Nordeste Magazine
Cultura

Pare tudo agora: este é o último grande filme de Mel Gibson — e ele está na Netflix

Pare tudo agora: este é o último grande filme de Mel Gibson — e ele está na Netflix

Um ex-agente das forças especiais acorda e percebe que revive o mesmo dia, morrendo de formas diferentes sempre que falha em antecipar os ataques. O objetivo imediato é simples e absoluto: sobreviver o suficiente para descobrir quem montou o laço temporal e como romper o ciclo. A partir desse ponto, “Mate ou Morra” apresenta um percurso de tentativas sucessivas em que cada morte adiciona um dado novo e cada sobrevivência alonga o tempo de investigação. Dirigido por Joe Carnahan, o filme tem Frank Grillo como Roy Pulver e conta ainda com Mel Gibson, Naomi Watts, Michelle Yeoh e Will Sasso. O conflito combina duas frentes simultâneas: escapar dos algozes que o caçam e colher informação bastante para entender a origem do dia repetido.

Logo nos primeiros reinícios, Roy percebe padrões de ataque e passa a tratar a manhã como campo de teste. Repara no horário em que um assassino chega, no trajeto mais exposto, nas saídas possíveis. Ao ajustar a rota, ganha segundos; com segundos, conquista minutos; com minutos, alcança locais onde não chegaria antes. Essa progressão factual dá forma ao arco do personagem. O avanço depende de escolhas verificáveis: mudar de rua, usar um objeto específico, abordar alguém em horário exato. Quando uma decisão dá errado, ele volta ao ponto de partida com a memória do erro. Quando dá certo, carrega a lição para a próxima rodada.

Mel Gibson interpreta o Coronel Clive Ventor, responsável pela operação que sustenta o laço temporal e pelo aparato bélico e científico que a protege. Naomi Watts vive Jemma Wells, cientista ligada ao projeto, e sua relação com Roy fornece motivação afetiva e informação técnica. Michelle Yeoh aparece como Dai Feng, cujo treinamento pontual amplia a eficiência do protagonista, enquanto Will Sasso integra o círculo de confiança do antagonista. Entre os inimigos recorrentes, Selina Lo encarna Guan Yin, assassina cuja presença comprime o tempo de reação de Roy e impõe precisão de movimentos em cada tentativa.

O laço temporal dá ao roteiro um motor claro. Cada manhã começa no mesmo apartamento, com perigos disparando quase em sequência. Roy tenta sair vivo de casa, atravessar a rua sem ser abatido, evitar um perseguidor mais habilidoso, alcançar um veículo, infiltrar-se em um prédio. Em uma rodada, investe em força e cai cedo; em outra, aposta em discrição e avança mais; em outra, usa contato pessoal para quebrar barreira burocrática. As escolhas nunca ficam no ar: um gesto altera a posição dos inimigos, um atraso muda a rota, uma conversa abre ou fecha portas. A história se sustenta nessa cadeia de causa e efeito.

A encenação destaca decisões que mudam informação. Câmera próxima durante um erro chama atenção para o detalhe ignorado. Corte repetido para a mesma esquina, alguns segundos antes, indica onde o protagonista precisa corrigir a abordagem. A música acelera quando o plano depende de timing e recua quando o momento pede observação para colher pista. Não é mero enfeite: trilha, enquadramento e montagem sinalizam o que importa em cada tentativa, comunicando ao público o que Roy aprendeu e o que ainda falta captar. Assim, o espectador acompanha a contabilidade do avanço, entendendo por que um passo funcionou e outro encurtou a vida útil daquele dia.

Os obstáculos não são apenas humanos. O próprio laço reduz recursos materiais e impõe limites logísticos. Não é possível acumular armamento pesado entre uma morte e outra, então Roy precisa selecionar itens práticos e rotas que dependam mais de sincronia do que de volume de fogo. Esse condicionamento transforma pequenos gestos em fatores decisivos: escolher uma chave, desligar um alarme, trocar de roupa no minuto exato. Em paralelo, cresce a pressão psicológica. Repetição desgasta, e o filme transforma cansaço em dado dramático quando o protagonista cogita desistir de ajustes finos e partir para soluções brutas que não resolvem a pergunta central.

A relação com Jemma Wells serve de ponte para o núcleo que detém a tecnologia do laço. Essa conexão altera a investigação, pois troca tentativa às cegas por hipótese plausível. Quando Roy decide testar um caminho que o aproxima de documentos e laboratórios, a narrativa muda de ritmo. Ele passa a buscar salas específicas, a interceptar conversas em horários fixos, a usar crachás que só aparecem em um ponto do dia. Cada vitória abre uma gaveta e revela outra tranca. O aumento do risco vem daí: quanto mais perto da origem do laço, mais qualificados os inimigos, mais curto o prazo para agir.

O treinamento breve com Dai Feng reordena a luta corpo a corpo. Em ciclos seguintes, esse aprendizado rende segundos preciosos contra adversários como Guan Yin, o que libera tempo para tarefas antes inviáveis. Ao mesmo tempo, exige preparo e foco que podem falhar sob estresse. O filme trata essas trocas de maneira objetiva: habilidade adquirida não garante sucesso automático, apenas melhora a taxa de acerto quando aplicada no momento certo. Isso mantém o interesse na mecânica de tentativa e erro e evita que o protagonista se torne inalcançável.

Conforme o cerco aperta, a perseguição de rua se conecta a um plano mais amplo comandado por Clive Ventor. Ao perceber que o projeto ameaça múltiplas vidas além da sua, Roy redefine a meta de apenas sobreviver para interromper o experimento dentro de uma janela limitada de tentativas. Essa mudança amplia o alcance do conflito e acrescenta urgência ao calendário interno do personagem. Agora, cada morte não é apenas reinício frustrante, mas redução concreta do tempo útil para evitar um dano mensurável.

O ponto de maior tensão combina objetivo claro, janela curta e múltiplas dependências. Roy precisa alinhar entradas, saídas, distrações e contatos para alcançar o núcleo do experimento e interromper o processo. Se erra uma porta, perde tempo e morre; se acerta, avança para a fase seguinte, em que a cooperação de um aliado específico define o sucesso do passo adiante. O filme amarra tentativas anteriores a esse teste, pois as habilidades e informações coletadas ao longo dos ciclos passam a ser exigidas quase em simultâneo. A consequência de uma falha é verificável: retorno imediato ao início com uma variável a menos, já que ninguém além dele guarda a memória do erro.

A lógica das decisões cobra preço imediato. “Mate ou Morra” mantém o foco na contabilidade do aprendizado e na disciplina de repetir até acertar. O experimento segue ativo, e cada reinício reduz a margem de manobra de Roy; transformar informação em ação torna-se a única via possível enquanto o dia volta ao início com hora marcada.

Filme:
Mate ou Morra

Diretor:

Joe Carnahan

Ano:
2020

Gênero:
Ação/Aventura/Comédia/Ficção Científica/Mistério/Thriller

Avaliação:

9/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Veja também

Velório de Lua Blanco, atriz de ‘Rebelde’ que morreu aos 39 anos, será fechado ao público

Redação

Caminhos da Reportagem exibe edição sobre Serra da Capivara, no Piauí

Redação

Morre Benito di Paula, grande nome da música popular brasileira, aos 84 anos

Redação

Leave a Comment

* By using this form you agree with the storage and handling of your data by this website.