Demanda global por voos caiu 0,8% em agosto de 2026, segundo a IATA. América Latina cresceu 6,7%, enquanto carga aérea avançou 4,4%
A demanda global por transporte aéreo recuou 0,8% em agosto de 2026 na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (30), pela Associação do Transporte Aéreo Internacional (IATA).
O resultado foi influenciado principalmente pela queda de 14,6% registrada pelas companhias aéreas do Oriente Médio. Excluindo a região, o tráfego mundial cresceu 0,6%.
A capacidade global, medida em assentos-quilômetro disponíveis (ASK), aumentou 0,3% no período. Com a demanda abaixo da oferta, o fator de ocupação das aeronaves ficou em 85,1%, uma redução de 0,9 ponto percentual em relação a agosto de 2025.
Demanda internacional
No mercado internacional, a demanda caiu 0,9% em relação a agosto do ano passado. Quando as empresas do Oriente Médio são excluídas, houve crescimento de 1,3%.
A capacidade internacional permaneceu estável, sem variação percentual na comparação anual, enquanto o fator de ocupação foi de 85%, 0,8 ponto percentual abaixo do registrado um ano antes.
A entidade também apontou que a conectividade aérea global apresentou enfraquecimento em agosto, embora alguns mercados tenham registrado comportamento diferente, entre eles o transporte doméstico na China.
Mercado doméstico
A demanda por voos domésticos caiu 0,5% em agosto de 2026 na comparação anual. No mesmo período, a capacidade aumentou 0,7%, levando o fator de ocupação a 85,3%, queda de 1,1 ponto percentual.
Japão e Estados Unidos registraram redução no tráfego doméstico. Na Índia, a contração foi mais acentuada, chegando a 7,5%. Na China, por outro lado, o transporte aéreo doméstico avançou, impulsionado pela demanda durante a temporada de viagens de verão.
Companhias aéreas da América Latina
As empresas aéreas da América Latina apresentaram crescimento de 6,7% na demanda em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025. A capacidade aumentou 6,4%, enquanto o fator de ocupação chegou a 84,8%, alta de 0,2 ponto percentual.
O desempenho regional ficou acima da variação observada no mercado global e acompanhou o aumento da oferta de assentos pelas companhias latino-americanas.
Demanda por carga
O transporte aéreo de cargas apresentou comportamento diferente do segmento de passageiros. A demanda global, medida em toneladas-quilômetro de carga (CTK), aumentou 4,4% em agosto de 2026 na comparação anual. Nas operações internacionais, o crescimento chegou a 5,3%.
A capacidade de carga, calculada em toneladas-quilômetro disponíveis (ACTK), diminuiu 0,1% globalmente e aumentou 0,1% nas operações internacionais.
Comércio global e combustível
O desempenho do transporte aéreo de cargas ocorreu em um cenário de expansão do comércio internacional. Segundo a IATA, o comércio global cresceu 6% em julho, mantendo uma sequência de 33 meses consecutivos de expansão na comparação anual.
O preço do combustível de aviação, entretanto, aumentou 8,3% em agosto em relação ao mês anterior e estava 79,2% acima do nível registrado um ano antes.
A atividade industrial global também apresentou crescimento. O índice PMI de produção manufatureira avançou 0,3 ponto em agosto, para 53,0, enquanto o índice de novos pedidos para exportação subiu 1,4 ponto, para 51,4. Os dois indicadores permaneceram em níveis considerados favoráveis à demanda por transporte aéreo de cargas.
Carga aérea na América Latina
As companhias aéreas da América Latina e do Caribe registraram crescimento de 5,1% na demanda por transporte aéreo de cargas em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025.
A capacidade regional aumentou 3,3% no período, acompanhando a expansão do mercado de carga aérea.
Perspectivas
A IATA avalia que os próximos meses deverão indicar se a redução do poder de compra associada aos preços mais elevados de energia terá impacto sobre os orçamentos destinados a viagens aéreas. A entidade também considera os efeitos da instabilidade geopolítica sobre a demanda.
Ao mesmo tempo, os cronogramas de voos previstos para outubro indicam crescimento de 2% na oferta de assentos, sinalizando expansão cautelosa da capacidade das companhias aéreas.
No transporte de cargas, o avanço do comércio mundial, o crescimento da atividade manufatureira e a recuperação dos rendimentos representam fatores de suporte para a demanda durante a aproximação do período de maior movimentação no fim do ano.
