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Mateus Fazeno Rock é a atração do Tiny Desk desta terça-feira (3)

Mateus Fazeno Rock é a atração do Tiny Desk desta terça-feira (3)


A guitarra, a batida e a atitude do rock ganham outras nuances quando atravessadas pelas vivências das periferias brasileiras. É desse encontro que nasce o “Rock de Favela”, linguagem criada pelo cearense Mateus Fazeno Rock, atração do Tiny Desk Brasil desta terça-feira (3).

Ao lado de uma banda formada por músicos de diferentes trajetórias, o artista ocupa o espaço intimista da série com uma apresentação que reúne experimentação musical, afirmação identitária e celebração da criação coletiva.


O repertório inclui faixas importantes de sua discografia, como “Pode Ser Easy” e “Melô do Sossego”.




Em determinado momento, a emoção tomou conta do artista, que não conseguiu conter as lágrimas diante da troca estabelecida com os companheiros de palco. “Fui me arrepiando, olhando pro olhar das pessoas que estavam comigo, das outras pessoas, e nessa troca não deu pra segurar. É uma realização coletiva”, conta.


No escritório brasileiro do projeto, Mateus assume voz e guitarra acompanhado por Ayla Lemos (bateria e backing vocal), Izma Xavier (baixo e baixo sintetizador), Briar Aguarrás (sintetizadores, violão e backing vocal), Jocasta Brito e Mumutante (backing vocals), DJ Viúva Negra (pad e percussão) e Vitor Cozilos (guitarra). A formação traduz uma característica central de seu trabalho: a compreensão da música como construção compartilhada.


Nascido artisticamente no bairro da Sapiranga, em Fortaleza (CE), Mateus associa essa perspectiva à própria trajetória. Para ele, fazer arte em território periférico exige redes de apoio e colaboração que confrontam a lógica individualista predominante na sociedade e no mercado cultural.


“A coletividade rompe uma lógica mercadológica e de pensamento do mundo que empurra a gente pra um individualismo muito louco e pra uma solidão. A coletividade dá essa força, esse axé, esse pulso que às vezes a gente tá precisando”, reflete.


Uma bandeira chamada Rock de Favela

A denominação que acompanha o nome do artista não é apenas uma classificação estética. Negro, nordestino e periférico, Mateus reivindica um espaço historicamente marcado por exclusões e disputas de representação.

Ao incorporar referências do punk, do rap e da música brasileira à estrutura do rock, constrói uma sonoridade que questiona fronteiras e reivindica outras possibilidades para o gênero.


“O rock virou um espaço de apagamento e segregação, um espaço inclusive de racismo. Então, causa um incômodo em algumas pessoas. Ao mesmo tempo em que, em outras, causa um ‘oba, que bom’”, observa.

A escolha do termo Rock de Favela funciona, assim, como posicionamento artístico e político. “Foi uma forma de eu defender o meu trabalho, falar que o rock que eu faço é o Rock de Favela. É uma forma de fincar uma bandeira e dizer eu estou aqui, esse pedacinho aqui estou mexendo, me deixa aqui. Se não é a sua, vai pra lá. Aqui é o Rock de Favela”, completa.


Com três álbuns lançados, o músico desenvolveu uma assinatura própria, na qual o rock divide espaço com a dança, a teatralidade e a performance.


Seus shows assumem a forma de encontros entre diferentes expressões artísticas, com referências que dialogam diretamente com as experiências das periferias.


O reconhecimento veio também da crítica: em 2023, recebeu o Prêmio APCA na categoria Artista Revelação, além de indicações ao Prêmio da Música Brasileira e ao Prêmio Multishow.


A circulação nacional consolidou essa presença. Mateus já passou por festivais como Primavera Sound, Afropunk, Bananada, Psica, DoSol, Coquetel Molotov, Goiânia Noise e Rec-Beat, além de palcos como Casa Natura e Circo Voador.

Na Europa, realizou uma apresentação com ingressos esgotados no Théâtre de Chaillot, em Paris, durante a turnê de seu trabalho mais recente. Também participou recentemente de uma homenagem a Cazuza, interpretando “Medieval” em uma nova leitura do álbum “Exagerado”.


Enquanto mantém a agenda de shows, o artista trabalha na preparação de um novo disco, previsto para 2027. A produção será assinada por Briar Aguarrás, Rafael Ramos e pelo próprio Mateus.



Tiny Desk

A participação do cearense faz parte da programação especial do Tiny Desk Brasil em torno do primeiro aniversário da iniciativa, que conta com patrocínio de Itaú Live.

A versão nacional do projeto é conduzida pela produtora Anonymous Content Brazil, em colaboração com a equipe da Amabis e sob supervisão da NPR, responsável pelo formato original.


Inspirado no conceito que conquistou público internacional, o programa aposta em apresentações realizadas em um ambiente de dimensões reduzidas, sem amplificação da voz no espaço.

A proximidade entre os músicos e as limitações técnicas estimulam soluções particulares de arranjo e interpretação. Em vez de grandes aparatos de palco, a proposta privilegia a relação entre os instrumentos, as vozes e a espontaneidade dos artistas.


A escolha das atrações segue uma orientação curatorial que procura contemplar diferentes regiões, estilos e perspectivas da música produzida no país, com atenção à diversidade e à equidade de gênero.

Os nomes são mantidos em sigilo até a data de lançamento de cada episódio. Às 9h das terças-feiras, o projeto revela o convidado por meio de uma fotografia instantânea e um texto da jornalista e pesquisadora musical Lorena Calábria, publicados em suas redes sociais. O vídeo completo chega ao YouTube duas horas depois.


O universo da série também se estende ao Tiny Talks, conteúdo complementar apresentado por Sarah Oliveira. Nas conversas, exibidas às quintas-feiras, às 11h, os convidados revisitam as experiências vividas durante as gravações e compartilham impressões sobre o encontro com o formato.

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