Viajar de avião faz parte da rotina de quem se desloca a trabalho, férias ou para visitar familiares. Em trajetos de longa duração, porém, o período em que o passageiro permanece sentado pode exigir alguns cuidados relacionados à circulação sanguínea. O tema ganha destaque nesta terça-feira (13), Dia Mundial da Trombose, data criada para ampliar a conscientização sobre a doença, seus fatores de risco, sintomas, prevenção e tratamento.
A trombose ocorre quando um coágulo, também chamado de trombo, se forma dentro de um vaso sanguíneo. Uma das formas mais conhecidas é a trombose venosa profunda (TVP), que geralmente atinge veias profundas das pernas. Em alguns casos, parte do coágulo pode se desprender e chegar aos pulmões, provocando uma embolia pulmonar, que pode representar uma emergência médica.
A data de 13 de outubro foi escolhida pela International Society on Thrombosis and Haemostasis (ISTH) em referência ao aniversário de Rudolf Virchow, médico e pesquisador alemão associado ao desenvolvimento do conceito de trombose. A campanha busca ampliar o conhecimento sobre a condição e incentivar a identificação dos fatores de risco e dos sinais que exigem atendimento.
Trombose em voos: por que viagens longas exigem atenção
O principal fator relacionado às viagens é a imobilidade. Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), deslocamentos com duração superior a quatro horas podem aumentar o risco de formação de coágulos, seja em avião, carro, ônibus ou trem. O risco absoluto, entretanto, permanece baixo para a maioria dos viajantes.
Durante um voo longo, o passageiro pode passar várias horas sentado, com pouco espaço para movimentar as pernas. A redução dos movimentos pode dificultar o retorno do sangue das pernas para o coração e favorecer sua estagnação nas veias. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também relaciona viagens prolongadas, com mais de quatro horas, ao aumento do risco de tromboembolismo venoso.
O CDC explica que o risco não é igual para todos os passageiros. Entre os fatores que podem aumentar a possibilidade de formação de coágulos estão idade mais avançada, excesso de peso ou obesidade, cirurgia ou lesão recente, uso de medicamentos que contêm estrogênio, gravidez e período pós-parto, histórico anterior de trombose, distúrbios hereditários de coagulação, histórico familiar, câncer ativo ou tratamento recente contra a doença e mobilidade limitada.
O Ministério da Saúde também aponta a dificuldade de movimentação durante viagens longas de avião e ônibus como um dos fatores associados à trombose. A orientação é especialmente relevante para passageiros que já apresentam alguma predisposição.
Como reduzir o risco durante o voo
Uma das principais medidas recomendadas é evitar permanecer na mesma posição durante todo o trajeto. O CDC orienta que passageiros em viagens longas movimentem as pernas com frequência e, quando possível, caminhem pelo corredor a cada uma ou duas horas. Exercícios simples com os pés e tornozelos também podem ajudar a estimular a circulação.
Durante o período sentado, o passageiro pode estender as pernas e flexionar os tornozelos, movimentando os pés para cima e para baixo. Outra possibilidade é alternar a posição das pernas e evitar permanecer imóvel por longos períodos.
O Ministério da Saúde recomenda não permanecer mais de duas horas parado na mesma posição durante um voo. A pasta também orienta o uso de roupas confortáveis e que não provoquem compressão. A hidratação também aparece entre as recomendações do Ministério da Saúde. A orientação é consumir líquidos, principalmente água, durante a viagem. A ida ao banheiro, além de fazer parte da rotina do passageiro, também contribui para que ele se levante e interrompa o período prolongado sentado.
As meias de compressão, por sua vez, não devem ser tratadas como uma recomendação geral para todos os passageiros. De acordo com o CDC, algumas pessoas que apresentam maior risco podem se beneficiar de meias de compressão graduada, mas a indicação deve ser discutida com um médico. O Ministério da Saúde também recomenda que as meias elásticas medicinais sejam prescritas por um profissional e utilizadas de maneira adequada.
Pessoas que já utilizam anticoagulantes devem seguir a orientação médica durante a viagem. O uso de anticoagulantes ou qualquer outro medicamento com o objetivo de prevenir trombose não deve ser iniciado por conta própria.
Plano de saúde também entra no planejamento da viagem
Além dos cuidados durante o voo, passageiros que têm fatores de risco para trombose devem considerar a assistência médica disponível no destino. Antes de uma viagem internacional, vale verificar junto ao plano de saúde quais são as condições de cobertura fora do local de contratação, especialmente em situações de urgência e emergência.
A cobertura de um plano de saúde brasileiro no exterior não deve ser presumida, o passageiro precisa consultar previamente a operadora para saber se existe algum tipo de atendimento ou assistência internacional incluído no contrato. Quando não houver cobertura fora do Brasil, o seguro viagem pode ser uma alternativa para despesas médicas durante a estadia, conforme as condições e limites da apólice.
Para quem já teve trombose, utiliza anticoagulantes ou apresenta outros fatores de risco, também é importante levar os medicamentos de uso contínuo em quantidade suficiente para o período da viagem e manter a prescrição ou documentação médica necessária. A decisão sobre medicamentos para prevenção de trombose durante o voo deve ser feita por um profissional de saúde, e não pelo passageiro por conta própria.
Passageiros que já tiveram trombose ou possuem histórico familiar de coágulos devem conversar com um médico antes de uma viagem longa. A avaliação também é indicada para pessoas que apresentam outros fatores de risco, como cirurgia recente, determinados tratamentos hormonais, câncer, gravidez, período pós-parto ou mobilidade reduzida.
Em viagens internacionais, o viajante também pode consultar antes do embarque quais serviços médicos estão disponíveis no destino e quais documentos são necessários para acionar a assistência. A preparação é especialmente relevante quando existe uma condição de saúde prévia ou possibilidade de necessidade de atendimento durante a viagem.
Sintomas que merecem atenção após o voo
Segundo o CDC, a maior parte dos casos de tromboembolismo associado a viagens aéreas ocorre nas primeiras semanas após o voo, embora o risco diminua com o passar do tempo e retorne ao nível habitual em até oito semanas. A trombose venosa profunda pode não apresentar sintomas em parte dos casos. Quando eles aparecem, os sinais mais comuns incluem inchaço, dor ou sensibilidade sem causa aparente, aumento da temperatura e alteração da coloração da pele, geralmente em uma das pernas ou braços.
Já a embolia pulmonar pode provocar dificuldade para respirar, aceleração ou irregularidade dos batimentos cardíacos, dor ou desconforto no peito, tosse, inclusive com sangue, tontura ou desmaio. Esses sintomas exigem atendimento médico imediato.
O Ministério da Saúde cita o inchaço na panturrilha, acompanhado ou não de dor e calor local, como um dos sinais que podem estar relacionados à trombose. A recomendação é procurar assistência médica diante de sintomas que possam indicar a formação de um coágulo.
Assim, passageiros que desembarcarem de uma viagem longa e apresentarem sintomas compatíveis com trombose ou embolia pulmonar não devem atribuí-los automaticamente ao cansaço da viagem. A avaliação médica é necessária para identificar a causa.
