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Por que essa biografia “cult” voltou a bombar no Prime Video?

Por que essa biografia “cult” voltou a bombar no Prime Video?

Louis William Wain (1860-1939) foi um artista genial e um homem tomado por dores. A rara sensibilidade de Wain permitiu-lhe enxergar no tédio da rotina um aspecto completamente novo, que transpôs para cerca de duzentos mil desenhos e pinturas, grande parte deles retratando uma figura autocentrada e esnobe, pela qual fomos criando um apego incomum, mas benéfico, curativo até. Para ele, gatos têm uma energia própria, e isso não é uma metáfora metafísica. Segundo Wain, o pelo dos felinos teria o condão de gerar eletricidade estática, aproveitada de tal maneira que foram tornando-se capazes de inventar uma linguagem só sua para falar conosco. Devaneios assim compõem “A Vida Eletrizante de Louis Wain”, um filme lindo — além de doido demais.

O fascínio de Wain pelos bichanos começa depois de um episódio peculiar, como esclarecem Will Sharpe e o corroteirista Simon Stephenson, encadeando fatos e sequências de imagens do protagonista lutando pela sobrevivência na Inglaterra vitoriana, pleiteando uma vaga de chargista em pasquins de fundo de quintal, até passar ele mesmo a conviver com Peter, um gato voluntarioso e bom ouvinte, por influência de Emily Richardson, a ex-preceptora de suas cinco irmãs “famintas e precoces”, com quem se casa. A narração de Olivia Colman alcança essas duas faces de Wain, a do artista inabalavelmente convicto de seu dom, e a do sujeito desditoso, que vê-se obrigado a aceitar encomendas irrelevantes para garantir o sustento de uma mãe boêmia e o quinteto de parasitas que escarnecem dele. Caroline, a mais velha, foi a grande pedra em sua caminhada, desgastando-o até fosse internado num hospício. Mas não a única.

Uma das melhores atrizes de sua geração, Andrea Riseborough fica especialmente bem no papel da megera ressentida e cheia de mágoas a disparar, como volta a demonstrar no excelente “Adeus, June” (2025), o debute de Kate Winslet como diretora e, de novo, rouba a cena nos enfrentamentos retóricos com Wain, na prática empurrando-o para a debacle mental e assemelhando-se muito a Elisabeth, a irmã de Nietzsche. Riseborough estabiliza o vaivém narrativo, galvanizando as performances de Benedict Cumberbatch e Claire Foy numa história tão repleta de minudências extravagantes que só poderia mesmo ser biográfica.

Filme:
A Vida Eletrizante de Louis Wain

Diretor:

Will Sharpe

Ano:
2021

Gênero:
Biografia/Comédia/Drama

Avaliação:

9/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

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