Moradores e a natureza de Olinda manifestadas artisticamente em pinturas a óleo compõem a exposição “Silvas e Selva”, de Roberto Ploeg – em cartaz a partir do próximo dia 7 de novembro no Instituto Ploeg, Boa Vista.
Com mais de três décadas de convivência como morador do Sítio Ouro Verde, na área rural de Olinda, Ploeg expõe o que percebeu e enxergou no decorrer deste tempo, em meio a nascimentos de pessoas, crescimento de ávrores e paisagens que avançaram com a urbanização e organização comunitária.
Ao menos 23 pinturas ficarão expostas e vão refletir sobre a relação do artista holandês com Pernambuco e também com o país. Ele chegou ao Recife no final da década de 1970.
Após o infarto
Em abril deste ano Roberto Ploeg foi acometido por um infarto e, desde então, passou a enxergar sua trajetória de uma forma mais atenta, assim como os vínculos estabelecidos com o lugar em que vive.
“Em muitas medidas, a exposição é uma retrospectiva da minha vida”, considera Ploeg.
Olindense
Em Olinda desde o início dos anos de 1990, Roberto Ploeg é morador do Sítio Ouro Verde.
Desde então passou a acompanhar de perto as transformações da paisagem – em um tempo em que a cidade-irmã do Recife era pouco urbanizada.
O crescimento das comunidades e o avanço do desmatamento também estiveram sob ‘as vistas’ do artista, que junto à família, estreitaram laços com moradores do entorno, levando a integrar iniciativas coletivas e ações voltadas à população.
Assim como foi também em Olinda que Ploeg enveredou pelas artes visuais, frequentando cursos em instituições culturais da cidade e do Recife.
Em seu fazer artístico, ele promove a tradição da pintura, trabalhando com tinta a óleo sobre tela e estabelecendo relações com a história da arte por meio de citações, apropriações e releituras.
É assim em “Silvas e Selva”, com um olhar que se volta à paisagem feita de árvores e rostos, mas também de memórias e experiências compartilhadas.
Semeado por Ploeg
Vale destacar que algumas das plantas levadas para as telas, foi o próprio Ploeg quem as semeou junto à família.
A natureza evocada na arte de Roberto Ploeg evoca a passagem do tempo e a experiência de acompanhar os ciclos da vida, a partir de sapotizeiros, mangueiras, flamboyants e cajueiros – pintados por ele. E pela primeira vez, o artista també retratou coqueiros.
“É muito forte você ver um ser nascer, crescer e morrer”, diz ele que, para além da vegetação, também se utilizou do sobrenome ‘Silva’, usualmente visto no Brasil.
Portanto, a passagem do tempo para Ploeg se faz presente nas árvores mas também em pessoas com este sobrenome e, para o artista, a figura humana é a sua paisagem preferida.
O Instituto
Instalado em um casarão na Boa Vista, o Instituto Ploeg é mantido pelo próprio artista desde 1999.
Além de funcionar como espaço artístico, é voltado também para a educação popular e movimentos sociais quando, em 2024, passou a funcionar como ateliê e local de realização de cursos de artes e de exposições.
“Meu método criativo e, por sinal, método de ensino de arte é baseado num tripé: observar, absorver, imaginar. A gente parte da observação da realidade, com atenção e afeto. A absorção é um processo pessoal e íntimo de integração dos sentidos”, reforça Ploeg.
SERVIÇO
Exposição “Selva e Silva”, de Roberto Ploeg
Quando: a partir de 7 de novembro até 19 de dezembro
Onde: Instituto Ploeg – Rua da Santa Cruz, 190, Boa Vista
Acesso gratuito
Informações: @atelier_ploeg // @institutoploeg
Acesso ao catálogo virtual do artista Roberto Ploeg: (81) 9 9961-5489.
Visitação: terças, quartas, sextas e sábados, das 9h às 16h; quintas-feiras, das 9h às 17h
