação ou cortar caminho, porque a rotina não para e a conta volta no dia seguinte.

Leonardo aparece no polo oposto, um milionário que fala de cima e encerra conversa quando quer. A amnésia chega depois de um acidente e troca as posições sem aviso, obrigando-o a aceitar explicações que não controla. O roteiro volta a objetos e lugares como iate e hospital para deixar claro onde a virada se apoia, em que cama ele acorda e quem assume a primeira fala. Daí em diante, um recado fora de hora já atrasa o plano e empurra a história para mais uma hora perdida.

Relógio correndo e conta aberta

Kate decide usar a falta de memória e inventa um casamento para manter Leonardo preso numa rotina de trabalho. Anna Faris conduz essa virada sem discurso longo, com pressa de quem precisa resolver a semana e não tem folga para perder outro emprego. O filme volta ao pagamento e à reparação com ações diretas, como exigir tarefa, repetir regra e cortar a conversa quando o outro tenta escapar. Manter a farsa exige energia por dias seguidos, e qualquer distração encurta a noite.

Com Leonardo preso ao que contam para ele, Eugenio Derbez troca o conforto pela repetição de serviço e pelo constrangimento de não saber o básico. A comédia insiste no tempo gasto para aprender o que antes era terceirizado, com ordens que ele precisa cumprir e com a irritação de ser tratado como empregado. Mesmo quando a cena fica no hospital ou na rua, alguém decide por ele, ele reage, e o dia termina com atraso. A amnésia vira gasto de tempo, não mistério.

A casa onde Kate vive com as crianças vira centro de controle da mentira, com a porta abrindo e fechando conforme o risco de ser desmascarada. Ela precisa coordenar horários, ajustar a história e impedir que Leonardo fuja do combinado, porque um deslize rende outra noite curta. O filme insiste em tarefas domésticas e trabalho manual para pôr o milionário em movimento, e a repetição cobra fôlego dos dois lados. Nesse vai e vem, o romance entra pela convivência prolongada, sem exigir declaração.

Porta da casa abre e fecha

As crianças funcionam como teste permanente do plano, porque exigem presença e atenção que não cabem num arranjo improvisado. Kate toma decisões rápidas, interrompe conversa e muda a orientação quando percebe que o dia não fecha, e isso vira problema de horário, sono e coordenação. Ao mesmo tempo, Leonardo tenta se adaptar sem memória e sem o antigo privilégio, e o trabalho vira a única regra clara para continuar ali. A comédia volta ao mesmo tipo de cobrança, e o corpo entrega o cansaço ao longo das semanas.

Greenberg encurta explicação e joga os personagens de uma tarefa para outra, como se o roteiro estivesse sempre tentando cumprir uma lista. Quando a cena demora, costuma ser para registrar a repetição do serviço e a frustração de quem não aprende de primeira. O filme também alterna inglês e espanhol em momentos de conversa, o que pede legenda para parte do público e muda a forma de acompanhar as falas em casa. A comunicação vira mais uma etapa a cumprir, com atenção gasta para não perder a informação.

Como refilmagem de “Um Salto para a Felicidade” (1987, dirigido por Garry Marshall), a trama repete o jogo de troca de ordem na forma de tarefas e combinados. A vingança passa pelo trabalho e pela manutenção diária do acordo, e não por um golpe único que resolva tudo. A história depende de Kate sustentar a mentira no detalhe, repetindo a versão e controlando acesso, porque o retorno da memória encerraria o arranjo em minutos. A cada dia, a comédia volta ao mesmo ponto e pede mais tempo para segurar.

Na reta final, “Homens ao Mar” mantém o humor no tamanho do esforço para segurar o combinado, com Kate tentando fechar o dia sem perder o controle da rotina das crianças. Leonardo segue empurrado para o trabalho e para regras alheias, e as cenas apertam quando ele tenta recuperar a antiga posição sem ter como. A história termina no mesmo jogo de entrada e saída, na porta da casa, com mais tempo gasto em espera.

Filme:
Homens ao Mar

Diretor:

Rob Greenberg

Ano:
2018

Gênero:
Comédia/Romance

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Veja também

As pessoas e os remédios

Redação

“Acho que não estamos mais em Kansas, Dorothy”: aventura que resgata clássico dos anos 90 está na Netflix

Redação

Se você ama sorrir e sonhar acordado, comédia que une química incomparável de Kurt Russell e Goldie Hawn chega à Netflix

Redação

Leave a Comment

* By using this form you agree with the storage and handling of your data by this website.