SÃO PAULO – O Ministério do Turismo de Israel pretende manter os investimentos no mercado brasileiro, com ações de promoção conjunta, capacitação de profissionais e apoio à comercialização do destino. O compromisso foi reforçado nesta quarta-feira (14), durante um encontro com agentes de viagens, operadoras e representantes da imprensa realizado no Clube Hebraica, em São Paulo.
Com o turismo internacional ainda impactado pela instabilidade geopolítica, o evento reuniu representantes do Ministério do Turismo de Israel e do setor brasileiro para apresentar perspectivas de recuperação, discutir os desafios da comercialização e reforçar o relacionamento com a cadeia de distribuição.
Na abertura, Paulo Barbosa, diretor do Ministério do Turismo de Israel no Brasil, destacou a importância da parceria construída com os profissionais do setor nos últimos anos e afirmou que o trabalho da instituição continua ativo. “Nós estamos aqui, nós não paramos e o nosso trabalho continua ativo todos os dias”, declarou Barbosa, ao reforçar o compromisso do Ministério com o mercado brasileiro.
Segundo o executivo, a atuação no Brasil continuará voltada ao diálogo com operadoras e agências de viagens, à identificação de demandas e à construção de soluções conjuntas. Entre as iniciativas previstas estão campanhas cooperadas, capacitações técnicas, apoio a novas rotas aéreas e participação em feiras e eventos do setor.
Barbosa também destacou os investimentos realizados por Israel para modernizar a infraestrutura turística, qualificar serviços e ampliar a oferta hoteleira. A estratégia, segundo ele, busca preparar o país para receber visitantes com maior capacidade e qualidade quando a demanda internacional voltar a crescer.
Ainda durante a manhã, o panorama do destino e as perspectivas para a região foram apresentados por Yosef Penhos, diretor e representante do Ministério do Turismo de Israel para Espanha e América Latina. O executivo destacou a importância de fortalecer a presença de Israel nos mercados latino-americanos e ampliar o fluxo de visitantes provenientes da região.
Braztoa avalia impactos do conflito e perspectivas de retomada
A capacidade de adaptação do turismo diante de cenários de instabilidade foi um dos temas abordados por Marina Figueiredo, presidente executiva da Braztoa, durante o encontro. Ao analisar os efeitos do conflito no Oriente Médio, a executiva destacou como as operadoras precisam ajustar suas estratégias para lidar com mudanças nos planos dos viajantes, sem perder de vista as oportunidades de recuperação dos destinos.
“O turismo se tornou extremamente resiliente, criativo”, afirmou Marina. Essa capacidade de resposta, no entanto, é colocada à prova quando os impactos de uma crise ultrapassam as fronteiras dos países diretamente envolvidos. Alterações nas rotas aéreas e nas conexões pelo Oriente Médio, por exemplo, podem comprometer viagens para outros mercados e afetar o planejamento de passageiros que sequer tinham a região como destino final.
Para avaliar esses reflexos sobre a atividade, a Braztoa realizou, em agosto, um levantamento com suas operadoras associadas. A análise considerou os efeitos do conflito sobre destinos e operações turísticas, em um cenário no qual mudanças na conectividade também interferem na comercialização de viagens para outras partes do mundo.
No caso de Israel, Marina chamou a atenção para uma particularidade do comportamento do viajante: o adiamento de uma viagem não significa necessariamente a desistência do destino. Diante da instabilidade, o turista pode escolher outro roteiro naquele momento e deixar Israel para uma ocasião mais favorável. “Ele não trocou Israel por aquela viagem”, explicou a executiva, ao diferenciar uma mudança temporária de planos da perda definitiva de interesse.
Essa perspectiva também influencia a forma como o mercado deve se preparar para a retomada. Mesmo quando as vendas são afetadas, manter o diálogo entre operadoras, fornecedores, companhias aéreas e o destino ajuda a antecipar demandas, organizar grupos e estruturar produtos para quando as condições de viagem melhorarem. Marina também destacou o apoio recebido do Ministério do Turismo de Israel e dos fornecedores locais para administrar cancelamentos, remarcações e alterações nos itinerários durante o período de instabilidade.
Para Marina, a demanda por Israel deve ganhar força quando as condições permitirem a retomada das viagens. “Vai voltar com força total”, afirmou a presidente executiva da Braztoa.
