Posse de Lula impulsiona reservas e hotéis de Brasília projetam lotação máxima (Reprodução/Agência Brasil)

A posse presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, marcada para 5 de janeiro de 2027, já movimenta o setor hoteleiro de Brasília. Pela primeira vez, a cerimônia será realizada fora do tradicional 1º de janeiro, o que, segundo representantes do setor, favoreceu a procura por hospedagens ao evitar a concorrência com o réveillon. Com a antecipação das reservas, hotéis da região central já trabalham com a expectativa de alcançar 100% de ocupação no período.

Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Distrito Federal (ABIH-DF), Henrique Severien, a mudança contribuiu para ampliar a demanda e antecipar as reservas. “A demanda chegou com mais antecedência. Além disso, a nova data permite uma adesão maior, uma vez que foge do conflito com o réveillon”, explica.

O reflexo já aparece nos empreendimentos. Segundo Severien, somente na semana seguinte ao segundo turno foram realizadas 150 reservas no Ibis Styles Aeroporto. No Gran Mercure, a ocupação para os dias 4 e 5 de janeiro já se aproximava de 90%, conforme informou a gerente-geral Adriana Pinto. A expectativa é de lotação completa. “Com certeza ficará com 100% e negaremos reservas”, afirmou. De acordo com ela, os quartos de categorias mais econômicas foram os primeiros a ser reservados.

No B Hotel, a procura também apresentou crescimento expressivo. O gerente-geral, Fernando Kanbara, afirma que as buscas e reservas quadruplicaram em relação ao histórico do empreendimento. “De acordo com nosso histórico, podemos afirmar que a procura quadruplicou. O período de eleições e de posse naturalmente gera uma demanda diferente em Brasília e esse movimento já começou a aparecer nas reservas”, diz.

A expectativa é que o aumento no fluxo de visitantes também beneficie outros segmentos da economia local, especialmente os serviços ligados ao turismo. Para o economista e professor universitário Riezo Silva, a realização da cerimônia logo após o réveillon deve ampliar a circulação de pessoas e a movimentação financeira na capital. “Irá ter uma movimentação muito grande ligado a prestação de serviços, principalmente, porque vai unir com o réveillon”, destaca.

Na mesma linha, o secretário de Turismo do Distrito Federal, Bernardo Antunes, afirma que a capital está preparada para receber o público esperado. “Somos uma capital segura e organizada para receber grandes eventos. Brasília está preparada para receber quem vier à capital acompanhar a posse do próximo presidente”, afirma.

Diárias em Brasilia chegam a R$ 12,5 mil

Com o aumento da procura, os preços das hospedagens também passaram a chamar a atenção. O deputado federal eleito Fábio Felix (Psol) acionou o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) após identificar diárias de até R$ 12,5 mil e valores até 23 vezes superiores aos praticados em outros períodos.

O levantamento analisou 360 ofertas de hospedagem nas plataformas Booking.com e Airbnb, comparando os preços da noite da posse com os da semana seguinte. Na representação, o parlamentar pede a investigação dos critérios utilizados na formação das tarifas e das justificativas econômicas para os aumentos.

“É um absurdo que pessoas que querem vir a Brasília acompanhar a posse do presidente Lula encontrem diárias de hotéis custando mais de R$ 12 mil. O aumento da procura não pode servir de justificativa para cobranças abusivas. Queremos que o Ministério Público investigue e tome providências para proteger os consumidores”, afirma Felix.

A discussão envolve os limites da liberdade de precificação do setor. O Código de Defesa do Consumidor (CDC) proíbe a elevação de preços sem justa causa e a exigência de vantagem manifestamente excessiva. Até o momento, não foram registradas denúncias formais sobre os valores das hospedagens junto ao Procon-DF, embora o órgão tenha recebido solicitações de informações sobre o assunto.

Henrique Severien ressalta que a hotelaria trabalha com diferentes categorias de acomodação, o que também influencia os valores das diárias. Segundo ele, além das suítes especiais, que possuem tarifas mais elevadas, os custos operacionais precisam ser considerados na composição dos preços. “Existem suítes especiais, que custam caro. Estamos em um período delicado, onde reforma tributária passa a valer com alíquotas declaradas, o que onera bastante a operação”, afirma.

Já o economista Riezo Silva explica que a dinâmica de preços segue uma lógica semelhante à da aviação: à medida que as opções mais econômicas são reservadas, as categorias restantes passam a ter tarifas mais altas. Ele também aponta que a capacidade da rede hoteleira do Distrito Federal influencia esse cenário, especialmente durante eventos que concentram um grande número de visitantes.

Como alternativa, o especialista recomenda que os turistas considerem hospedagens em regiões mais afastadas do Plano Piloto, onde podem encontrar outras opções de preços. Silva pondera, no entanto, que a liberdade dos estabelecimentos para definir suas tarifas não os isenta de cumprir as normas de proteção ao consumidor.

*Com informações de Correio Braziliense.