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Mostra Internacional de Cinema de São Paulo celebra 50 edições; confira entrevista

Mostra Internacional de Cinema de São Paulo celebra 50 edições; confira entrevista


A partir desta quarta-feira (14), os paulistanos, e não só eles, iniciam a sua esperada anual quinzena de prazeres cinematográficos. É a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo que começa robusta em sua 50ª edição, trazendo 380 filmes de 93 países espalhados em 57 salas de cinema e outros espaços da capital paulista. O filme que abrirá a Mostra é Tigre de Papel, do homenageado desta edição, o cineasta James Gray. A propósito da homenagem, a diretora da Mostra, Renata de Almeida, compartilha nesta entrevista a importância de se jogar luz também sobre um cinema mais elaborado técnica e criativamente. Confira.




A 50ª edição de qualquer evento é marcante. Isso foi intimidador na composição desta edição?

Há uma grande expectativa todos os anos em torno da Mostra. E neste ano ela foi intimidadora sim, mas nós vamos atendê-la. Agora, o resultado é fruto sempre de muito trabalho e cada vez mais ferramentas, como a Lei Rouanet, por exemplo, parecem quase uma verba extra para promover as empresas, e ela não foi criada com esse intuito. A lógica do marketing costuma valorizar o que é novo, e o desinteresse pela história é grande. A roda da cultura não deveria funcionar assim.


A Mostra homenageia este ano James Gray, mas também o indiano S. S. Rajamouli e o português Paulo Branco. Queria que comentasse essas escolhas!

James Gray é um dos grandes diretores da nossa atualidade. Ele fala das relações humanas sem esquecer das questões políticas, mesclando tudo com um cuidado cinematográfico notável. É importante homenagear um profissional com o seu apuro. Chamar a atenção para o bom cinema. Quando a gente homenageia James Gray, a gente tá dizendo que o cinema também é cuidado técnico e criativo. E trazer o S.S. Rajamouli e destacar um trabalho de olhar para a Índia que a Mostra começou há alguns anos. Já o Paulo Branco é um produtor com mais de 300 filmes no currículo, tendo passado não só pelo cinema português e o europeu, mas também o norte-americano. É um exemplo de alguém que faz cinema como pode e gera filmes corajosos.


As séries para a TV já tiveram espaço na Mostra, mas agora as brasileiras ganharam destaque nesta edição!

Desde “The kingdom” [de Lars Von Trier] que a gente flerta com as séries. Neste ano, entre os nacionais, dois destaques são Sócrates brasileiro, de Walter Salles, e Leve Chico, de Marianna Brennand. São séries com qualidade cinematográfica. Então, o que fizemos foi só criar um programa com o nome “Mostra em Série”, ou seja, estamos só organizando algo que já existia de maneira anárquica na Mostra.


50 edições dão muitas histórias e algumas estão no seu livro que está lançando: “Antes que eu me esqueça”. Qual foi o critério de composição do livro?

A ideia do livro nasceu há dois anos, mas um ano inteiro foi só para pensar no formato. Cheguei a conclusão que teria de escrevê-lo num tom pessoal. Eu falo de opções que deram erradas, como as consertamos, de como fazer melhor no passo seguinte, falo de mal-entendidos e como consertar as coisas e, claro, tem muitos “causos” pitorescos. É uma perspectiva a partir da 13ª edição, quando entrei na Mostra. Os parâmetros são os que vivi, daí entra o processo da doença do Leon Cakoff a maternidade e o trabalho. Estou feliz com o resultado. Acho que ficou gostoso de ler.

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