O governo peruano decidiu endurecer o controle na divisa com o Chile e colocou a região de Tacna em estado de emergência por dois meses. A medida, publicada nesta sexta-feira (28), amplia o poder de atuação das forças de segurança e autoriza o envio imediato de militares para reforçar a vigilância em pontos estratégicos da fronteira.
O decreto atinge os distritos de Palca, Tacna e La Yarada-Los Palos e prevê atuação conjunta de policiais e tropas do Exército para conter tanto o avanço da criminalidade quanto o fluxo crescente de pessoas que tentam cruzar a divisa sem documentação.
Segundo o Ministério do Interior, os primeiros 50 militares já foram deslocados ao posto de Santa Rosa. Outro grupo do Exército deve chegar nos primeiros dias de dezembro.
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A decisão foi tomada após relatos de aglomeração de migrantes na área fronteiriça. Imagens divulgadas pela rádio local mostraram famílias, algumas com crianças nos braços, tentando deixar o Chile rumo ao Peru.
As autoridades peruanas dizem monitorar a movimentação desde a madrugada, mas evitam divulgar estimativas sobre o número de pessoas envolvidas.
Do lado chileno, o Ministério da Segurança reconheceu o acúmulo de migrantes que buscam sair do país, em meio ao clima eleitoral que colocou o tema da imigração no centro do debate.
O candidato conservador José Antonio Kast, favorito no segundo turno do dia 14 de dezembro, defende a expulsão de estrangeiros sem documentação, proposta que provocou apreensão entre grupos de migrantes.
A crise migratória reacendeu tensões em toda a região andina, especialmente nos corredores entre Venezuela, Peru e Chile, e levou Lima a adotar medidas preventivas antes da possível chegada de novos fluxos ao extremo sul do país.

