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Privatização, expansão e foco no Brasil: Carlos Antunes detalha planos da TAP ao M&E – M&E

Privatização, expansão e foco no Brasil: Carlos Antunes detalha planos da TAP ao M&E – M&E

Carlos Antunes, da TAP no Brasil (Giulia Jardim/M&E)

RIO DE JANEIRO – A TAP vive um momento histórico. Em 2025, a companhia completa 80 anos de operação e celebra o marco reforçando os laços com o Brasil, seu principal mercado fora da Europa. “O Brasil é o nosso mercado mais importante. Somos a companhia aérea internacional que mais voa para o país, com mais de 100 voos semanais no verão europeu e operações para 13 capitais brasileiras”, afirmou Carlos Antunes, diretor da TAP para as Américas.

Nos últimos 12 meses, a TAP inaugurou três novas rotas: Belém–Lisboa, Manaus–Lisboa e a retomada de Porto Alegre, consolidando uma malha aérea sem equivalente entre Europa e Brasil. “Nenhuma outra companhia, nem mesmo brasileiras, mantém essa amplitude de conectividade”. Nesse mesmo período, a empresa transportou 2 milhões de passageiros nas rotas entre os dois países.

“Estamos muito felizes, porque isso confirma a importância do Brasil para a TAP e da TAP para o Brasil”, destacou o executivo.

Portugal Stopover

Um dos destaques recentes da companhia é o fortalecimento do programa Portugal Stopover, que permite aos viajantes fazer uma parada de até 10 dias em Portugal sem custo adicional na passagem. A iniciativa busca incentivar brasileiros que viajam para outros destinos da Europa a aproveitar a magia portuguesa antes de seguir viagem.

Durante o período de parada, o passageiro pode explorar Lisboa, Porto, Algarve ou até ilhas como Madeira e Açores. Para facilitar os deslocamentos, a TAP oferece 25% de desconto em voos domésticos dentro do país durante o stopover.

“É uma forma de o brasileiro descobrir Portugal como uma segunda viagem dentro da mesma passagem. Ele pode ficar três dias em Lisboa, dois no Porto, depois voar com desconto até a Madeira e seguir para o destino final. É uma experiência completa”, explicou Antunes.

Segundo ele, mais de 200 mil passageiros por ano já aproveitam o programa, o que reforça sua relevância para o turismo português. “Muitos brasileiros ainda não conhecem Portugal, e o stopover é uma maneira de vivenciar o país de forma acessível e encantadora”, completou.

Curitiba ainda segue no radar

Questionado sobre os próximos destinos brasileiros que poderiam entrar na malha da TAP, Carlos Antunes foi direto: Curitiba é a cidade mais desejada pela companhia. No entanto, a abertura de novas rotas depende da expansão da frota, algo que ainda está em planejamento.

“Temos operações grandes no Brasil, na África e nos Estados Unidos, onde voamos para 12 cidades e também com 100 voos semanais. A frota está superutilizada. Entre querer e fazer há um grande planejamento”, ponderou.

Apesar disso, o executivo reconhece o potencial do Paraná e o desejo da companhia em atender a região. “A comunidade paranaense tem forte demanda para a Europa. Hoje ela faz essa conexão por São Paulo, mas poderia ter um voo direto pela TAP no futuro”, disse.

Privatização

Outro tema em destaque na conversa com o diretor foi o processo de privatização da TAP Air Portugal. O governo português vai vender 44,9% das ações da companhia a um investidor estratégico, mantendo 50,1% sob controle estatal, enquanto 5% serão destinados aos funcionários.

“A TAP vai ser privatizada para crescer, ganhar escala e se tornar ainda mais competitiva. Mas o comprador precisa ter peso: só poderão participar grupos com receita bruta superior a 5 bilhões de euros nos últimos cinco anos”, explicou Antunes.

Ele reforçou que o processo visa garantir sustentabilidade e expansão, sem comprometer a identidade e a expertise conquistada pela empresa ao longo de oito décadas. “A TAP está apresentando bons resultados e tem toda a experiência necessária. O novo parceiro virá para somar e ampliar a presença global”, afirmou.

Mercado norte-americano e readequação de frota

Mesmo com a recente mudança no comportamento de turistas internacionais e a menor procura por destinos nos Estados Unidos, a TAP ainda não registrou impacto direto nas suas operações. “Os voos entre Estados Unidos e Europa seguem com ótima ocupação. O que percebemos é uma redução na demanda doméstica americana, mas nosso tráfego transatlântico continua forte”, disse o diretor.

Antunes acrescentou que a malha aérea para 2026 ainda está sendo desenhada, mas não há planos de redução nos voos para os EUA nem de realocação de capacidade para o Brasil. “Continuamos buscando oportunidades de novos pontos de presença, mas qualquer mudança de rota será estudada com cautela”, pontuou.

Relação com agentes

Presente com estande e equipe ampliada na Abav Expo, a TAP reforçou também sua relação próxima com o agente de viagens, um dos pilares de sua estratégia comercial. “Temos uma equipe de 20 pessoas espalhadas por todo o território brasileiro. É um diferencial, porque muitas companhias aéreas mantêm equipes apenas em São Paulo ou no Rio. Nós acreditamos na presença local e na força do agente”, enfatizou Antunes.

Segundo ele, o canal de distribuição via agências continua sendo a prioridade da TAP, que aposta no valor consultivo e na confiança que o agente transmite ao cliente. “A TAP acredita no papel essencial das agências na venda de passagens e na experiência do passageiro. Somos parceiros e queremos continuar crescendo juntos”, concluiu.



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