Entre as diversas abordagens adotadas por traders profissionais, a leitura da abertura ocupa um lugar central no método de Maria Silveira.
Para ela, os primeiros minutos do pregão revelam desequilíbrios, intenções e movimentações institucionais capazes de definir todo o comportamento do dia. Essa visão reúne VWAP, liquidez, mínima e máxima do dia anterior, além do entendimento de gaps como áreas de força.
Ao participar do episódio 12 da 3ª temporada do programa A Arte do Trade, no canal GainCast, Silveira destacou por que a abertura se tornou um dos momentos mais estratégicos de sua leitura. “A abertura te mostra tudo que o preço quer fazer”, afirma.
VWAP como eixo de equilíbrio
A VWAP – média ponderada por volume – é para Silveira o ponto central da precificação institucional. Embora muitos traders usem a VWAP apenas como referência visual, ela a considera uma linha de valor real, isto é, o patamar onde compradores e vendedores encontram consenso sobre preço justo.
Quando o preço abre distante da VWAP, surge um desequilíbrio que tende a ser corrigido. Quando abre próximo, indica consenso e maior probabilidade de consolidação. “A VWAP é equilíbrio. Quando o preço está longe dela, ele tende a buscar esse equilíbrio”, explica.
Além da VWAP do dia corrente, Silveira analisa a VWAP do dia anterior, tratada por ela como uma âncora institucional. Sua lógica é simples: se players atuaram fortemente em determinada faixa no pregão anterior, é natural que aquela área continue tendo relevância.
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Portanto, para ela, reaproximações ou afastamentos bruscos dessa linha criam oportunidades claras para avaliar intenção e força. “O preço respeita muito a VWAP anterior. Ela mostra de onde o mercado veio e para onde pode voltar”, observa.
A importância da mínima e máxima do dia anterior
Para organizar a leitura da abertura, Silveira considera que a mínima e a máxima do dia anterior formam zonas de liquidez. Acima da máxima, estão os stops de vendidos. Abaixo da mínima, os stops de comprados. Isso cria acúmulos naturais de ordens.
Dessa forma, quando o preço se aproxima desses pontos na abertura, a probabilidade de volatilidade intensa aumenta. Por isso, a primeira pergunta que ela faz ao abrir o gráfico é: “Tem liquidez acima ou abaixo que o mercado pode buscar?”, questiona.
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Essa simples leitura antecipa movimentos que, para muitos traders, parecem aleatórios. Ao contrário, para Silveira, são apenas capturas de liquidez executadas de forma rápida. “O dinheiro está nos fundos e nos topos. O mercado busca liquidez antes de tomar uma decisão”, afirma.
Gaps como áreas de desequilíbrio
Além disso, outro elemento essencial na leitura da abertura é o gap. Para Silveira, gaps não são apenas buracos no gráfico, mas rastros de desequilíbrio institucional criados quando o preço salta de uma área a outra sem transacionar. Esses “buracos” mostram urgência por parte dos players.
Quando há gap de alta, é sinal de agressão compradora. Quando há gap de baixa, sinal de agressão vendedora. Entretanto, mais importante do que a direção, é identificar se o preço tende a fechar o gap ou a trabalhar longe dele. Se o gap fecha rapidamente, é sinal de rejeição daquele desequilíbrio. Se o gap não fecha, é sinal de força na direção do salto. “Gap é desequilíbrio. Ele mostra pressa do mercado”, conclui.
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Abertura alinhada ao contexto
Para Silveira, a abertura não pode ser analisada isoladamente. Ela sempre precisa estar conectada ao contexto maior: tendência do dia anterior, movimentação do pós-mercado e estrutura macro.
Assim, antes de decidir qualquer entrada, ela busca entender se a abertura está rompendo a máxima anterior, rompendo a mínima anterior, rejeitando valores da VWAP anterior, respeitando liquidez acumulada ou trabalhando dentro ou fora de gap. Esse cruzamento de informações cria a base para decisões de maior probabilidade.
Execução prática no mini-índice
Na prática, no mini-índice, a trader aplica esse modelo para identificar regiões onde o preço provavelmente buscará liquidez antes de definir direção. Se, por exemplo, o preço abre acima da máxima do dia anterior e rapidamente perde força, ela interpreta isso como captura de liquidez e possível reversão. Se abre abaixo e rejeita, o raciocínio é o mesmo, só que invertido.
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Suas entradas acontecem apenas após o preço mostrar intenção. Ela ignora a primeira movimentação da abertura e espera que o mercado revele: captura de liquidez, rejeição ou aceitação da VWAP, formação de estrutura (topos e fundos) ou quebra estrutural real (corpo de vela, não pavio).
Quando a abertura dá a direção do dia
Segundo Silveira, há dias em que a abertura define claramente a tendência. Quando o preço abre rompendo uma região de liquidez, respeita a VWAP e segue com força sem testar níveis anteriores, é sinal de que o fluxo institucional já está estabelecido. Nessas situações, ela orienta o trader a buscar operações de continuidade em regiões de reteste.
Por outro lado, quando a abertura é confusa — com muitos pavios, indecisão e retornos rápidos — o cenário exige cautela. Para ela, dias assim pedem leitura mais fina e paciência. “A abertura te mostra o que o preço quer fazer. Mas você precisa esperar ele te mostrar”, afirma.
Síntese da leitura de abertura
O modelo de Maria Silveira pode ser resumido em cinco pilares: VWAP diária como equilíbrio, VWAP anterior como memória institucional, mínima e máxima do dia anterior como liquidez, gaps como áreas de desequilíbrio, confirmação estrutural antes de entrar.
Dessa maneira, essa abordagem transforma a abertura — normalmente caótica para iniciantes — em uma janela clara de leitura institucional e oportunidade.
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