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A320 perto de superar o reinado do 737

A320 perto de superar o reinado do 737

Após 37 anos de operação, a família A320 deve ultrapassar a marca histórica de entregas do 737, consolidando a liderança da Airbus no mercado de corredor único

A Airbus está prestes a ultrapassar a Boeing no ranking histórico de entregas de aeronaves comerciais. A família A320 deve superar ainda este mês o 737, consolidando-se como o programa de maior sucesso da aviação civil.

Atualmente, a diferença entre os dois modelos é inferior a 20 unidades. A Airbus acumula 12.151 entregas da família A320, contra 12.171 do 737, que lidera o mercado há mais de meio século.

Virada histórica

O marco ocorre 37 anos após a estreia do A320, que entrou em operação em 1988 com a Air France. Embora tenha iniciado a década de 1990 distante da Boeing em volume de vendas, a Airbus conquistou espaço gradualmente a partir dos anos 2000. O avanço tornou-se ainda mais expressivo com a introdução da série Neo, que trouxe novos motores e ganhos relevantes em alcance, desempenho e capacidade.

Em julho, a Airbus entregou 54 jatos da família A320neo, enquanto a Boeing registrou 37 unidades do 737 MAX. Mantida a tendência, a Airbus deve assumir a liderança nos próximos dias.

Consolidação da Airbus

O A320 representou a entrada da Airbus no segmento narrowbody, até então dominado pela Boeing e pela McDonnell Douglas. O consórcio europeu já havia obtido destaque com o A300 e o A310, pioneiros entre os widebodies bimotores, mas foi o A320 que consolidou a Airbus em escala global.

O sucesso da família acelerou o declínio da McDonnell Douglas, absorvida pela Boeing em 1997. Sem a concorrência da linha MD-80/-90, o A320 expandiu sua presença em ritmo superior ao dos 737 Next Generation e, mais recentemente, do 737 MAX.

Ponto de virada

A virada no equilíbrio de forças teve origem no A320neo, versão remotorizada lançada em 2010 como resposta ao Bombardier C-Series. Desde então, a Airbus contabilizou 11.179 pedidos firmes da família, com 4.051 entregas até julho de 2025.

O destaque é o A321neo, com 7.067 encomendas, frente a 4.055 do A320neo e apenas 57 do A319neo — desempenho inferior até ao do A318, que somou 80 unidades produzidas. A retração dse deve tanto à preferência do mercado por aeronaves de maior capacidade e alcance quanto à estratégia da Airbus de priorizar o A220 nesse nicho.

Produção em expansão

Entre 2020 e 2025, a Airbus ampliou sua cadência de produção, saltando de 446 unidades anuais para 602 em 2024. No acumulado parcial de 2025, já são 309 entregas. A Boeing, em contraste, passou de apenas 43 aeronaves em 2020 para 396 em 2023, mas recuou para 265 no ano seguinte e soma 273 até agosto de 2025.

Boeing 737 em retração

O 737 é até hoje o avião comercial mais produzido da história, com 12.171 unidades. O 737-800 lidera a lista, com 5.174 entregas, seguido pela série Classic (300/400/500), com 1.988. Na geração MAX, o 737-8 responde por 1.651 aeronaves entregues e 3.080 pedidos em carteira. O 737-10, concorrente direto do A321neo, soma 1.273 encomendas, mas ainda aguarda certificação.

A Boeing, porém, enfrenta restrições impostas pela FAA, que limitou a produção do 737 MAX a 38 unidades por mês. A decisão ocorre após sucessivos problemas de qualidade e dois acidentes fatais com o modelo. A Airbus, em contrapartida, projeta elevar sua cadência para 75 aeronaves mensais até 2027.

A321XLR no mercado da Boeing

O A321XLR desponta como peça-chave para consolidar a liderança da Airbus. O modelo, substituto natural do 757, combina maior alcance e capacidade com custos até 20% inferiores em diversas rotas.

Sem um concorrente equivalente, a Boeing limita-se a disputar espaço com o 737 MAX 10, capaz de rivalizar com o A321neo e, em alguns casos, com o A321LR, mas ainda distante do desempenho do XLR. Por ora, a Boeing não tem planos para lançar um novo avião de corredor único, nem um projeto capaz de rivalizar com o A321XLR.

Assim, a estratégia depende do 737 MAX para sustentar as vendas entre operadores tradicionais e assegurar resultados até que a Boeing e o mercado estejam preparados para uma nova geração de aeronaves de média capacidade.





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