O circo contemporâneo ocupa o Recife e cidades da Região Metropolitana entre 30 de outubro e 8 de novembro.
Em sua 20ª edição, o Festival de Circo do Brasil reúne artistas nacionais e internacionais em uma programação que articula acrobacia, palhaçaria, dança, teatro, música, audiovisual e artes visuais.
Com o tema “Rebuliço”, o evento celebra duas décadas de trajetória e destaca a diversidade da produção circense.
Realizado pela Luni Produções, o festival tem patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e realização do Ministério da Cultura e do Governo do Brasil.
A iniciativa conta ainda com apoio do Programa Iberescena 2025/2026 e de instituições culturais e órgãos públicos.
A abertura acontece em 30 de outubro, às 18h, no Paço do Frevo, com entrada gratuita. Entre as atrações estão “Frevo Rebuliço”, da multiartista pernambucana Beatriz Nascimento; “Isla of Flightless Birds”, da portuguesa Companhia Através; “Bath-Flop”, da francesa Barbara Probst; e “Hold On”, experiência de realidade virtual da Cie Fheel Concepts.
A noite também marca a abertura da exposição “Rebuliço”, da Casa do Cachorro Preto, com curadoria de Raoni Assis e Sheila Oliveira, e o lançamento do livro “Somos Todos Rios – Uma Vida de Circo do Asfalto”, de Raquel Lima, Fran Marinho e Douglas Marinho.
Para Dani Hoover, diretora e curadora do festival, o tema representa a disposição do evento para experimentar e aproximar diferentes expressões artísticas.
“Rebuliço é movimento, mistura, transformação e festa. Queremos celebrar esses 20 anos sem perder de vista o que o circo está criando hoje, os diálogos entre diferentes linguagens e os encontros que aproximam artistas e públicos de diversas origens. É essa inquietação que mantém o Festival vivo”, afirma.
Parque Santana reúne circo e cultura popular
Nos dias 31 de outubro e 1º de novembro, o Parque Santana – Ariano Suassuna, no Recife, recebe uma programação gratuita com espetáculos, música, manifestações populares, feira de economia criativa e atividades para diferentes idades.
Entre os destaques internacionais estão “B.O.B.A.S.”, da espanhola Cia Jimena Cavalletti, que transforma um cortejo fúnebre em comédia musical, e “Kinematos”, da argentina ManoAmano, com acrobacias de equilíbrio a seis metros de altura. A programação portuguesa inclui “Um Belo Dia”, solo de Dulce Duca que combina circo, dança e teatro físico.
A companhia paraibana Circo do Asfalto apresenta “Gran Circo Opará”, inspirado nas tradições das comunidades ribeirinhas do Rio São Francisco, e “Show da Percha”, que mistura palhaçaria e acrobacia.
A cultura popular pernambucana ganha espaço com o Samba de Coco Raízes de Arcoverde, no sábado (31), e o cortejo do Maracatu Nação Erê, protagonizado por crianças e adolescentes, no domingo (1º).
Durante os dois dias, o público também poderá visitar a Feira Na Laje e participar das Vivências Circenses, com atividades de acrobacia, malabarismo, equilíbrio e técnicas aéreas.
No domingo, a programação começa às 10h, com uma aula de ioga, e as apresentações circenses têm início a partir das 14h.
A agenda inclui ainda a Oficina e Vivência Artística Orun Pra Erê, conduzida pelo artista e educador Orun Santana, que aproxima crianças das tradições afro-pernambucanas.
Espetáculos ocupam os teatros
Os teatros do Recife recebem montagens que exploram temas como ancestralidade, racismo, espiritualidade e relações humanas por meio de acrobacia, dança, teatro físico e palhaçaria.
No Teatro de Santa Isabel, a argentina Sofía Galliano apresenta “Velar la Noche”, em 5 de novembro, enquanto o Coletivo Instrumento de Ver (DF) encena “Assum Preto”, nos dias 6 e 7, com referências afro-brasileiras e reflexões sobre racismo e resistência.
Em 8 de novembro, o Palhaças Futebol Clube (PE) apresenta “Rebuliço no Cabaré das Palhaças”, criação inédita que transforma diferentes ambientes do teatro em espaços de intervenção cênica.
No Teatro do Parque, o Coletivo Prot{agô}nistas (SP) leva ao palco “{FÉ}STA”*, nos dias 7 e 8, em uma combinação de acrobacia, música ao vivo, dança e poesia.
Já o Teatro Apolo recebe “El Folk Chou!”, do grupo mexicano Les Cabaret Capricho, nos dias 3 e 4 de novembro.
No dia 5, a pernambucana Cia Devir apresenta gratuitamente “Nove Tentativas de Não Sucumbir”. Barbara Probst retorna ao espaço nos dias 7 e 8 com “Bath-Flop”, comédia física que tem uma banheira como elemento central.
Circo chega a espaços comunitários
A programação gratuita também contempla equipamentos culturais e espaços comunitários do Recife e de Olinda. Em 7 de novembro, a Oficina Francisco Brennand recebe duas sessões de “Idiòfona”, do espanhol Joan Català, que explora a sonoridade de objetos metálicos em uma instalação participativa.
No dia 4, às 19h30, a Escola Pernambucana de Circo, na Macaxeira, recebe “Circo Science – Do Mangue ao Picadeiro”, da Trupe Circus (PE). No mesmo horário, o Centro de Arte e Cultura Grupo Bongar, em São Benedito, Olinda, apresenta “Sementes do Riso”, dos Palhaços Sem Fronteiras Brasil.
Em Camaragibe, o Circo do Asfalto apresenta “Show da Percha” no dia 3 de novembro, em frente à Escola Municipal São José, em Aldeia, em atividade voltada a estudantes e moradores da região.
Outro destaque é “Mau Perdedor”, do argentino Tato Villanueva. A montagem acompanha um estrangeiro que não compreende o idioma local e enfrenta situações absurdas, explorando a comunicação para além das palavras.
“A presença do Festival em equipamentos culturais e espaços comunitários amplia o acesso à arte circense e fortalece o diálogo com públicos de diferentes territórios. Queremos que o circo chegue cada vez mais perto das pessoas”, afirma Dani Hoover.
Cinema, artes visuais e literatura
De 4 a 8 de novembro, o Cine Circo promove sessões gratuitas ao ar livre no Parque Apipucos, em parceria com o Cine Apipucos. Com curadoria de Luiz Joaquim, a mostra reúne cinco filmes sobre o universo circense, entre eles “O Circo Voltou”, de Paulo Caldas; “Os Pobres Diabos”, de Rosemberg Cariry; “O Palhaço”, de Selton Mello; e o clássico “O Circo”, de Charles Chaplin.
No Paço do Frevo, a exposição “Rebuliço” reúne obras de 17 artistas pernambucanos em desenhos, pinturas e esculturas inspirados no imaginário circense. Com curadoria de Raoni Assis e Sheila Oliveira, a mostra fica em cartaz até 29 de novembro.
A literatura integra a programação com o lançamento de “Somos Todos Rios – Uma Vida de Circo do Asfalto”, livro que revisita mais de duas décadas da companhia paraibana, entre viagens, processos criativos e encontros com comunidades brasileiras.
Formação e intercâmbio internacional
O festival também investe na formação de artistas e no desenvolvimento de novas criações. O LAB FCB – Laboratório de Pesquisa, Formação e Criação Circense, conduzido pelo argentino Tato Villanueva, é voltado a artistas pernambucanos e conta com incentivo da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB).
A programação inclui as residências artísticas “Que Tempo é Teu?”, de Camila Gatis, e “A Mala”, de Beatriz Nascimento, além de “Pequenos Abismos”, trabalho em processo de criação de Márcio Sá. O Teatro Hermilo Borba Filho recebe apresentações gratuitas dos resultados dessas atividades e a mostra final do laboratório.
No mesmo teatro, em 4 de novembro, das 14h às 17h, acontece o Fala Circo – Encontro com Programadores, que reúne profissionais do Brasil e de outros países para discutir a circulação de espetáculos e ampliar as conexões entre a produção local e o circuito internacional.
Duas décadas de história
Criado em 2004 pela Luni Produções, o Festival de Circo do Brasil realizou, ao longo de 19 edições, mais de 700 apresentações, reuniu 360 atrações e alcançou cerca de um milhão de pessoas em mais de 230 espaços culturais.
O evento já recebeu companhias de países como França, Espanha, Itália, Argentina, México, Canadá, Colômbia e Quênia. Em 2025, realizou sua primeira edição internacional, em Toulouse, na França, como parte do Ano Brasil-França, em parceria com a La Grainerie – Fabrique des Arts du Cirque et de l’Itinérance.
Em 2026, a colaboração com o Programa Iberescena foi renovada pelo segundo ano consecutivo. A edição comemorativa reúne espetáculos, atividades gratuitas, ações formativas e encontros profissionais, reafirmando o compromisso com a democratização do acesso à cultura e o fortalecimento do circo contemporâneo.
SERVIÇO
20º Festival de Circo do Brasil – Rebuliço
Quando: 30 de outubro a 8 de novembro de 2026
Onde: Vários espaços/locais no Recife-PE
Abertura oficial: 30 de outubro, a partir das 18h
Onde: Paço do Frevo – Praça do Arsenal da Marinha, 91, Bairro do Recife – Recife-PE
Ingressos: à venda no Sympla
Instagram:@festivaldecircodobrasil
