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Amparo 60 explora a força dos materiais na ART.PE 2026, com “Ígneas, Magmáticas e Magnéticas”

Amparo 60 explora a força dos materiais na ART.PE 2026, com “Ígneas, Magmáticas e Magnéticas”


A relação entre matéria, tempo e transformação orienta a participação da Galeria Amparo 60 na ART.PE 2026.


Com o projeto “Ígneas, Magmáticas e Magnéticas”, assinado pela curadora Ariana Nuala, o espaço ocupa o estande G31 da feira, que acontece de 15 a 18 de outubro, no Recife Expo Center. A recepção para convidados está marcada para a quarta-feira (14).


Presença consolidada no circuito artístico

Integrante da ART.PE desde sua estreia, a Amparo 60 acompanha a expansão do evento e sua projeção no cenário brasileiro das artes visuais. Para a galerista Lúcia Santos, a continuidade dessa participação reflete uma aposta na inserção de Recife nos circuitos nacional e internacional da arte contemporânea.


“Ao longo desses últimos anos vimos um crescimento muito importante deste evento, consolidando Recife no circuito de feiras nacionais. Essa disposição, esse ímpeto de nos fazer presentes nesse mapa da arte contemporânea nacional e internacional é algo que está na essência da Amparo 60 e ficamos muito felizes de ver toda essa movimentação por aqui”, afirma.





A matéria como registro de transformação

O núcleo expositivo apresenta trabalhos de Ana Neves, Anti Ribeiro, Clara Moreira, Cristiano Lenhardt, Diogum, Fefa Lins, Hildebrando de Castro, Isabela Stampanoni, Marcelo Silveira, Márcio Almeida, Marlan Cotrim e Ramsés Marçal, artistas representados pela galeria.


A seleção também incorpora as produções dos convidados Xinga Xow, de Pernambuco, e Antônio Breno, do Ceará.


Mais do que a diversidade de suportes, o projeto estabelece conexões entre as obras a partir dos procedimentos empregados em sua elaboração. Carvão, ferrugem, cerâmica, esmalte, cobre e pigmentos minerais integram um repertório que remete à ação do calor e às mudanças provocadas nos materiais.


O conjunto inclui pinturas, desenhos, gravuras, esculturas de ferro e madeira, tecidos coloridos por tingimento e peças confeccionadas com fibras, couro e palha.


Nessa perspectiva, marcas de oxidação, queima, fusão e acúmulo deixam de ser apenas características físicas para participar da construção de sentido das obras. As superfícies funcionam como registros dos processos que as constituíram, tornando perceptíveis as alterações sofridas pela matéria.


A curadoria também estabelece um diálogo com a artista cubano-americana Ana Mendieta, conhecida por trabalhos que relacionam corpo e natureza. Em sua produção, a terra e o fogo participam da criação artística, enquanto vestígios e marcas de combustão assumem papel central na composição.


Entre a destruição e o nascimento

A presença recorrente do vermelho ajuda a articular os trabalhos selecionados. Associada a diferentes estados da matéria, a cor remete à brasa, à ferrugem e à lava que esfria, sugerindo tanto a energia de um processo em andamento quanto os sinais deixados após sua conclusão.


Essa dualidade encontra correspondência no pensamento de Gaston Bachelard. O filósofo, químico e poeta francês dedicou reflexões ao fogo como elemento de sentidos contraditórios, capaz de destruir e, simultaneamente, favorecer o surgimento de novas formas.


No estande, essa tensão aparece em materiais cuja transformação produz efeitos ambíguos: a combustão pode consumir e deixar marcas permanentes, enquanto a corrosão altera a superfície e também lhe acrescenta cor.


O magnetismo, por sua vez, introduz a ideia de aproximação entre elementos. Assim como determinados minerais respondem a forças que não são visíveis a olho nu, as obras são reunidas por características compartilhadas, seja pela composição, seja pelos métodos utilizados em sua produção.


A proposta transforma o estande em um campo de relações entre diferentes linguagens artísticas, no qual cada peça conserva sinais de sua própria elaboração.


Como sintetiza Ariana Nuala, “Cada uma guarda, à sua maneira, a memória de uma temperatura”.


SERVIÇO

“Ígneas, Magmáticas, Magnéticas” – Amparo 60 na ART.PE 2026

Quando: 15 a 18 de outubro

Onde: Recife Expo Center – Cais de Santa Rita, 156, Bairro do Recife (Estande G31) – Recife-PE

Visitação: Quinta, sexta e sábado (15, 16 e 17), das 13h às 21h; Domingo (18), das 12h às 19h

Ingressos: a partir de R$ 25, no Sympla

Informações: www.artpe.art.br

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