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Com Denzel Washington, filme novo de Spike Lee

Com Denzel Washington, filme novo de Spike Lee

Spike Lee não é uma unanimidade no quesito qualidade. Mas, definitivamente, é no quesito relevância. Nenhum cineasta negro que abordasse questões raciais, sociais e econômicas tomou tamanha projeção quanto ele. Por isso, sempre que um de seus filmes é lançado, há um grande alvoroço, mesmo que, no fim das contas, ele nem seja tão bom assim. Ele também foi o primeiro cineasta negro a criar sua marca, seu cinema com sua cara.

Seu mais recente filme, “Luta de Classes”, da Apple TV+, traz pela quinta vez sua parceria com Denzel Washington para tratar exatamente de desigualdades e privilégios ligados à classe social. No enredo, Denzel interpreta David King, fundador de um império musical e magnata do entretenimento. Sua vida vira de cabeça para baixo quando recebe uma ligação informando que seu filho foi sequestrado e pedindo resgate. A polícia é rapidamente acionada e logo a história vai parar nos noticiários.

Em menos de 24 horas, descobre-se que o filho de King está bem e, ao contrário do que se acredita, não foi sequestrado. Na realidade, o filho do motorista de King, Paul (Jeffrey Wright), da mesma idade do outro garoto, é quem foi sequestrado por engano. Como eles são amigos de infância, assim como seus filhos, a família milionária decide assumir o risco e o resgate para salvar o garoto.

Remake do clássico japonês de Akira Kurosawa, “Céu e Inferno”, o longa de Lee foi adaptado para os dias atuais e para a realidade americana, transportando esse dilema ético para os bairros periféricos de Nova York. A mensagem do filme permanece moderna, trazendo críticas pertinentes ao sistema capitalista e às desigualdades sociais.

O protagonista, David King, construiu seu império do zero. Era um jovem de periferia, assim como seu motorista Paul, e venceu graças à sua paixão pela música e seu ouvido biônico para o sucesso. Venceu, principalmente, lançando artistas que denunciavam e cantavam sobre suas vidas marginalizadas. É quase uma ironia que sua ascensão se dê pela narrativa, nas canções, da realidade difícil da pobreza e violência da periferia. Agora, ele vive em um apartamento no topo da cidade, olhando de cima a vida que já teve um dia, mas que agora está bem distante de sua realidade.

Embora tenha aceitado pagar o resgate do filho do motorista, e arriscar sua vida para entregar a mala com o dinheiro, a troca dos filhos é uma metáfora que nos obriga a ver que quem sempre paga “com a vida” são os pobres. No fim, ele descobre quem é o autor do sequestro e decide resolver sozinho a questão, sem ajuda da polícia, descendo de sua cobertura até os becos sujos e metrôs lotados da cidade, distante de sua vida de luxo, para se reencontrar com os ideais que o moldaram antes de o tornar rico. Mas não há reconciliação plena nem redenção. Afinal, King permanece rico e inabalável, mostrando que o sistema hegemônico capitalista permanece: é imutável, independente do sofrimento dos outros.

Com fotografia de Matthew Libatique, o longa-metragem ressalta as paisagens panorâmicas grandiosas de Nova York e oferece uma profundidade que destaca a grandiosidade do cenário em contraste com as cenas das ruas e metrôs. A observação de objetos de luxo, como a decoração do apartamento de King, reflete sobre o estilo de vida e privilégios do protagonista. Já a trilha sonora de Howard Drossin mescla estilos (clássico, jazz, hip-hop) e, às vezes, aparece muito alta e não condiz com o momento, fazendo provocações ao espectador. A trilha, inclusive, foi um dos principais alvos de críticas negativas do filme. Muitos afirmaram que ela “nunca desliga” e que causa distração e inquietação no público.

Filme:
Luta de Classes

Diretor:

Spike Lee

Ano:
2025

Gênero:
Ação/Crime/Drama

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

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