Nordeste Magazine
Cultura

“Os Arcos Dourados de Olinda”: conheça o curta pernambucano que disputa indicação ao Oscar

“Os Arcos Dourados de Olinda”: conheça o curta pernambucano que disputa indicação ao Oscar


Após a campanha histórica de “O Agente Secreto” no Oscar deste ano, o cinema pernambucano tem a chance de desfilar novamente pelo tapete vermelho mais prestigiado da sétima arte. A aposta da vez é “Os Arcos Dourados de Olinda”, que está na corrida por uma indicação na categoria de Melhor Documentário em Curta-Metragem.


Dirigido por Douglas Henrique, o filme vem cumprindo uma trajetória premiada em festivais dentro e fora do Brasil. Foi com a vitória no 31º É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, realizado em agosto, que a obra se tornou elegível para a 99ª edição da premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.




“É bem surreal”, afirma o diretor, em entrevista à Folha de Pernambuco, ao refletir sobre a possibilidade de ter seu trabalho na maior premiação do cinema mundial. “Para um filme que surgiu praticamente sem dinheiro, como parte da minha conclusão de curso, tudo isso é inimaginável. Claro que tem um significado muito forte, inclusive para influenciar outros jovens cineastas a apostarem nas suas ideias. Esse é o grande valor para mim”, comenta.


Com 24 minutos de duração, o curta investiga uma história que se popularizou como uma espécie de lenda urbana em Pernambuco. Em 2003, uma unidade da McDonald’s fechou as portas em Olinda, que por aqui passou a ser vista como a primeira cidade do mundo a falir uma franquia da famosa rede de fast-food estadunidense.


Douglas Henrique é o diretor de “Os Arcos Dourados de Olinda”. Foto: Divulgação


Douglas Henrique “pega carona” nesta que é mais uma entre tantas anedotas megalomaníacas pernambucanas para construir um retrato político da época carregado de humor irônico. O diretor conecta a falência da lanchonete e a eleição de Luciana Santos, primeira prefeita comunista do Brasil após a redemocratização, mostrando como o contexto sociopolítico local moldava a vida cotidiana de Olinda no início dos anos 2000.


“O filme já foi selecionado para festivais em 17 países diferentes e, especialmente na América Latina, eu sinto que a conexão com o público é muito rápida. Escolhemos começar falando do contexto mundial e ir afunilando, até chegar em Olinda. Acho que isso foi um trunfo para fazer o curta se comunicar bem também com quem é de fora”, avalia o diretor.


Narrado pelo ator Giordano Castro, “Os Arcos Dourados de Olinda” é todo realizado a partir de imagens de arquivo. Garimpar esse material foi um desafio, já que no início a equipe contava com apenas algumas matérias de jornais sobre o fechamento da McDonald’s olindense. Em parceria com páginas populares nas redes sociais, os realizadores abriram uma convocatória para que as pessoas enviassem fotos de arquivos pessoais no local. Foi quando chegaram imagens enviadas por ex-funcionários e clientes do espaço.


Da mesma forma que o ambiente virtual ajudou a tirar o filme do papel, é através dele também que o curta vem ganhando repercussão. “É um caso meio único. Já é difícil uma produção brasileira ter uma recepção popular orgânica e, ainda mais, sendo um curta documental. Acho que, além de ser uma história famosa em Pernambuco, o humor é outro fator que aproxima o público”, comenta Douglas.


Agora, a equipe busca aumentar a popularidade do filme nacionalmente, para que o burburinho impulsione a campanha junto ao Oscar, que deve anunciar sua shortlist com os 15 semifinalistas mundiais no dia 15 de dezembro. “Estamos fechando contrato para entrar no streaming e TV fechada até o começo do ano que vem. Teremos novas sessões no Cinema São Luiz, em novembro, e estaremos em mais festivais fora do país. Então, estamos muito felizes com todas essas janelas e o apoio que temos recebido de tanta gente”, celebra o cineasta.



Veja também



Fonte

Veja também

Música eletrônica underground movimenta o Bairro do Recife em mais uma edição da festa ‘ROTAS’

Redação

Taylor Swift supera Beyoncé e se torna artista mais premiada da história do VMA

Redação

Entre cores, vanguarda e Antropofagia: musical “Tarsila, A Brasileira” desembarca em Pernambuco

Redação

Leave a Comment

* By using this form you agree with the storage and handling of your data by this website.