A mulher do ator britânico Russell Brand, que responde em Londres a acusações de estupro e agressões sexuais, declarou nesta quinta-feira (29), perante o tribunal, que a monogamia era “difícil” para ele, mas que ele acabou se tornando um marido “extraordinário”.
Seis mulheres acusam Russell Brand, de 51 anos, de estupro e agressões sexuais, referentes a episódios que teriam ocorrido entre 1999 e 2009, período em que ele era um famoso humorista e apresentador de televisão.
Mulher do ator há nove anos, Laura Gallacher, de 39 anos, prestou depoimento nesta quinta. Ela tem comparecido à maioria das sessões do julgamento e aparece com frequência no canal de Russell Brand no YouTube, que conta com mais de seis milhões de inscritos.
— Russell, meu marido, é atencioso, gentil e um pai maravilhoso para nossos filhos. É um marido extraordinário, muito presente — declarou a mulher enquanto o ator a observava do banco dos réus.
Brand e Laura começaram a namorar em 2006, quando ela tinha 19 anos. No entanto, o relacionamento terminou porque Brand mantinha relações com outras mulheres, contou a esposa.
— Era evidente que para ele era difícil ser monogâmico — afirmou Laura Gallacher.
Após a separação, os dois mantiveram contato como amigos, mas não se viram entre 2011 e 2014. Por fim, casaram-se em 2017 e têm três filhos, vivendo atualmente na Flórida, nos Estados Unidos.
Russell Brand também foi casado brevemente com a cantora americana Katy Perry, entre 2010 e 2011. Em seu depoimento na quarta-feira, Russell Brand admitiu ter sido “obcecado” por sexo.
O julgamento contra o ator — que se tornou uma espécie de guru conservador e costuma expressar teorias da conspiração nas redes sociais — já está em sua fase final, e espera-se que o júri se retire para deliberar na terça-feira.
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Por causa deste julgamento, Russell Brand enfrenta uma possível pena de prisão perpétua, pena máxima por estupro. Ele nega as acusações, afirmando que, embora tenha tido uma vida sexual muito ativa no passado com diversas parceiras, todas as suas relações foram consensuais.
Julgamento em curso
O julgamento com júri, no Tribunal da Coroa de Southwark, em Londres, começou há duas semanas, e as seis mulheres que o denunciaram prestaram depoimento.
O ator havia afirmado à polícia que não se lembrava de nenhuma delas, mas, na quarta-feira, reconheceu que alguns dos episódios lhe vieram à mente.
O ator recordou ter conhecido a primeira denunciante — que o acusa de tê-la estuprado em 1999 — após um espetáculo em Bournemouth, no sul da Inglaterra, durante a conferência do Partido Trabalhista. Brand disse que, após conhecê-la, “esperava e acreditava que existia, pelo menos, a possibilidade de manter relações sexuais”, e insistiu que a mulher havia consentido com elas.
— O consentimento é fundamental, essencial, necessário e, de fato, em muitos sentidos, mais importante do que o próprio sexo — declarou Brand em seu primeiro depoimento, quando compareceu ao julgamento na quarta-feira (28).
O ator afirmou não se lembrar de outro incidente, no qual uma mulher relatou que ele teria tentado arrastá-la para um banheiro nas instalações do canal de televisão americano MTV, em 2001.
Brand também negou ter apalpado o seio de outra mulher em 2004 e classificou esse comportamento como “obviamente repugnante”.
A mulher o acusa de tê-la submetido a um ato sexual oral forçado em um banheiro, após ambos terem se conhecido em um bar — alegação que Brand nega.
O ator também negou a acusação de ter apalpado, contra a vontade dela, uma funcionária de uma emissora de rádio.
