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Julgamento de Russell Brand, ex de Katy Perry, começa nesta segunda; ator é acusado de estupro

Julgamento de Russell Brand, ex de Katy Perry, começa nesta segunda; ator é acusado de estupro


Começa nesta segunda (12) o julgamento do ator e comediante britânico Russell Brand, que responde a seis acusações de estupro e violência sexual nos tribunais do Reino Unido.


Em audiências preliminares, o polêmico ex-marido da cantora Katy Perry se declarou inocente. Brand, de 51 anos, respondia inicialmente na Justiça por uma acusação de estupro, outra de atentado violento ao pudor, uma acusação de estupro oral e mais duas de agressão sexual — um total de cinco crimes denunciados por quatro mulheres diferentes.


Em dezembro passado, a promotoria incluiu outras duas acusações: uma de estupro e outra de agressão sexual.


Os crimes teriam ocorrido entre 1999 e 2009.




De acordo com informações da Polícia Metropolitana de Londres — a Scotland Yard — divulgadas à rede americana CNN e à britânica BBC, a primeira mulher teria sido estuprada em 1999 em Bournemouth, no sul da Inglaterra. Todos os outros casos teriam ocorrido na região londrina de Westminster: uma mulher que teria sofrido atentado violento ao pudor em 2001, outra que teria sido vítima de estupro oral e agressão sexual em 2004 e a última sexualmente agredida entre 2004 e 2005.


A quinta e a sexta vítimas, cujas denuncias foram anexadas posteriormente ao processo, teriam sofrido estupro e agressão sexual em 2009.


Russell Brand começou a ser investigado pelos detetives da Scotland Yard em setembro de 2023, depois de indícios revelados em um esforço conjunto de reportagem de três veículos da imprensa britânica: os jornais The Sunday Times e The Times, além da rede de televisão Channel 4.


“Comportamento inaceitável”

Depois das primeiras acusações, a BBC iniciou uma investigação interna para analisar as interações entre seus funcionários e Russell Brand, que apresentou um programa de rádio da rede britânica entre 2006 e 2008.


O resultado estava em um relatório divulgado em janeiro de 2025, que apontou um “comportamento inaceitável” do comediante.


“Deveriam ter existido sistemas melhores para garantir que o comportamento inaceitável de Russell Brand fosse prontamente identificado e tratado, e que todos os envolvidos se sentissem capazes de levantar quaisquer preocupações”, admitiu a BBC por meio do documento escrito por Peter Johnston, seu diretor de queixas editoriais e revisões.


Foram entrevistadas pelo departamento de Johnston 39 pessoas que trabalharam com Brand e forneceram detalhes sobre vários encontros com ele.


O texto aponta que Brand “enfiou os dedos” na “calça e na roupa íntima” de uma colega de trabalho; que ele seguiu uma mulher que não era funcionária da BBC até um banheiro e mostrou seu pênis para ela; e que teve relações sexuais com alguém que estava visitando a BBC após ganhar um concurso de rádio. A pessoa afirmou que o sexo foi consensual, mas que Brand “abusou de sua posição e se aproveitou dela.”


Em uma das reclamações registradas durante seu período na emissora, um funcionário relatou que Brand urinou em uma garrafa e jogou objetos com raiva contra uma tela enquanto gravava um episódio. Embora o incidente tenha sido formalmente denunciado ao gerente do funcionário, a investigação concluiu que “nada foi feito a respeito.” A natureza da segunda reclamação não foi detalhada.


Muitos colegas de trabalho de Brand ficaram incomodados com seu comportamento, segundo o relatório, mas “sentiam que não valia a pena reclamar, pois acreditavam que não seriam ouvidos.” Por Brand ser considerado um “apresentador de alto perfil,” eles disseram que acreditavam que ele “tinha o apoio da administração da emissora.”


Brand diz que era viciado em sexo

Em uma entrevista ao podcast da jornalista e comentarista conservadora Megyn Kelly em abril, o ator alegou que, apesar de já ter sido “viciado em sexo”, todo o seu comportamento passado teria sido “consensual e, por isso, não-criminoso”.


O julgamento deve se iniciar nesta segunda com a escolha dos jurados, segundo o jornal The New York Times. Até o fim da semana, promotores e a defesa do ator devem apresentar seus argumentos iniciais.


As primeiras testemunhas não devem depor ou apresentar provas antes de 19 de outubro. O julgamento está agendado para durar até 10 semanas, então o júri pode não ter um veredito para Brand até dezembro.


Caso seja condenado por estupro, Brand pode receber até a pena máxima de prisão perpétua — sem direito à flexibilização do regime, segundo a legislação britânica.

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