O mais recente Boletim Braztoa 2025/2026, conduzido pela SPRINT Dados, apresenta uma análise inicial sobre o desempenho das operadoras em 2025 e as perspectivas para o próximo ano. Os resultados revelam um setor que combina crescimento consistente com desafios estruturais relevantes.
A percepção geral sobre o ano é positiva, ainda que sob influência direta de pressões econômicas e regulatórias. A grande maioria das operadoras registrou embarques iguais ou superiores aos de 2024. Do total:
- 58,6% apontaram crescimento moderado, de até 25% acima do ano anterior
- 34,5% relataram expansão entre 26% e 50%
- 6,9% indicaram queda significativa
Na prática, 93% das operadoras cresceram, evidenciando um cenário de estabilidade, expansão e maturidade do setor.
A avaliação geral das vendas em 2025 acompanha esse movimento:
- 68,9% das operadoras consideram o ano “bom”
- 20,7% o classificam como “excelente/ótimo”
- 6,9% consideram o desempenho “regular”
- 3,4% o avaliam como “ruim”.
Com mais de 89% de avaliações positivas, o mercado demonstra resiliência e demanda sólida, mesmo diante de um ambiente macroeconômico adverso.
Desafios do período
Apesar do bom desempenho, os operadores apontam que 2025 foi marcado por desafios expressivos. O levantamento mostra que as principais dificuldades enfrentadas ao longo do ano estiveram mais ligadas a fatores econômicos e regulatórios do que a questões operacionais.
O IOF surge como o principal obstáculo de 2025. Para 75,86% das operadoras, a taxação representou um desafio relevante, com impacto direto sobre a competitividade e as vendas internacionais. Em seguida aparecem:
- incertezas econômicas (65,52%)
- questões sociopolíticas (55,17%)
- instabilidade cambial (51,72%)
Esse conjunto de variáveis externas aumentou a imprevisibilidade e exigiu maior capacidade de adaptação das empresas.
Outros fatores também foram mencionados, como:
- custos operacionais (31,03%)
- concorrência online ou estrangeira (27,59%)
- falta de mão de obra (20,69%)
- confiança do setor (13,79%)
O diagnóstico é claro. O IOF não foi apenas mais um ponto de atenção, mas a principal dificuldade do ano, afetando três em cada quatro operadoras. Somado a isso, o conjunto de fatores econômicos formou a base dominante de tensões que atravessou o setor ao longo de 2025.
Em resumo, 2025 foi um período pressionado por variáveis externas e de difícil previsibilidade, mas que ainda assim entregou resultados positivos, sustentados pela resiliência, capacidade de adaptação e força operacional das operadoras de turismo. O desempenho confirma que, mesmo diante de um ambiente complexo, o setor segue robusto e avança com maturidade.
Olhando para 2026
Para o próximo período, o setor projeta um período de confiança e avanços. Entre as operadoras, 44,83% enxergam o próximo ano com expansão e otimismo, enquanto 48,28% apontam crescimento moderado. Apenas 6,9% indicam estabilidade ou retração, sinalizando uma tendência positiva.
Ainda assim, 2026 também se apresenta com desafios relevantes. Avaliados em uma escala de 0 a 5 quanto ao impacto no desempenho, os fatores de maior influência estão no ambiente político-regulatório. Entre eles estão a carga tributária e os encargos sobre o setor, com nota 4,14, a dependência dos desdobramentos da Reforma Tributária, com 4,03, e a sensibilidade ao contexto eleitoral, com 3,76.
Também entram no radar os custos de compliance e adequação a novas exigências, avaliados em 3,45, além dos impactos de políticas e regulamentações específicas do turismo, com 3,41. Esse conjunto coloca o ambiente regulatório no centro da agenda estratégica de 2026, revelando riscos que podem afetar diretamente a competitividade.
No campo econômico, a influência permanece significativa. As operadoras destacam o peso da economia nacional, com nota 4,21, da economia global, com 3,93, da taxa de câmbio, com 4,10, da inflação e do poder de compra dos brasileiros, com 4,03, além do acesso a recursos financeiros e investimentos, avaliado em 3,52.
Os contextos social e ambiental também entram na equação. A percepção de impacto inclui fatores como segurança, conflitos e crises políticas internacionais, com 3,76, polarização política no Brasil, com 3,41, e questões sanitárias globais, com 3,14.
As mudanças climáticas, como extremos de temperatura, enchentes, secas, queimadas e outros eventos que afetam operações e destinos, apresentam impacto moderado, com nota 3,28. Já as demandas relacionadas à Sustentabilidade e ao ESG, incluindo exigências legais e expectativas de mercado, registram influência semelhante, com nota 2,9.
Quando o olhar se volta para o comportamento esperado da demanda em 2026, o sentimento permanece positivo:
- Para 55,17% das operadoras, a expectativa é de crescimento
- 37,93% apontam estabilidade
- 6,9% consideram a possibilidade de retração.
Em suma, 2026 se apresenta como um período de expectativas positivas, mas marcado por variáveis que exigem atenção e preparo. O setor demonstra confiança e mantém um horizonte de crescimento, ao mesmo tempo em que reconhece a necessidade de adaptação diante de um ambiente regulatório complexo, de pressões econômicas persistentes e de dinâmicas sociais e ambientais cada vez mais determinantes.
Trata-se de um cenário que destaca a relevância da inteligência de mercado, do planejamento estratégico e da articulação entre empresas, destinos e instituições para transformar desafios em oportunidades reais.
“Encerramos mais este levantamento reforçando a importância de acompanhar, com profundidade, o comportamento das operadoras e os movimentos que moldam o turismo brasileiro. Em um setor em constante transformação, dados qualificados são fundamentais para antecipar tendências, orientar decisões e fortalecer o planejamento de toda a cadeia. A avaliação de 2025 e as perspectivas para 2026 revelam um mercado ativo, resiliente e cheio de possibilidades — mesmo diante de desafios profundos e de um ambiente político-regulatório que muitas vezes não favorece o setor. É um retrato de um turismo que segue inspirando, conectando e impulsionando economias, territórios e pessoas, movido pela força e pela capacidade de adaptação daqueles que fazem o turismo acontecer todos os dias”, disse Marina Figueiredo, presidente executiva da Braztoa

