Fenômenos incluem tempestade geomagnética, nevasca nas Montanhas Rochosas e chuva de meteoros Dracônidas (Divulgação/Nasa)

O céu de diferentes regiões do Hemisfério Norte terá uma sequência de fenômenos astronômicos e meteorológicos nos próximos dias. Entre sexta-feira (9) e segunda-feira (12), uma tempestade geomagnética associada a erupções solares poderá ampliar a ocorrência de auroras, enquanto as Montanhas Rochosas, nos Estados Unidos, devem registrar a primeira queda de neve generalizada da temporada. Na noite de quinta-feira (8), a chuva de meteoros Dracônidas também alcançará seu pico, com possibilidade de observação principalmente no Hemisfério Norte.

Os eventos ocorrem em períodos diferentes e têm características distintas. Enquanto as auroras dependem da interação entre partículas solares e o campo magnético terrestre, a neve prevista para o oeste dos Estados Unidos está relacionada à chegada de ar frio e à umidade associada aos remanescentes do furacão Rachel. Já as Dracônidas são formadas quando a Terra atravessa detritos deixados pelo cometa 21P/Giacobini-Zinner.

Tempestade solar pode ampliar auroras

Céu terá auroras, neve e chuva de meteoros nos próximos dias; veja onde observar
Eielson Air Force Base, Alaska (Reprodução/Flickr/Joshua Strang)

O Sol registrou uma sequência de erupções associadas à mancha solar AR4549. Pelo menos três nuvens de partículas solares foram lançadas em direção à Terra, segundo as informações reunidas pela CNN Brasil, com base em dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), do Met Office, EarthSky e Space.

Os primeiros impactos no campo magnético terrestre estão previstos para sexta-feira (9). A primeira e principal nuvem deve chegar ao planeta ao longo do dia, quando também é esperado o pico de instabilidade magnética. As outras duas nuvens devem alcançar a Terra durante o sábado (10) e o domingo (11), mas com previsão de passagem de raspão. A sequência pode manter o campo magnético instável durante o fim de semana.

A previsão é de uma tempestade geomagnética de nível G2, considerado moderado em uma escala que vai de G1 a G5. Em situações desse tipo, as auroras podem aparecer em latitudes mais baixas do que o habitual. Além do fenômeno no céu, tempestades geomagnéticas de nível G2 podem provocar pequenas variações temporárias em redes elétricas de regiões muito ao norte e interferências breves em sinais de rádio de longa distância.

No Hemisfério Norte, os possíveis pontos de observação estão áreas do norte dos Estados Unidos, incluindo Nova York e Idaho, além da Escócia e do norte do Reino Unido. No Hemisfério Sul, a possibilidade se concentra no sul da Nova Zelândia e na Tasmânia, na Austrália. No Brasil e em outros países latino-americanos próximos à linha do Equador, a previsão é de que as auroras não sejam visíveis.

Neve chega às Montanhas Rochosas

Céu terá auroras, neve e chuva de meteoros nos próximos dias; veja onde observar
As Montanhas Rochosas (Rocky Mountains) do norte dos Estados Unidos devem registrar, entre sábado (10) e segunda-feira (12), a primeira queda de neve generalizada da temporada (Reprodução/Flickr)

De acordo com o Weather Prediction Center, ligado à NOAA, a neve deve atingir áreas das Montanhas Rochosas do norte durante o fim de semana e o início da próxima semana. O AccuWeather projeta entre 15 e 30 centímetros de neve em altitudes que podem chegar a 1.200 metros, especialmente nas áreas ao norte das Rochosas.

O meteorologista sênior do AccuWeather, Brett Anderson, afirmou para o US Today que “esta será uma nevasca significativa no início da temporada, com 15 a 30 centímetros de neve em altitudes tão baixas quanto 1.200 metros na parte norte das Montanhas Rochosas, de sábado até segunda-feira”.

Adam Douty, também meteorologista sênior do serviço, aponta que os níveis de neve devem cair em partes de Idaho, Montana e Wyoming. “Embora tenha ocorrido alguma neve em altitudes elevadas nas Cascades e nas Montanhas Rochosas do norte nas últimas semanas, os níveis de neve cairão muito mais em algumas partes de Idaho, Montana e Wyoming”, explicou ao US Today. “A neve cairá pela primeira vez em alguns dos vales dessa região, com neve intensa nas áreas mais elevadas”, acrescenta.

A umidade dos remanescentes do furacão Rachel, que se formou no Pacífico leste, deve avançar em direção ao interior dos Estados Unidos e contribuir para as precipitações nas Montanhas Rochosas. O Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos em Missoula, Montana, classifica a situação como incomum. “Esta é uma circunstância muito rara, mas a umidade dos remanescentes do furacão Rachel seguirá para nordeste, da Califórnia e de Nevada em direção à região de Yellowstone e Wyoming”, informou o serviço ao jornal estadunidense.

O Weather Prediction Center prevê ainda chuva forte e possibilidade de alagamentos localizados em partes do sudoeste dos Estados Unidos, Great Basin, Montanhas Rochosas e, posteriormente, nas planícies do norte. A neve também pode provocar impactos na infraestrutura, já que a precipitação deverá ser pesada e úmida e pode aumentar o peso sobre árvores e linhas de transmissão. A combinação pode contribuir para interrupções no fornecimento de energia.

Para o turismo, alguns dos pontos que podem ter acúmulo de neve incluem áreas do Glacier National Park e elevações intermediárias e altas próximas ao Yellowstone National Park. O AccuWeather recomenda atenção para quem estiver nessas regiões durante o período.

Chuva de meteoros Dracônidas completa calendário do céu

Céu terá auroras, neve e chuva de meteoros nos próximos dias; veja onde observar
Spruce Knob, West Virginia (Reprodução/NASA/Bill Ingalls)

Enquanto auroras e neve devem marcar o fim de semana, a chuva de meteoros Dracônidas chega ao pico na noite de quinta-feira (8). O fenômeno deve atingir seu máximo por volta das 21h, no horário do leste dos Estados Unidos, e os meteoros podem continuar visíveis nas horas seguintes, dependendo da localização do observador.

A chuva é mais favorável para observação no Hemisfério Norte, porém, no Hemisfério Sul, algumas pessoas podem conseguir identificar meteoros próximos ao horizonte logo após o anoitecer. A Lua crescente minguante não deve apresentar luminosidade suficiente para impedir a observação e a previsão é de até 10 meteoros por hora, embora a atividade possa variar.

As Dracônidas têm uma característica diferente de outras chuvas de meteoros: a melhor janela de observação ocorre logo depois do anoitecer e durante a noite, e não necessariamente nas primeiras horas da manhã. O fenômeno recebe esse nome porque os meteoros parecem surgir da direção da constelação de Draco, o Dragão. A origem está nos detritos deixados pelo cometa 21P/Giacobini-Zinner, que a Terra atravessa todos os anos em outubro.

A chuva também é conhecida como Giacobínidas, em referência ao astrônomo Michel Giacobini, responsável pela descoberta do cometa em 1900. Apesar de ser uma chuva menor em comparação com outras que aparecem ao longo do ano, as Dracônidas chamam atenção pela possibilidade de períodos de atividade mais intensa. Em determinadas condições, uma concentração maior de partículas deixadas pelo cometa pode provocar uma tempestade de meteoros, com centenas ou até milhares de registros por hora.

O cometa 21P/Giacobini-Zinner completa uma órbita ao redor do Sol aproximadamente a cada sete anos e, em setembro de 2018, quando o cometa passou mais próximo da Terra em sua órbita, cientistas registraram aumento na atividade de meteoros. O objeto também passou relativamente perto do planeta em março de 2025, mantendo a possibilidade de uma atividade acima do esperado em 2026.

Para observar as Dracônidas, não é necessário utilizar equipamentos específicos. A recomendação é procurar um local com pouca iluminação artificial, deitar ou reclinar-se e manter uma visão ampla do céu.

Próximas chuvas de meteoros

Céu terá auroras, neve e chuva de meteoros nos próximos dias; veja onde observar
A combinação dos fenômenos desta semana coloca diferentes destinos do Hemisfério Norte no radar de viajantes interessados em experiências ligadas ao céu, à neve e à observação astronômica (Reprodução/Flickr/reonides)

O calendário astronômico ainda prevê outras chuvas de meteoros até o fim de 2026. Segundo a American Meteor Society, as próximas datas de pico são:

  • Orionídeas: 21 e 22 de outubro;
  • Táuridas do Sul: 4 e 5 de novembro;
  • Táuridas do Norte: 11 e 12 de novembro;
  • Leônidas: 16 e 17 de novembro;
  • Geminídeas: 13 e 14 de dezembro;
  • Ursídeas: 21 e 22 de dezembro.

As condições variam conforme a localização, o horário, a cobertura de nuvens e a intensidade efetiva de cada fenômeno. Para quem pretende acompanhar os eventos, a previsão meteorológica local deve ser consultada antes do deslocamento, especialmente nas regiões montanhosas dos Estados Unidos, onde a chegada da neve pode alterar condições de acesso e circulação.

*Com informações de CNN e US Today.