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“The Studio”: série recordista do Emmy é imperdível

“The Studio”: série recordista do Emmy é imperdível

Recordista de estatuetas de Emmy em uma única temporada, “The Studio” destronou “The Bear”, que havia levado em 2022 doze prêmios. A série nova da Apple TV+, estrelada por Seth Rogen, levou nada menos que 13 estatuetas neste ano. A comédia estreou em março com 10 episódios de aproximadamente 30 minutos e narra o cotidiano caótico de Matt Remick (Rogen), chefe de estúdio na produtora de cinema Continental Studios.

Matt é promovido a chefe de estúdio pelo executivo da Continental, Griffin Mill (Bryan Cranston), depois que Patty (Catherine O’Hara), sua antecessora, é demitida. Seu idealismo e inexperiência no cargo fazem com que ele constantemente tome decisões erradas que comprometem sua posição, colocando-o sempre em situações-limite para que não perca o ambicionado cargo no estúdio hollywoodiano. Matt é também bastante desastrado, impulsivo e competitivo, o que colabora para que se envolva em situações constrangedoras. Sua equipe é formada, ainda, por Sal Saperstein (Ike Barinholtz), Quinn (Chase Sui Wonders) e Maya (Kathryn Hahn).

O caos é o motor narrativo da série. Os personagens estão sempre improvisando seus próximos movimentos para se livrar de crises e tomando decisões de última hora. A câmera é participante ativa dos acontecimentos, movendo-se com os personagens, correndo pelos corredores, virando-se durante os diálogos, saindo e entrando de cômodos para passar a sensação de imprevisibilidade, imediatismo e pressão.

Filmada em grande parte nos estúdios da Warner, em Los Angeles, a série tem um estilo estético e narrativo bastante peculiar. Em primeiro lugar, é gravada com single camera combinado a long takes, ou seja, há apenas uma câmera no estúdio sendo operada, criando uma sensação maior de proximidade entre o público e os personagens. Além disso, as cenas são gravadas inteiras, sem cortes ou com cortes bastante sutis, mantendo o ritmo vivo, e o espectador se sente como se estivesse acompanhando tudo “ao vivo” e “em tempo real”. Essa técnica é bem parecida com aquelas utilizadas em documentários ou em “realismo sujo”, apesar de seu enredo ser completamente fictício.

Além disso, a edição de som e da música é trabalhada de forma muito alinhada com o ritmo visual caótico da série. Sobras de som ambiente, ruído de locação, diálogos em overlap (quando são estridentes e falados um sobre o outro), interrupções abruptas e reações inesperadas, como se a câmera estivesse escondida ou como se estivéssemos observando alguém sorrateiramente, constroem o clima de tensão, ansiedade, urgência e anarquia. O enredo, a edição de imagem, a edição de som e a música trabalham concomitantemente para reforçar a pressão, os deadlines, a competição e as crises de bastidores.

A lente utilizada é a 21mm Master Prime T1.3, capturando o ambiente em grande angular, dando profundidade e favorecendo os close-ups em lugares abertos. A inspiração para isso é, principalmente, vídeos de skate feitos para a internet, mostrando o deslocamento dos personagens e o fundo como parte da cena filmada.

A série reflete a tensão e a pressão para o sucesso comercial, contrapondo-se ao desejo artístico: o anseio pelo reconhecimento, a vaidade, as inseguranças e a competitividade por cargos, status, convites a festas e amizades com famosos. Em cada episódio, há cineastas como Martin Scorsese e Ron Howard e artistas como Zoë Kravitz, Charlize Theron, Anthony Mackie e Steve Buscemi interpretando a si mesmos. A série acerta em todos os pontos e cria algo diferente, revigorante, dinâmico e carismático. O público pode se identificar com situações de “escritório” transformadas em piadas. Cada episódio oferece uma dose de genialidade em forma de caos.

Filme:
The Studio

Diretor:

Evan Golberg, Alex Gregory e Peter Huyck

Ano:
2025

Gênero:
Aventura/Comédia/Drama

Avaliação:

10/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

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