A XP Investimentos elevou a sua projeção de cenário-base para o Ibovespa ao fim do ano de 185 mil para 190 mil pontos após um janeiro de forte alta para o benchmark da Bolsa, conforme destacou em relatório.
Os estrategistas da XP ressaltam que, em janeiro, o Brasil emergiu como um dos principais beneficiários da rotação global para fora dos ativos dos EUA, com o Ibovespa registrando um rali histórico (+12,6% em reais no mês / +17,4% em dólares), em comparação com o MSCI Emergentes (+8,8%) e o MSCI ACWI (+2,9%).
As ações brasileiras seguem, por ora, 100% ancoradas em fluxos estrangeiros, que atingiram R$ 23,1 bilhões em janeiro — quase a totalidade do fluxo líquido registrado ao longo de 2025.
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E o otimismo continua. Em reuniões com investidores na Europa, os estrategistas da XP destacaram seguir observando um sentimento construtivo em relação a mercados emergentes e ao Brasil.
O Brasil permanece sendo uma história totalmente guiada por fluxos estrangeiros, já que investidores institucionais locais e pessoas físicas seguem, em geral, como vendedores líquidos, enquanto os fluxos estrangeiros atingiram um recorde em janeiro.
O otimismo é renovado com o Brasil, sustentado pela expectativa de um ciclo iminente de afrouxamento monetário e por valuations ainda atrativos em relação a outros mercados emergentes e globais. As eleições presidenciais de 2026 seguem no radar, mas, de forma geral, percebem investidores estrangeiros mais tranquilos e menos preocupados do que os investidores locais.
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“O mercado acionário brasileiro tornou-se significativamente menor nos últimos anos, aumentando sua sensibilidade a fluxos marginais. O volume médio diário negociado recuou cerca de 30% desde 2021, enquanto o número de empresas listadas caiu em 39 no mesmo período. Além disso, o mercado passou quatro anos sem IPOs de empresas brasileiras, cenário que começa a mudar recentemente, com uma nova listagem no Nasdaq”, avalia a equipe de estratégia.
Após o forte rali, a XP realizou uma análise aprofundada de valuation sob três óticas: (i) Brasil versus outros mercados emergentes e globais, onde o mercado brasileiro ainda parece barato; (i) valuation em relação à própria história, com múltiplos retornando à média histórica, em torno de 11 vezes o P/L (preço sobre lucro) projetado; e (iii) valuation em relação aos juros reais, o que aponta para um ERP (prêmio de risco de ações) mais comprimido, dado que os juros reais permanecem elevados.
Além de atualizar o valor justo para o Ibovespa no final de 2026 para 190 mil pontos (de 185 mil anteriormente), e destaca o potencial de alta no cenário otimista, de 235 mil pontos, condicionado a uma nova expansão de múltiplos, queda das taxas reais de longo prazo e surpresas positivas de lucros.
No cenário otimista, assume lucros/Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) 10% maiores do que o cenário base, os juros reais em 5,5%, e uma expansão de múltiplos para 13 vezes o P/L projetado e 6,5x EV (valor da Firma)/Ebitda. Assim, vê um valor justo de 235 mil pontos (potencial de alta de 30%).
No cenário pessimista, assume que os lucros/Ebitda serão 10% menores, os juros reais aumentarão para 8,5%, e os múltiplos irão comprimir para suas mínimas. Nesse caso, vê um valor justo de 144 mil pontos (potencial de queda de 20%).

