Adaptar um clássico da literatura, por si só, já carrega uma “responsa” daquelas. Agora, filmar um grande clássico literário que já possui uma adaptação vencedora digna de Oscar são outros quinhentos.
Nesta quinta-feira (29), a segunda adaptação do título de Jane Austen, “Razão e Sensibilidade”, chega aos cinemas brasileiros. A obra acompanha a história de amor e amizade entre duas irmãs que compartilham personalidades opostas.
Elinor (Daisy Edgar-Jones) e Marianne Dashwood (Esmé Creed-Miles), após perderem sua casa, se mudam para uma propriedade distante, onde enfrentam desafios financeiros e descobrem as complexidades do amor na Inglaterra do século XIX.
As responsáveis por pegar esse desafio foram a roteirista Diana Reid (escritora do premiado romance “Amor e Virtude”) e a diretora Georgia Oakley (“Blue Jean”). Foi em 1995 que Ang Lee dirigiu a primeira versão audiovisual da obra de 1811 de Jane Austen. Mas, afinal, para quê adaptar, três décadas depois – mais uma vez – um filme que já carrega nas costas uma adaptação de renome?
(Re)adaptação
Mas quem disse que não pode uma releitura do adaptado? Um grande título recebe uma ampla quantidade de olhares e, vez ou outra, compartilhar uma nova percepção de uma obra só faz acrescentar.
A ideia é propor uma abordagem que transcreva a obra para um cenário mais moderno. Se, em 1995, uma cena de casamento era pensada de um jeito, em 2026 esse cenário mudou. Logo, a busca é por tornar a obra mais palatável para esse novo público. Mas precisava?
Às vezes, é importante saber quando parar, mas o novo olhar pode aproximar uma nova audiência e trazer novos debates.
“Amei essa versão nova de ‘Razão e Sensibilidade’. Eu adoro como as protagonistas da Jane Austen são fortes e dramáticas, tudo ao mesmo tempo”, conta uma fã na rede social X.
Ao mesmo tempo, o novo modelo pode ameaçar as características da obra original.
“Ao colocar a relação das irmãs Dashwood em primeiro plano na clássica história de namoro de Jane Austen, a adaptação de ‘Razão e Sensibilidade’ de Georgia Oakley pode não superar as anteriores, mas conquista uma identidade própria e melancólica”, diz o Rotten Tomatoes sobre o consenso dos críticos da plataforma especializada em críticas de cinema e televisão.
Não que seja uma competição, mas é díficil ser comparada com uma obra que ganhou 97% de aprovação no Rotten Tomatoes em 1975. Já a nova adaptação, que teve sua estreia mundial em 15 de setembro deste ano, na Leicester Square, em Londres, está com 77% de aprovação na plataforma desde a última checagem.
Oscar?
A obra de Jane Austen talvez renda mais um Oscar. A atriz, Esmé Creed-Miles, 26, entrou na lista de cotadas para concorrer à premiação na categoria Melhor Atriz Coadjuvante. Enquanto a atriz ocupa a 17ª posição na lista, uma adversária curiosa ocupa o segundo lugar: sua mãe.
Samantha Morton integra o elenco de “A Odisseia”, produção de Christopher Nolan inspirada no poema épico de Homero. O longa acompanha a jornada de Odisseu, interpretado por Matt Damon.
Confira o trailer:
:
