Engenheiros e técnicos da Boeing aprovaram contratos de quatro anos com reajuste imediato de 10%; paralisação poderia interromper a certificação do 777X
Engenheiros e técnicos da Boeing aprovaram, em 1º de outubro, novos contratos coletivos com duração de quatro anos, afastando a possibilidade de uma greve que poderia interromper atividades de certificação e produção de aeronaves. Os acordos incluem reajuste salarial de 10%, com vigência a partir de 2 de outubro.
O resultado foi divulgado pelo SPEEA, sindicato que representa os profissionais de engenharia e as equipes técnicas da Boeing, após uma negociação que envolveu aproximadamente 17 mil trabalhadores. Foi a primeira revisão integral dos contratos em 14 anos.
Segundo o Wall Street Journal (WSJ), a unidade de engenheiros e cientistas, a proposta recebeu 67,62% de aprovação, com 7.895 votos favoráveis e 3.780 contrários. Entre os profissionais da unidade técnica, a margem foi menor, com 53,48%, com 2.061 votos pela aceitação e 1.793 pela rejeição.
Além do aumento imediato, os contratos preveem reajuste garantido de 4% em março de 2027. Em 2028, 2029 e 2030, os recursos destinados aos aumentos salariais corresponderão a 6% ao ano, com um mínimo de 4% para cada trabalhador e a parcela restante distribuída conforme avaliação individual. O pacote também contempla benefícios de aposentadoria e elevação da meta do programa de remuneração variável.
A aprovação ocorreu após a rejeição de uma oferta anterior, em agosto. Na ocasião, cerca de 90% dos votantes também autorizaram uma greve, mas continuaram trabalhando enquanto as negociações prosseguiam, de acordo com o WSJ.
O risco de paralisação preocupava a administração da Boeing. Em uma conferência com investidores em setembro, o CEO Kelly Ortberg afirmou que uma greve interromperia o trabalho de certificação do programa 777X até o retorno dos engenheiros, com possíveis efeitos sobre a produção.
Em mensagem aos representados, a equipe de negociação do SPEEA afirmou que o acordo trouxe avanços, mas ressaltou a necessidade de reconstruir a confiança entre os trabalhadores e a administração. O sindicato pretende acompanhar essa relação por meio de comitês conjuntos e discussões com a empresa.
