Nordeste Magazine
Cultura

Sequência de terror na HBO Max que vai te matar de… tédio

Sequência de terror na HBO Max que vai te matar de… tédio

Poucos filmes começam tão bem e terminam tão perdidos quanto “Extermínio: A Evolução”. O primeiro ato é uma paulada: a câmera nervosa, os planos sujos, aquele caos suado e instintivo que a gente reconhece de longe. Há uma brutalidade elegante ali, uma sensação de que o mundo acabou, mas a direção ainda tem algo a dizer sobre o que resta. O cenário é devastador, a tensão é palpável, e os infectados voltam a ser o que deveriam ser desde o início: o espelho distorcido da nossa própria raiva. É o tipo de cinema que te prende pela garganta e te lembra o prazer primitivo de ter medo. Pena que o encanto dura pouco. Quarenta e cinco minutos, para ser exato.

Porque, assim que o filme decide “ficar sério”, ele se desmancha. O horror visceral dá lugar a uma espécie de drama familiar meloso, com direito a mãe doente, filho confuso e dilemas morais que soam importados de uma novela mal editada. O problema não é o tom, é o desequilíbrio. A história parece ter passado por tantas mãos que perdeu a própria identidade: metade thriller apocalíptico, metade sessão de terapia improvisada. O que antes era tensão vira tédio, e os personagens começam a tomar decisões tão absurdas que nem o vírus explicaria. De repente, aquele universo claustrofóbico e violento se transforma num grande campo de absurdos narrativos.

O roteiro tropeça em cada tentativa de construir profundidade. Introduz novos tipos de infectados, mais fortes, mais altos, mais… atléticos? Sem se dar ao trabalho de explicar o porquê. Um nasce alfa, outro dá à luz (sim, literalmente), e o espectador fica se perguntando se caiu num spin-off paródico de “The Walking Dead”. Há também a tal “mensagem política”, que tenta ser sagaz, mas acaba parecendo panfleto apressado: isolamento como metáfora do Brexit, bandeiras queimando, arquivos de guerra intercalados. Tudo ali, gritando por relevância. E quanto mais o filme grita, menos se escuta o que realmente importava: a angústia silenciosa que definia os dois primeiros capítulos da trilogia.

Ainda assim, há lampejos de talento. A fotografia continua deslumbrante, um apocalipse bonito de ver, o que é quase um paradoxo. A trilha, pontual e melancólica, carrega uma nostalgia que o roteiro não merecia. E a direção, mesmo nas partes confusas, mantém certo pulso visual que impede o desastre completo. Mas nada disso salva a sensação de que alguém, em algum momento, decidiu sabotar a própria história. A primeira metade é o filme que prometia renascer a saga; a segunda, o lembrete de que nem todo vírus é letal, alguns só adormecem a criatividade.

“Extermínio: A Evolução” não é exatamente ruim. É pior que isso: é esquecível. O tipo de sequência que existe apenas para justificar a própria existência, com cheiro de interferência de estúdio e pressa de franquia. Fica a impressão de que o diretor queria fazer outro filme, os roteiristas queriam encerrar a trilogia e o produtor só queria pagar as contas. Resultado: uma colcha de retalhos ambiciosa e incoerente. Quando a tela se apaga e as luzes se acendem, a pergunta inevitável é: valeu a pena esperar quase três décadas por isso? A resposta, infelizmente, é tão morna quanto o segundo ato.

Se há alguma redenção possível, talvez venha no próximo capítulo, caso Cillian Murphy resolva ressuscitar o espírito do original. Por enquanto, resta esse híbrido indeciso: meio terror, meio drama, meio piada involuntária. Um filme que começa gritando e termina cochichando. O apocalipse, aqui, não é o fim do mundo, é o fim da paciência.

Filme:
Extermínio: A Evolução

Diretor:

Danny Boyle

Ano:
2025

Gênero:
Ficção Científica/horror/Suspense

Avaliação:

7/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

Veja também

Na Netflix: 108 minutos em estado de alerta — e você nem percebe que está prendendo a respiração

Redação

De Joachim Trier, filme norueguês indicado ao Oscar reflete as dúvidas da juventude e está no Prime Video

Redação

O faroeste definitivo está na Netflix — e não é só um filme: é um acontecimento na história do cinema

Redação

Leave a Comment

* By using this form you agree with the storage and handling of your data by this website.