Nordeste Magazine
Cultura

Finn Wolfhard estreia na direção com slasher juvenil que tenta rir dos próprios clichês, no Prime Video

Finn Wolfhard estreia na direção com slasher juvenil que tenta rir dos próprios clichês, no Prime Video

Você provavelmente conhece o ator Finn Wolfhard de “Stranger Things“ e da franquia “It — A Coisa“, mas talvez não imagine que Mike, o garoto que combateu Vecna ao lado de Eleven e outros amigos, também é diretor de cinema. Em 2023, ele decidiu se arriscar atrás das câmeras após conhecer, nos sets de gravação de “Ghostbusters: Mais Além“, outro jovem ator, Billy Bryk. A afinidade criativa entre os dois levou à escrita do roteiro de “Um Verão Infernal“, slasher ambientado em um acampamento de verão. A dupla, além de escrever e dirigir, também integra o elenco, ao lado de outros jovens nomes do cinema, como Fred Hechinger, o promissor D’Pharaoh Woon-A-Tai, Rosebud Baker e outros.

Inspirado nos slashers típicos dos anos 1990 e também em produções que combinam violência e humor, como “Todo Mundo Quase Morto“, o longa-metragem se propõe a homenagear os clássicos enquanto satiriza seus clichês mais conhecidos. Por trás da carnificina, o filme tenta discutir medos e inseguranças comuns da juventude contemporânea, como relacionamentos amorosos, a necessidade constante de aceitação, bullying e o desconforto diante das responsabilidades da vida adulta e da construção de uma carreira.

No enredo, Jason (Hechinger) é monitor do acampamento infantil Pineway. Com 24 anos, ele é mais velho do que o restante do grupo de monitores e, por isso, passa a ser visto como um fracassado, alvo constante de rejeição e desprezo. A história se passa dois dias antes da chegada das crianças, acompanhando apenas um pequeno grupo de monitores jovens adultos, isolados em meio à floresta. Jason não está apenas estagnado, repetindo há anos a mesma rotina nas férias: ele também é emocionalmente infantilizado, ingênuo e deslocado, alguém que se recusa, ou não consegue, aceitar o peso de crescer. Essa insegurança diante da vida adulta dá o tom do humor do filme.

Enquanto o restante do grupo rejeita Jason, Claire (Abby Quinn) é a única que o observa com alguma empatia. Bob (Billy Bryk) atua como uma espécie de puxa-saco de Chris (Finn Wolfhard), um riquinho que se torna monitor apenas para paquerar garotas. Mike (D’Pharaoh Woon-A-Tai) é o jovem popular e sedutor, envolvido romanticamente com Demi (Pardis Saremi), uma influencer arrogante e autocentrada. Miley (Julia Doyle), vegana convicta, desperta o interesse romântico de Bob; Shannon (Krista Nazaire) se envolve com Chris; Noelle (Julia Lalonde) se define como uma bruxa com supostos poderes paranormais; e Ezra (Matthew Finlan) é um aspirante a ator petulante, que parece sentir prazer em humilhar Jason sempre que possível.

Quando uma série de mortes começa a acontecer entre os monitores, o grupo rapidamente se une para acusar Jason, visto como “o esquisitão“ e o elo fraco daquela convivência forçada. O assassino, sempre mascarado e irreconhecível, transforma o acampamento, localizado a quilômetros da rodovia, cercado por floresta, em um espaço de paranoia coletiva. Isolados e sem qualquer meio de pedir ajuda, os jovens passam a canalizar seus medos e frustrações em um impulso quase tribal, perseguindo Jason e tentando linchá-lo sem provas concretas de sua culpa.

“Um Verão Infernal“ busca acertar o timing do humor e se sustentar no carisma do elenco, além de criar suspense em torno da identidade do assassino. No entanto, o filme não aprofunda seus personagens, fazendo com que o humor se perca na futilidade e na repetição de arquétipos. Embora tenha custado cerca de 3 milhões de dólares, o longa frequentemente soa como uma experiência caseira, mais próxima de um exercício de estilo do que de uma produção bem-resolvida. A fotografia, que poderia ser um diferencial, algo típico de produções independentes, se mantém funcional e presa a enquadramentos previsíveis, sem personalidade e visual marcante. As atuações acabam limitadas por personagens rasos, e a direção não oferece espaço para que cresçam além do estereótipo. O roteiro é enxuto, o que ao menos evita que o espectador fique refém por muito tempo de um filme que será rapidamente esquecido.

Filme:
Um Verão Infernal

Diretor:

Billy Bryk e Finn Wolfhard

Ano:
2023

Gênero:
Comédia/Crime/Mistério/Terror

Avaliação:

7/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Veja também

Perfeito para um dia chuvoso: romance com Amanda Seyfried no Prime Video que você vai querer ver abraçadinho com seu amor

Redação

No Prime Video: uma cidade costeira, um romance antigo e um criminoso poderoso de volta — suspense que vicia

Redação

O thriller do Prime Video que vira um jogo de chantagem em Washington

Redação

Leave a Comment

* By using this form you agree with the storage and handling of your data by this website.