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Aos 84 anos, Susana Vieira quer se reinventar no reality “Herança em Jogo”

Aos 84 anos, Susana Vieira quer se reinventar no reality “Herança em Jogo”


Depois de mais de seis décadas à frente das câmeras, Susana Vieira continua em busca de territórios onde ainda pode estrear. Em “Herança em Jogo”, reality do Globoplay apresentado por Rodrigo Faro, a atriz assume o papel de A Falecida, uma milionária excêntrica que, mesmo depois de morta, comanda por vídeos uma disputa entre desconhecidos por uma herança de até R$ 1 milhão em barras de ouro pouco mais de 1.400 gramas.

A experiência coloca Susana pela primeira vez no universo dos realities e amplia uma sequência de trabalhos em formatos distantes das novelas que marcaram sua trajetória. “Estou sempre dizendo sim para os projetos e isso tem me ajudado muito, porque os diretores meio que confiam em mim”, comemora.




Aos 84 anos, ela vê justamente nessa disposição para experimentar uma das razões para continuar ocupando novos espaços. “Estou agradecida a Deus de estar nesse momento da minha vida e ainda ser chamada por um projeto novo da Globo. Isso é uma gratificação, é sinal de que eu passei muito bem por essa longa estrada”, afirma.

No programa, a presença de Susana surge em vídeos que orientam o Testamenteiro, vivido por Faro, e ajudam a provocar os concorrentes confinados em uma luxuosa propriedade. Poderosa, sofisticada e sarcástica, a Falecida acompanha, à distância, os efeitos que dinheiro, poder e convivência provocam nos possíveis herdeiros, em uma mistura de reality e dramaturgia, que permite à atriz preservar uma de suas marcas mais reconhecíveis.


“Entrar em outro segmento, outra janelinha, ver uma outra Susana Vieira, sendo sempre a minha personalidade, que é o que marca meus personagens, ah, eu estou muito feliz”, celebra. O interesse por linguagens diferentes também ajuda Susana a renovar uma audiência construída ao longo de gerações. “Estou empolgada por falar com gente jovem”, resume.


P Rodrigo Faro atua como apresentador e ator em “Herança em Jogo”. No seu caso, você encarou A Falecida apenas como uma personagem ou a Susana Vieira também está em cena?

R Bom, quem foi para lá, para a externa, fui eu. Mas, na hora em que ligaram a câmera, eu já era A Falecida. Quando vieram me convidar, fiquei feliz. Eu gosto de reality, assisto. O público achou que eu ia entrar na casa, mas ainda não entrei. De repente, quem sabe, em um próximo. Mas eu não queria fazer, você acredita? Por causa do nome do programa, que seria “A Falecida”. Todos sabem que eu tenho pavor de morrer.

Tenho pavor de desaparecer dessa vida! Então, falei: “ah, não quero com esse nome, ‘A Falecida’, é chato, eu já estou uma senhora, a idade já chegou há muito tempo”. Aí, depois, eles acharam que iam mudar e eu amei “Herança em Jogo”. Então, quem está lá é a mulher. Ela não tem nome, mas vou dar um nome para ela: Laura, em homenagem a Laura Cardoso.

P Como foram as gravações?

R Antes eu achei que apresentaria junto com o Rodrigo. Me senti o Tadeu Smith no “Big Brother Brasil”, que ia dar esporro nas pessoas da casa. Nada disso! Me sentaram em uma cadeira e me falaram assim: “fala esse texto”. E eu falei. Aí, fui descobrindo, aos poucos, que ela é uma mulher rica, extravagante, que tem muito dinheiro e vai morrer, mas não sei o porquê.

Não me disseram e eu até gostei de não saber do que ela morreu. Mas essa mulher faz uns vídeos dizendo que vai distribuir a herança dela para pessoas que ela não conhece, só para brincar. É uma velha brincalhona! Uma mulher rica, aristocrata, irônica, que deve ser um pouco sádica também, porque fica vendo todo mundo se digladiando ali. Sabe quem ela seria, mais ou menos? Ela seria uma Branca Letícia de Barros Mota (personagem da novela “Por Amor”, interpretada por Susana).

P Você já comentou que tem pavor da morte. Em que momento decidiu aceitar “Herança em Jogo”, mesmo interpretando uma morta?

R Foi no momento em que eles trocaram o nome de “A Falecida” para “Herança em Jogo”. Falei “eu aceito! Herança, herdeiros, casa rica, Branca Letícia, um martini, eu aceito”! Brincadeira! Mas isso do nome é real. É que a última novela que eu tinha feito (“Terra e Paixão”, em 2023), eu morria.


Morria no capítulo 15 ou 20. E achei um absurdo me matarem no capítulo 20, tendo eu na novela. Mas, enfim, aceitei. Fiquei calada. Não, não fiquei calada, eu reclamei, reclamei, reclamei, mas não adiantou nada. Não voltei, porque eu achei que eu podia voltar em um sonho. Nesse programa, quando falaram o nome “A Falecida”, que era de uma mulher que já tinha morrido, falei, “gente, pelo amor de Deus, eu acho que eu não quero aceitar esse projeto”.


Mas, aí, trocaram o nome e, brincadeiras à parte, entrei de cabeça porque eu também nunca fiz nada específico para o Globoplay. Acho bom ter uma coisa ali. As novelas vão passando na vida da gente e eu já fiz muita novela. Mas, de repente, eu sempre achei que poderia ter um programa, falar com as pessoas.

P O que foi mais desafiador em “Herança em Jogo”?

R Como disse, eu achei que eu ia apresentar um reality junto com o Rodrigo Faro. Imaginei que eu ia tirar de letra, porque se eu ficasse insegura, teria ele comigo, chamando minha atenção, me orientando. Achei que era uma espécie de dupla, com um ajudando o outro, um contracenando com o outro.


Cheguei a Bragança Paulista para gravar e o Rodrigo não gravava comigo. Ele gravou junto com os participantes e eu nem vi os participantes. Então, me deu medo. Rodrigo tem esse background de apresentação, de saber lidar com acontecimentos inesperados, com pessoas estranhas que entravam no palco quando ele apresentava, gente que ele nunca tinha conhecido. Acho que o meu desafio era estar à altura da apresentação do Rodrigo. Eu, ali, sou só atriz. Mas queria ter apresentado junto com ele.

P Você participou recentemente de uma novela vertical derivada de “Coração Acelerado”, chamada “Onde Está a Boiadeira?”, e tem o “Escola Susana Vieira de Atuação”, projeto para o GloboPop. Como tem sido mergulhar em universos tão novos?

R É verdade, eu estou com vários projetos na Globo. Nessa novelinha vertical eu levei um susto! Aceitei o convite do Carlos (Araujo, diretor artístico), ele me falou que era um projeto diferente, mas não explicou o que era. Quando entrei no estúdio, vi que tudo era feito com celular. A câmera era celular! Achei interessante e fui me levando, primeiro porque o elenco já devia estar meio acostumado a lidar com aquilo.

E foram simpaticíssimos, trabalhei com a Ana Castela e esse é um nome que eu amo tanto que eu tenho duas cachorras atualmente e uma delas se chama Ana, é Ana Maria. Foi divertido. Só que era assim: o diretor botava a câmera em você, você dava a sua fala. Aí, cortava e a câmera mudava de lugar e dava a fala de outro.


No começo, fiquei atordoada: “meu Deus do céu, e se eu não fizer a cara boa?”, porque a gente está acostumada a contracenar tendo a cara do outro, a expressão do outro. Mas eu acho que ficou uma belezinha, adorei fazer.


“Herança em Jogo” Globoplay Novos episódios às sextas.

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