Morreu na madrugada desta segunda-feira (12), aos 89 anos, o professor, filósofo, cineasta e escritor pernambucano Jomard Muniz de Britto.
O velório acontece na capela do Cemitério de Santo Amaro, na área central do Recife, e o sepultamento está previsto para às 16h.
Nascido em 1937, na Rua Imperial, no bairro de São José, também na área central da capital pernambucana, Jomard graduou-se e licenciou-se em Filosofia pela Universidade do Recife, atual Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Começou a carreira como professor e integrou a equipe inicial do Sistema Paulo Freire de Educação de Adultos.
Sua trajetória foi marcada pelo engajamento político e pela resistência à ditadura militar. Preso em 1964, foi levado ao Forte das Cinco Pontas, no Recife, onde dividiu cela com Gregório Bezerra. Também atuou na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
Jomard participou ativamente da movimentação tropicalista no Nordeste nos anos 1970. É autor de mais de 30 filmes e vídeos, muitos em super-8. Entre seus trabalhos mais conhecidos está “O Palhaço Degolado”. Na literatura, publicou mais de dez livros e escreveu peças de teatro.
A trajetória de Jomard foi retratada no livro “Jomard Muniz de Britto – Professor em transe”, escrito por Fabiana Moraes e Aristides Oliveira e lançado em 2017, em celebração dos seus 80 anos.
“Não sou memorialista. Conheço intelectuais que louvaram suas memórias. Mas acho que é melhor viver a vida do que estar rememorando”, disse o professor à Folha de Pernambuco, à época no lançamento.
Em nota, a prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Cultura e da Fundação de Cultura Cidade do Recife, lamentou a morte de Jomard Muniz de Britto e o descreveu como ‘o famigerado’ e incansável fazedor de revoluções culturais.
“Foi sobretudo um homem nas ruas: agitador cultural e cineasta, que, entre performances, filmes em super-8, enfrentamentos e provocações, participou ativamente da movimentação tropicalista no Nordeste nos anos 1970”, destaca o comunicado.
A prefeitura ressalta que o professor era um intelectual engajado e que sonhou junto com Paulo Freire os primeiros atos de seu sistema de alfabetização de adultos.
“Dedicou-se com furioso ímpeto ao gozo e à reivindicação de suas liberdades e das liberdades coletivas e culturais de um povo inteiro: escreveu mais de dez livros, algumas peças de teatro e mais de 30 filmes e vídeos, abrindo caminhos culturais e contraculturais pelos quais seguiremos lutando”, finaliza a nota.
Em nota publicada nas redes sociais, o prefeito do Recife, Victor Marques, afirmou que recebeu com tristeza a notícia da morte de Jomard.
“Sempre ativo e provocador, Jomard dedicou a vida à arte e a fazer do Recife uma referência de criatividade e pensamento crítico. Meus sentimentos aos familiares e amigos. Que Deus conforte seus corações”, escreveu o gestor.
