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Humberto Gessinger encontra a mesma cena em duas canções escritas com cinco anos de distância

Humberto Gessinger encontra a mesma cena em duas canções escritas com cinco anos de distância


Uma imagem de Porto Alegre em ritmo desacelerado, com carros deixando a cidade às vésperas de um feriado e um casal acompanhando a movimentação de mãos dadas em uma sacada, acabou inspirando duas canções de Humberto Gessinger.


Escritas com cinco anos de diferença e destinadas a parceiros distintos, as letras de “Adeus Bem-Vinda” e “Calmo” carregam uma referência em comum que só foi percebida pelo compositor muito tempo depois.


A primeira surgiu em 2019, a partir de um convite de Dado Villa-Lobos, ex-integrante da Legião Urbana, que encaminhou uma música instrumental a Gessinger para que ele desenvolvesse a letra.


O trabalho foi concluído na mesma noite, mas a chegada da pandemia adiou os planos de lançamento da parceria, que chegou nesta sexta-feira (6) às plataformas digitais.


Já “Calmo” nasceu em 2024, depois que Duca Leindecker, antigo companheiro de Gessinger no projeto Pouca Vogal, o chamou para uma nova colaboração.


Lançada pela Deck, “Adeus Bem-Vinda” já pode ser ouvida nos serviços de streaming. A segunda parte dessa coincidência musical chega em 27 de novembro, quando “Calmo” será disponibilizada nas plataformas digitais.




A ligação entre as duas composições passou despercebida até 2025, quando Dado retomou o contato, enviou a gravação de “Adeus Bem-Vinda” e convidou o músico a integrar seu álbum. Ao reencontrar a letra, Gessinger identificou a repetição daquela mesma paisagem urbana.


“Uma coisa bem porto alegrense, uma cidade onde as pessoas saem no feriado e a cidade fica calma, lenta, leve e pesada”, comenta.


O compositor atribui o esquecimento à maneira quase imediata como escreveu a primeira música. “Acho que por compor a letra tão rapidamente, quase em transe, saindo da cama de madrugada para mandar o e-mail, uma ilha de lucidez cercada por um mar de sono, ela acabou não fixando raízes profundas na minha memória”.


A descoberta também revelou a possibilidade de uma mesma referência assumir funções diferentes na criação artística. “Mas o interessante foi que a mesma imagem funcionou bem em dois contextos quase opostos, como se fosse uma esquina ligando duas avenidas distintas, com um único ponto em comum”.


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