Michael Douglas não recebeu parte da herança deixada pelo pai, Kirk Douglas, por uma decisão deliberada do veterano ator de Hollywood: priorizar a filantropia em vez de transferir a maior parte de seu patrimônio aos familiares.
Quando morreu, em fevereiro de 2020, aos 103 anos, o astro tinha uma fortuna estimada em US$ 61 milhões, dos quais aproximadamente US$ 50 milhões foram destinados à Fundação Douglas, segundo o jornal britânico Daily Mirror.
A escolha estava alinhada ao compromisso social cultivado por Kirk ao longo da vida. Criada em 1964 pelo ator e sua mulher, Anne Buydens, a instituição financia iniciativas voltadas a pessoas em situação de vulnerabilidade.
Os recursos foram direcionados a organizações ligadas à educação, à saúde e ao desenvolvimento infantil, entre elas a Universidade St. Lawrence, o Templo Sinai de Westwood, o Centro de Infância do Hospital Infantil de Los Angeles e o Teatro Kirk Douglas.
A exclusão de Michael do testamento não significava, porém, que o filho enfrentasse dificuldades financeiras.
Com uma carreira consolidada como ator e produtor, ele conquistou independência econômica e acumulou uma fortuna estimada em US$ 300 milhões, de acordo com o portal Finance Monthly.
Esse cenário ajuda a contextualizar a decisão paterna, embora não haja informações públicas detalhadas que permitam afirmar que a condição financeira do filho tenha sido o motivo determinante para a distribuição dos bens.
Filantropia
A trajetória de Kirk ajuda a compreender sua escolha. Filho de imigrantes russos, ele cresceu em meio à pobreza nos Estados Unidos e, depois de alcançar o estrelato, passou a dedicar parte de seus recursos a iniciativas de interesse coletivo.
O trabalho beneficente lhe rendeu reconhecimentos públicos, como o Jefferson Award, concedido em homenagem a contribuições relevantes para a sociedade.
Dos US$ 61 milhões atribuídos ao patrimônio do ator, os cerca de US$ 11 milhões que não foram destinados à fundação não tiveram sua distribuição detalhada publicamente.
Avaliações mencionadas por analistas do setor apontaram que a quantia pode ter sido utilizada para despesas legais, compromissos trabalhistas e repasses privados de menor valor.
Michael, por sua vez, manifestou publicamente orgulho pelo legado humanitário do pai, sinalizando que a decisão não contrariava os valores que a família procurava cultivar.
Também envolvido em causas sociais, o ator atua como Mensageiro da Paz das Nações Unidas e apoia iniciativas relacionadas ao desarmamento, aos direitos humanos e à preservação ambiental.
Assim, a opção de Kirk Douglas por destinar a maior parte de seus bens à caridade se insere em uma tradição familiar de apoio a causas beneficentes.
