RIO DE JANEIRO – Após episódio recente registrado no Pico do Paraná, que mobilizou equipes de resgate e ganhou repercussão nacional, os riscos do turismo de aventura quando praticado sem preparo, e a discussão sobre segurança em trilhas ganhou força na internet e entre profissionais do setor e viajantes. No cenário internacional, a morte da brasileira Juliana Marins, em 2025, durante uma atividade turística na Indonésia, também trouxe o tema à tona, especialmente em locais remotos, onde o socorro pode ser mais demorado. Casos de desaparecimento, resgates complexos e mobilização de equipes especializadas reforçam a necessidade de informação, planejamento e responsabilidade antes de entrar em ambientes naturais.
Diante desse cenário, a Mercado & Eventos conversou com Igor Couto, do Trilhas Sempre, guarda-parque, guia credenciado pelo Cadastur e chefe da Brigada do ICMBio, que compartilhou orientações para quem está dando os primeiros passos no segmento de aventura. As dicas abordam desde a diferença entre passeio, trilha e travessia até cuidados básicos, equipamentos essenciais e regras de conduta que ajudam a reduzir riscos e a tornar a experiência mais segura em unidades de conservação e áreas naturais pelo Brasil. Porém, antes de colocar a mochila nas costas e sair para a aventura, é importante compreender a diferença entre passeio, trilha e travessia.
Diferenças entre passeio, trilha e travessia

Passeio: é uma atividade acessível, sem exigências físicas relevantes “qualquer pessoa pode participar”, de acordo com Igor.
Trilha demanda preparo mínimo e pré-requisitos, como condicionamento físico, geralmente para caminhadas a partir de três quilômetros. Costumam ser realizadas em áreas naturais com terreno irregular e possíveis obstáculos, como pedras, raízes e variações do solo. “Você estará em ambiente de natureza selvagem e pode ter possíveis encontros com animais silvestres, inclusive peçonhentos”, destaca o guia.
Travessia: Diferente da trilha, que começa e termina no mesmo ponto, a travessia conecta dois lugares distintos. Ela costuma ter maior duração, pode incluir pernoite e exige experiência prévia, preparo físico e equipamentos básicos de segurança.
Para quem pretende começar no mundo das trilhas e se conectar com a natureza de forma segura, alguns cuidados são considerados essenciais. Igor relembra que os parques e unidades de conservação no Brasil trabalham com a padronização feita pelo ICMBio. “Através da Rede Brasileiras de trilhas são indicadas por pegadas pretas e amarelas, que facilitam a orientação dos visitantes em todas as esferas (municipal, estadual e federal).”
Antes de partir para a aventura, lembre desta checklist:

- Calçado adequado: fechado e confortável, para proteger os pés;
- Água e lanche extra: leve o suficiente para você e mais uma pessoa, pensando em emergências;
- Celular carregado: de preferência com o mapa da trilha baixado em um aplicativo;
- Lanterna (leve duas): caso uma falhe, você terá reserva;
- Agasalho: o clima pode mudar rapidamente;
- Kit de primeiros socorros: nunca subestime pequenos acidentes;
- Companhia: evite iniciar trilhas sozinho;
- Aviso prévio: informe alguém sobre onde você vai e a hora prevista de retorno;
- Informações da trilha: saiba a quilometragem, altitude e nível de dificuldade antes de começar;
- Previsão do tempo: sempre confira antes de sair. Evite trilhas em dias de chuva forte, pois aumentam os riscos de escorregões, enchentes e quedas de galhos;
- Leia as placas: No início das trilhas, há algumas com informações detalhadas, como quilometragem, nível de dificuldade, tempo estimado de percurso, altitude, exposição ao sol e outros dados importante, como as regras básicas para aquela trilha.
Além dos equipamentos e cuidados, algumas regras de conduta são essenciais para garantir segurança e o mínimo impacto na natureza:

- Informe-se antes: pesquise sobre a trilha que vai fazer, conheça o percurso e suas exigências;
- Guia ou condutor local: se não tiver experiência, contrate um profissional para acompanhar;
- Responsabilidade pelo grupo: se você convidar alguém para trilhar com você, lembre-se de que é responsável pela segurança dessa pessoa ou grupo;
- Nunca se separem: o grupo deve permanecer unido durante todo o percurso;
- Não saia da trilha: evite atalhos ou desvios. Além de aumentar os riscos de acidente, isso pode causar impactos negativos ao meio ambiente;
- Vestimenta adequada: esteja preparado com roupas e acessórios próprios para ambientes naturais e selvagens.
A prática do turismo de aventura exige mais do que disposição física e interesse pela natureza. Informação, planejamento e respeito às regras são fatores determinantes para evitar acidentes e reduzir a necessidade de resgates complexos. Ao compreender os limites de cada atividade, seguir a sinalização oficial e adotar condutas responsáveis, o visitante contribui para sua própria segurança, para a proteção do meio ambiente e para o uso sustentável das trilhas em todo o país.
Seguindo essas dicas e regras, você estará preparado para fazer sua trilha com muito mais segurança e tranquilidade. Em caso de dúvidas ou necessidade de consultoria no mundo do ecoturismo, procure profissionais da área, como a equipe do Trilhas Sempre, para ter a melhor experiência de natureza sempre com responsabilidade e segurança.

