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Em turnê no Recife, Luedji Luna fala sobre Carnaval, mercado musical, política e outros assuntos

Em turnê no Recife, Luedji Luna fala sobre Carnaval, mercado musical, política e outros assuntos


De volta ao ponto de partida, a cantora e compositora Luedji Luna apresenta o show da turnê “Um Mar Pra Cada Um, Antes Que A Terra Acabe”, neste sábado (17), a partir das 21h, na Concha Acústica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com ingressos pela plataforma Shotgun. No último mês de agosto, o público pernambucano teve o privilégio de ouvir a artista interpretar pela primeira vez as canções dos seus últimos e premiados dois álbuns, ambos de 2026, agora entrelaçados em um só espetáculo.


A Concha Acústica, por sinal, foi exatamente o mesmo palco em que a artista baiana experimentou, no dia 3 de agosto, as canções da circulação nacional desse novo projeto. Um dia antes daquele show, ela estava entre as atrações do Festival Pernambuco Meu País, em Buíque, no Agreste. Foi por aqui, portanto, que fez os ajustes finais para a estreia oficial da turnê no Vivo Rio, no Rio de Janeiro, seis dias depois.




“Fico muito feliz, muito honrada de poder voltar para esse lugar que me recebeu muito bem desde o lançamento da turnê”, comemora a artista. A programação do evento inclui a discotecagem de DJ BrendB, antes do show de Luedji, que recebe a participação da cantora Bela Maria. Encerrando a noite, o Baile Chrome Rec segue madrugada adentro.

Ouça o álbum “Um Mar Pra Cada Um”:

Nordeste

O show do Recife também encerra a etapa da turnê mais voltada às regiões Norte e Nordeste. A circulação por essas regiões começou em Fortaleza (CE) e já passou por São Luís (MA), Belém (PA) e agora encerra na capital pernambucana, com incentivo do edital Natura Musical, que viabilizou a logística robusta necessária para um espetáculo envolvendo uma grande estrutura e equipe de profissionais.


O recorte foi idealizado pela própria artista desde a elaboração do projeto para o edital. Nascida em Salvador, Luedji reconhece nesses territórios sua própria trajetória. “A gente sabe da dificuldade que é circular em outros territórios do país que não seja o Sul e o Sudeste, principalmente. Que bom que eu fui contemplada [pelo edital] e estou conseguindo circular nesses estados”, reflete a cantora, que faz questão de se afirmar politicamente como uma artista baiana e nordestina.

Carnaval

Luedji destacou sua relação com o Carnaval de Recife e Olinda, que lhe deixou encantada. “Tenho amigos, amigas aí. Eu já toquei algumas vezes em Recife. Adoro a cidade. Cantei no Carnaval desse ano no Marco Zero, no Recife, que tem essa estrutura de show, um palco no centro da praça, com vários shows. O que é interessante, parece um festival. Cantei e toquei abê no encontro dos maracatus. Quando eu morava em Salvador fazia parte do coletivo Bando Cumatê”, relembra Luedi.


“E também conheci o Carnaval de Olinda que é esse Carnaval de rua, onde você vê criança, onde você vê velho, jovem e você vê várias gerações reunidas celebrando a tradição. Eu gostei também, gosto muito. Muito bom. O Carnaval lá na Bahia é fantástico também. É completamente outro movimento, outra energia. E eu gosto das diferenças assim, sei que tem uma rixa, uma treta e essa competição, de qual o Carnaval é o melhor, não tem comparação, não tem como comparar Carnaval, cada um tem seu jeito”, avalia.

Reconhecimento

“Um Mar Pra Cada Um”, quarto álbum de estúdio de Luedji, conquistou o Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Música Popular Brasileira/Música Afro-Portuguesa Brasileira. Já “Antes Que A Terra Acabe” concorre ao Grammy Latino 2026 na categoria “Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa”. Costurando os dois álbuns elogiados pela crítica, a artista também se abre à experimentação e celebra sua maturidade artística.


Com seus trabalhos mais recentes, Luedji também conquistou o prêmio de Melhor MPB no Prêmio Multishow, por “Apocalipse”; foi eleita Cantora do Ano pelo WME; venceu Álbum MPB do Ano pelo Tenho Mais Discos Que Amigos e a categoria Música do Prêmio Miguel Arcanjo. A artista ainda foi nomeada Artista do Ano pela APCA e recebeu dois troféus no Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira, como Melhor Artista Pop e Melhor Lançamento Pop, por “Antes Que A Terra Acabe”.

Ouça Antes que a Terra Acabe”:

Em comum aos dois discos, temas como o amor, o desejo, a vulnerabilidade e as transformações da vida, marcados por questões íntimas e coletivas. “Lancei os dois discos em um curto período de tempo e espaço curto entre um e outro. E aí para mim não fazia sentido não contemplar dois repertórios. Para não ficar um show muito longo, não canto todas as músicas, mas eu tentei abarcar boa parte dos dois repertórios. E o show tem tido uma receptividade muito grande, tem dado certo. Eles foram abraçados como se fosse um trabalho só”, comemora.


Ventos do mercado

A autoralidade e originalidade do trabalho de Luedji, durante toda a sua trajetória na música, não foram moldadas por demandas comerciais. “O mercado é muito cinético. Eu quero dizer que ele se movimenta, ele muda o tempo todo. Se o artista ficar à mercê de todas essas mudanças, ele não vai ter uma assinatura própria do que da sua da sua identidade. Ele fica à deriva dessas mudanças. Então, eu sou o que eu sou, eu faço o que eu faço, eu faço o que eu posso. E o que eu tenho para entregar é isso”, defende a artista.


“O mercado vai mudar o tempo todo, há uns anos, a coisa mais pop que tinha era o rock and roll, na época da MTV. Aí depois veio o reggae, a face do reggae, agora a face desse pop que tem referência do pop internacional. O mundo muda, o mercado muda, eu só posso ser honesta com a minha música, com o que eu sou, e comigo mesma. O artista que tem o comprometimento com a sua música, única e exclusivamente com a sua verdade, são são os que fazem essa música que é atemporal”, avalia Luedi.


Arte e política

Em tempos em que o posicionamento político – ou a falta dele – gera polêmica nas redes, Luedji não se isentou de tomar posição, às vésperas de uma eleição tão decisiva para o Brasil. “Eu sou um corpo político. Eu sou filha de militante, independente de eleição. Eu tô sempre me posicionando pelo que eu acho certo, pelo que eu acho justo. Para mim não é uma cobrança, não é nada que não seja natural mesmo da minha história, da minha trajetória”, comenta.

“Acho que quem me escuta desde lá de um corpo no mundo sabe que eu me posiciono politicamente, não só artisticamente e musicalmente. Ou seja, nas letras, mas também com as minhas escolhas estéticas, com as minhas escolhas profissionais. Nos lugares que eu escolho estar e não estar, o que eu escolho ceder ou não”, afirma Luedji.

SERVIÇO:

Luedji Luna: “Um Mar Pra Cada Um, Antes Que A Terra Acabe”, com participação de Bela Maria

Quando: 17 de outubro (sábado)

Onde: Concha Acústica da UFPE, Cidade Universitária, Recife -PE.

Ingressos na plataforma Shotgun



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